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Em entrevista à Portugal em Destaque, José António Soares, presidente da Câmara Municipal da Madalena, fala-nos sobre os projetos desenvolvidos ao longo deste mandato, os projetos traçados para o futuro deste município e sobre as iniciativas delineadas no âmbito da nomeação de Cidade do Vinho 2017, assumindo a sua recandidatura nas próximas eleições autárquicas.

Município em constante renovação e com visão de futuro
“A Madalena constitui-se como o concelho mais recente da ilha do Pico. A sua criação remete a 8 de março de 1723, um dia simbólico para nós, que curiosamente não é o feriado municipal, que se festeja no dia de Santa Maria Madalena, a 22 de julho e que dá nome ao concelho. É também a porta de entrada da ilha, quer pelo porto, por onde passam cerca de 400 mil pessoas, por ano, quer através do Aeroporto do Pico. Em outros tempos, a Madalena servia apenas de porta de entrada, mas nos últimos anos é igualmente porta de centralidade porque, como costumo dizer, ninguém que passe na Madalena, deixará de passar em toda a ilha. Esta, tem que ser vista como um todo, pois desta forma irá tornar-se muito mais interessante e apaixonante, complementando-se de maneira completamente diferente e exatamente pelos três concelhos”, começa por nos contar, José Soares.
E são muitas as tradições e costumes enraizados, neste que é o município com a segunda taxa mais baixa de desemprego nos Açores.
“No caso da Madalena, a nossa história está ligada à vinha e ao vinho. A vinha deu-nos tudo e tirou-nos tudo, como digo várias vezes. Foi quem nos deu a possibilidade de chegar a várias paragens, como por exemplo, aos czares, mas depois também com as pragas, trouxe a emigração e a terra ficou deserta, sendo uma das piores situações que nos aconteceu desde a nossa criação. Depois, viramo-nos para o mar e aconteceu-nos algo de especial na década de 60, que foi o facto de a Cofaco, uma empresa do continente, mais concretamente de Vila Real de Santo António, se ter instalado na Madalena, criando uma empresa de transformação de pescado. Até aos dias de hoje, essa fábrica tem sido um dos principais polos de desenvolvimento deste concelho e desta ilha. A Cofaco empregava e emprega muita mão de obra feminina do concelho e acaba por ser importantíssima. Ao longo destes últimos anos, assumiu um papel fundamental na nossa economia e no nosso desenvolvimento social da ilha, por várias razões. Há cerca de 70, 80 anos, o dinheiro na região era muito escasso e esta empresa trouxe a esta gente a capacidade de suprir esta necessidade, pois na altura havia apenas um movimento de troca de alimentos e de outros bens. Portanto, podemos afirmar que existe uma região antes e depois da Cofaco, que mudou clara e radicalmente a nossa história, a nossa vida”.
A cada dificuldade, os homens do Pico foram vencendo as adversidades e a ilha foi crescendo de forma natural. A isso, muito se deve a visão de futuro de alguns madalenenses, que cedo perceberam o potencial da sua terra em áreas como o turismo e a educação, como o autarca nos explica.
“A Madalena, viveu sempre também das poucas visitas que tinha e felizmente na nossa história, existiu um visionário chamado Manuel Garcia Goulart que se instala na Madalena e cria a primeira residencial e restaurante da ilha. Com a sua visão, a nível turístico, principalmente a nível do norte da Europa, passamos a ter mais visitantes, pois tínhamos alguma oferta. Desta forma, a Madalena foi crescendo, com as pessoas da Madalena, que nunca viraram a cara à luta e que foram ajudando a transformar o concelho aos poucos. Nesta fronteira, de referir também, que temos empresas com mais de 90 anos de existência, como por exemplo, uma empresa de autocarros, de barcos, (tendo sido essencial na ligação com o Faial). Depois, Maria Cecília do Amaral, criou o ensino particular na Madalena, fazendo com que os rapazes e raparigas daquela altura tivessem a possibilidade de estudar na ilha, pois anteriormente só existia essa oferta no Faial. Foi sem dúvida um contributo para o desenvolvimento escolar da região, tendo mudado a história cultural da nossa gente”.
No entanto, José Soares acrescenta: “existe portanto, uma nova realidade pós 25 de abril, mas o grande impulso na Madalena deveu-se também aos quadros comunitários e à possibilidade de ser possível fazer mais, a nível da rede viária, das infraestruturas da água, das redes elétricas, tendo a Madalena crescido em todas essas áreas”.
Porém, a ação social foi também uma das áreas que maior atenção e preocupação mereceu por parte deste executivo e são muitas as associações existentes no concelho, que prestam vários tipos de apoio a quem mais precisa.
“A Madalena acabou por crescer do ponto de vista social, onde existem várias instituições, como a Santa Casa da Misericórdia da Madalena, que tem uma dimensão enorme, com várias valências, desde lar da terceira idade, lar residencial, a atividades ocupacionais, creche, jardim de infância e ATL, constituindo um dos polos mais empregadores da ilha. Existe ainda o Salão Recreativo dos Toledos, que também mantem parcerias connosco, com o’ Madalena Abraça Mais’ e existem ainda todas as outras casas do povo, constituindo os centros de convívio, onde os idosos passam o seu dia. Também na Candelária, sempre ligada ao Cardeal Costa Nunes, que deixou uma marca enorme no nosso concelho, existe uma instituição, a casa São José, que recebe rapazes e raparigas abandonados e com problemas sociais, que existem em toda a região”, acrescenta o nosso entrevistado.

