Localizada no concelho de Odemira, em Fornalhas Novas, encontra-se a Adega dos Nascedios. Aqui, as uvas são transformadas em vinho, nomeadamente o Fornalha, Encosta da Fornalha e o Anima de Fornalhas. Luís e Elisabete Ribeiro deram-nos a conhecer o seu percurso.

 

Foi em 1989 que o casal Luís e Elisabete Ribeiro, naturais de Torres Vedras, se mudaram para o Monte de Nascedios. A fazer uma especialização em agricultura, apareceu a oportunidade de comprar a propriedade, o que mudou a vida dos dois vitivinicultores.

“Sempre gostamos muito do Alentejo, especialmente do litoral alentejano. Vínhamos cá nas férias, e então queríamos fazer um projeto agrícola relacionado com viticultura, devido aos estudos e ao curso que estávamos a fazer, compramos esta propriedade. Sendo uma tradição de família iniciada pelos nossos avós, a cultura da vinha e do vinho é também uma paixão nossa”, conta Elisabete Ribeiro.

Com solos e clima diferentes, classificam a zona do litoral como “muito agradável” uma vez que “os solos não são muito férteis nas encostas o que, para vinhas, é muito bom, pois são solos com profundidade”. O casal, conta que na altura começaram com uvas de mesa, mas o projeto cresceu e, agora, estes dois vitivinicultores fazem “tudo do início ao fim, desde plantação, colheita e transformação”. Luís Ribeiro, diz que este “é um processo vasto, onde tem de se fazer um estudo prévio” e, que optaram “mais pelas castas tradicionais, pois têm mais que ver com o clima, e algumas de origem francesa, mas muito bem adaptadas a Portugal, mais propriamente ao Alentejo”.

No que diz respeito às castas, Luís Ribeiro destaca a Syrah uma vez que “se adaptou muito bem”. As castas que se encontram na Adega dos Nascedios são, nas castas tintas, o Aragonez, Trincadeira, Syrah, Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Castelão. Já nas castas brancas, a Arinto, Alvarinho, Viognier e Antão Vaz.

“A Syrah aqui é a que é mais multifacetada, aquela casta que nos dá cor, corpo, é generosa na produção, tem um bocadinho de tudo. É um vinho fantástico, com um aroma mais especial, especiado até”, revela Luís Ribeiro.

No mercado, a saída vai encaminhada com exportações para a Alemanha, China, Espanha e Holanda. Já em Portugal, pode-se encontrar estes vinhos na região sul e em Intermarchés da região, que são mais recetivos a produtos regionais, mas também em alguns restaurantes e turismos rurais.

Luís Ribeiro considera que cada vez mais há a cultura do vinho, pois esta “está enraizada e as pessoas, até mesmo os mais jovens, aparecem”. Conta também que ali, aparecem “pessoas de todo o mundo e é incrível. Passam aqui na estrada, param e gostam deste tipo de adegas, chegam mais perto da cultura local, vêm também após visitarem os Postos de Turismo e obterem informação, contactos, gostam de experimentar, provar os vinhos, gostam de estar até mais perto dos produtores”.

Estas experiências mexem com a economia da região, e segundo o vitivinicultor, este setor, nomeadamente o Alentejo e os seus vinhos “são uma referência no mundo”. O nosso interlocuor considera que “o Alentejo tem uma vantagem nos vinhos, pois são mais fáceis de beber, são aromáticos, muito frutados, alguns até exuberantes e agradam a todo o tipo de apreciador, mesmo aquele que não é assim tão conhecedor, mas que aprecia muito o vinho alentejano. O vinho fica mais macio, mais aveludado e muito aromático e é um vinho muito redondo em boca”.

Além da economia, também é a cultura da região que é aqui promovida. Luís e Elisabete mantêm-se, assim, ocupados a tratar das suas vinhas de forma a continuar a aperfeiçoar a qualidade dos vinhos e a conquistar batalhas, no sentido de expandir de uma forma equilibrada, com uma estrutura maior para receber as pessoas, em condições melhoradas.

Para o futuro, o desejo é o de continuar a fazer mais e melhor, sendo este o lema do casal. “Temos uma boa dimensão, mas queremos aumentar a produção e a exportação. Precisamos de continuar a apostar no marketing, de forma a aumentar as vendas de vinho engarrafado sendo este de muita boa qualidade, assim como chegar a outros nichos de mercado fora de Portugal. Estamos a trabalhar nesse sentido. Queremos sempre aumentar, mas mantendo a qualidade ou melhorar”, finalizam Luís e Elisabete Ribeiro.

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