Turismo, uma nova realidade
Depois das crises sísmicas, das pragas nas vinhas e da evolução crescente da economia da ilha, muitos madalenenses que emigraram há alguns anos, acabaram por regressar, vindos principalmente do Canadá, Estados Unidos da América e, pontualmente, da Europa, potenciando o turismo na ilha, que possui já uma oferta de enorme qualidade, quer na área hoteleira, quer na área da restauração e são vários os pontos e lugares de visita obrigatória para quem pretende conhecer o concelho da Madalena, bem como as atividades lúdicas e de natureza disponíveis.
“O santuário do Bom Jesus, em honra de São Mateus, onde se realiza uma das festas religiosas de maior dimensão e de maior devoção dos Açores, que se celebram a 6 de agosto. A freguesia de São Caetano, com a Prainha do Galeão. Depois, na freguesia da Criação Velha, a freguesia onde está o coração da paisagem protegida e Património da Humanidade, com uma vista deslumbrante sobre as vinhas únicas da ilha, com clara intervenção do homem. Hoje, a vinha e o vinho são transversais a toda a ilha. De uma ponta a outra do concelho, no nosso caso, um dos pontos mais visitados da Madalena, é o Lugar do Cachorro, que a própria lava modificou a moldou de uma forma muito natural. Qualificamos essa zona, porque é efetivamente muito bonita e porque é um ponto turístico de grande atratividade e muito visitado na ilha do Pico e no concelho da Madalena. Para além do vinho, o whale watching tem assumido igualmente um papel preponderante na captação de turistas de todas as nacionalidades e na projeção da Madalena, com duas empresas ligadas a esta área, que é a ligação perfeita entre o mar e a terra. Também a nossa montanha, considerada uma das sete maravilhas de Portugal, nos deu uma certa notoriedade e há cada vez mais pessoas a quererem subir a montanha, num conceito de turismo de natureza, que cada vez mais marca e distingue os Açores. A nível de oferta turística estamos a crescer, com mais hotéis, restaurantes de qualidade e também no turismo rural, que ganhou nos últimos anos uma projeção enorme. Temos ainda outros projetos a serem desenvolvidos, que esperamos ver concluídos rapidamente. A nossa oferta passará assim a ser suficiente”, frisa o autarca.

Madalena, Cidade do Vinho 2017 e Capital dos Açores da Vinha e do Vinho
É visivelmente orgulhoso, que José António Soares aborda este tema, que constitui um marco único na história do seu município, bem como em toda a região dos Açores. Distinção esta que tem como principal objetivo, divulgar os vinhos produzidos na região, nacional e internacionalmente e que todos conheçam esta que é a paisagem classificada como Património Mundial pela Unesco.
“Como marca registada de Capital dos Açores da Vinha e do Vinho e Património da Humanidade, fazia todo o sentido candidatarmo-nos a este galardão nacional como Cidade do Vinho 2017. É óbvio que tudo isto teve uma envolvência de várias entidades, como a CVR Açores, os produtores e cooperativas da região, o próprio Governo Regional, as secretarias regionais, as câmaras municipais, particularmente do grupo central, e todos se envolveram nesta iniciativa de forma muito séria e para que fosse uma realidade. Este é também um momento de agradecimento a toda a gente que acreditou nesta candidatura, na sua singularidade e no seu mérito. Havia candidaturas muito fortes e de muito respeito, mas ganhámos e foi uma ótima surpresa para todos nós. Muitas pessoas no continente não nos conheciam e penso que conseguimos transmitir aquilo que somos e o que temos de melhor para oferecer. Somos diferentes, a nossa paisagem é diferente e penso que isso foi preponderante na nossa vitória”.
Durante este ano, foram vários os eventos e iniciativas desenvolvidas e José António Soares fala-nos sobre os projetos pioneiros traçados, de enorme sucesso, como a Enoteca Itinerante.
“Temos realizado vários eventos, todos com o vinho da região como foco, com o objetivo de divulgar este produto por todo o país. A gala de abertura, que contou com mais de 80 colegas, desde câmaras municipais, a assembleias municipais, e que se realizou a 11 de março, foi um fim de semana extraordinário, um momento alto da nossa vida coletiva, que envolveu também toda a ilha e que é um momento único, quer no Pico, quer nos Açores.
A ilha vive das suas gentes, das suas tradições, da sua cultura, da sua diferenciação e é nisso que temos que apostar. Ao longo deste percurso, temos várias particularidades e um dia em conjunto com a comissão executiva e outros membros, estávamos a discutir sobre o que poderíamos fazer para que as pessoas falassem de nós e nos conhecessem cada vez mais. Num turbilhão de ideias, ficou decidido desenvolvermos uma Enoteca Itinerante. Com o intuito de democratizar o acesso a este universo de conhecimentos, a Enoteca passou por todos os lugares do concelho da Madalena e Vilas da Ilha do Pico, levando a essas localidades os melhores vinhos e enólogos do nosso país, de diversas regiões, estando os vinhos do Pico sempre representados.
E faz um balanço positivo até então: “tem sido uma experiência extraordinária, única, uma ótima forma de promovermos mais o Pico e com muita adesão por parte das nossas gentes e dos enólogos que nos visitam. Para além disso, realizamos vários jantares vínicos e todas estas iniciativas têm nos trazido bastante promoção, que é o nosso principal objetivo. Posteriormente, na altura das vindimas, haverá uma gala onde será eleita a Rainha das Vindimas e a gala de encerramento no final do ano, onde se ficará a saber a cidade eleita para o ano seguinte”.
Até ao final do ano, como nos explica, a ideia passa por continuar a reafirmar este título, nunca parando, para que a Madalena continue a marcar no panorama nacional, a sua identidade como Capital dos Açores da Vinha e do Vinho.
“O vinho é e continuará a ser uma das nossas principais alavancas de conhecimento”, revela.

De olhos postos no futuro
Para além desta distinção, que dinamizou de forma clara a região, no último ano, a Madalena viu nascer uma multiplicidade de novos projetos e obras e José António Soares, fala-nos satisfeito sobre os mesmos. “Neste mandato, os principais projetos desenvolvidos, passaram pelo auditório da Madalena, a requalificação urbanística dos Toledos, o polo local da Universidade Aberta, os parques de estacionamento das Sete Cidades, a construção do polo de turismo da Madalena, que era antigo mercado do peixe (brevemente também será inaugurado o novo mercado municipal), pelos vários projetos sociais postos em curso, como a comparticipação da aquisição de medicamentos a idosos, o projeto ‘Madalena Abraça Mais’, que presta apoio de acompanhamento também à classe mais idosa da Madalena, pelas bolsas de estudo a alunos do ensino superior, (em 2017, 21bolsas foram entregues) e pelo Madalena Bem me Quer, que consiste em kits de apoio à natalidade (nos primeiros quatro meses do ano foram entregues 37 kits)”.
Para finalizar, revela os projetos de futuro delineados no sentido de potenciar a Madalena nos próximos anos num próximo mandato, depois de ter assumido a sua recandidatura nas próximas eleições autárquicas.
“O trabalho que tenho vindo a desenvolver, será de continuidade. Os projetos passarão pela requalificação do espaço público (praças e ruas) do centro da Vila da Madalena, conferindo-lhe uma nova imagem e funcionalidade, explorando a forte relação com o mar como fator de diferenciação, valorizando a sua frente marginal e potenciando a ligação da Madalena com outros pontos circundantes. A requalificação do espaço público da frente marítima da Madalena, em toda a extensão entre o Porto Velho e o Cais da Areia Larga, a requalificação do Leito da Ribeira de São Caetano, a reabilitação, ampliação e modernização da rede de abastecimento de águas, a reabilitação do centro logístico das associações sociais, culturais e desportivas, a construção da ciclovia da Madalena, que estender-se-á desde o aeródromo até à Areia Larga e a construção da Casa das Memórias do Canal, um espaço museológico instalado na antiga casa paroquial, tendo a antiga embarcação Adamastor como parte integrante da exposição, também serão uma realidade.
Ao nível da educação, temos toda a oferta necessária para os jovens se formarem cá, incluindo uma escola profissional com instalações bastante recentes. Temos crescido, de uma forma sustentada, somos o segundo maior concelho desta região que mais obras licenciou neste primeiro semestre deste ano, o que nos satisfaz bastante”.

 

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