Com 19 estabelecimentos de ensino, 230 docentes e 2.400 alunos, o Agrupamento de Escolas de Ourém é o maior do concelho. Com excelentes instalações ao dispor dos alunos, Sandra Pimentel, diretora do Agrupamento, aborda diversas temáticas sobre a realidade escolar.

Descreva a realidade do Agrupamento de Escolas de Ourém.

O Agrupamento de Escolas de Ourém estende-se a todo o concelho, desde a zona mais a norte, Freixianda, até Fátima. Estas duas regiões do Agrupamento têm realidades muito diferentes, não só a nível social, mas também de perspetivas de família e de alunos.

E quais são essas perspetivas?

Para alguns alunos, a escola acaba por não ser a saída ideal. Neste sentido, considero que há um trabalho muito grande a fazer com estes alunos. É preciso mudar algumas práticas, nomeadamente ofertas de outro tipo de ensino e de outros projetos que possam trazer estes alunos mais difíceis para dentro da escola, para que possam ver nela uma melhor saída. Neste momento, conseguimos gerir a situação até porque quando os alunos não se enquadram naquele percurso, aconselhamos um percurso mais vocacional ou mais técnico e profissional, no caso do ensino secundário. Posteriormente, tentamos que as famílias percebam essa importância de ter estudos e de conseguir ter uma formação.

Há uma oferta formativa adequada a essas realidades?

No ensino profissional procuramos abrir os cursos profissionais que, no nosso entender, podem dar resposta àquilo que são as expectativas dos alunos e que possam ter mercado de trabalho no concelho. Os cursos estão ligados a quatro áreas: informática, eletrotecnia e eletrónica, comércio e serviços e, por fim, saúde. Fomos percebendo que o mercado pedia isso. Tentamos fornecer cursos com que eles próprios se identifiquem. A nossa preocupação é que os alunos tenham sucesso no curso que escolhem primeiro e que tenham saída no mercado de trabalho.

Para além das aulas, que outras atividades complementares têm para oferecer aos alunos?

Os alunos que vêm para a nossa escola têm a possibilidade de se inscreverem numa série de clubes. Fazemos questão que funcionem em alturas não letivas para poder dar resposta às tardes livres. Depois há uma série de projetos que vão ao encontro daquilo que eles gostam mais. Por exemplo, o clube do jogo, o clube de inglês, o clube de robótica, o desporto escolar, entre outros. Com uma responsabilidade acrescida em termos ambientais, por sermos uma eco-escola, dinamizamos também atividades nesse sentido.

Como avalia o projeto de autonomia e flexibilidade?

Eu gosto do projeto. Se os nossos docentes, que têm as crianças nas mãos, perceberem o contexto do projeto de autonomia e flexibilidade e quiserem envolver-se, vão permitir criar uma nova perspectiva de escola, mais prática, inovadora e inclusiva. Possibilita a articulação de disciplinas, conteúdos e níveis de ensino. É necessário mudar a prática pedagógica de sala de aula, criar novos instrumentos de avaliação e adequar estratégias ao público-alvo. A flexibilidade permite a mudança de paradigma e de práticas na escola.

Qual é a reação dos alunos face à flexibilidade?

Os alunos têm que sentir que o professor acredita naquilo que está a fazer. Quando transmitimos aos alunos e lhes explicamos a dinâmica, eles gostam, isto porque podemos fazer um trabalho completamente diferente. O feedback que eu tenho dos alunos é que percebem que estão a fazer algo diferente. A ligação que há entre as disciplinas é enriquecedora para o aluno. Mesmo em relação aos encarregados de educação e após uma explicação do projeto têm percebido a sua mais-valia, tendo reações positivas.

Na sua opinião, considera que a mudança nas escolas é necessária?

Precisamos de uma mudança e o projeto flexibilidade permite isso em sala de aula e fora dela, o que é importante. É necessário interioriza-lo, acarinhá-lo e perceber que nos pode abrir novas perspetivas. É fundamental passar a barreira no que diz respeito à aplicação do projeto em sala de aula e com o entusiasmo dos docentes.

Sendo um Agrupamento forte no apoio a crianças com necessidades educativas especiais, fale-nos um pouco sobre as unidades que têm.

Temos 13 docentes inseridos num núcleo muito forte de educação especial. Como é um Agrupamento muito grande, os docentes espalham-se pelas várias escolas que temos, distribuídos por todos os níveis de ensino. Para além disto, temos três unidades: duas unidades de multideficiência, uma na escola sede e outra num centro escolar em Fátima e ainda uma unidade de autismo também em Fátima. Sentimos esta necessidade, uma vez que recebíamos muitos alunos com necessidades educativas especiais. Uns menos graves e outros com necessidades educativas que comprometem um pouco mais o percurso escolar, nomeadamente autismo grave e alunos com comprometimentos a nível cerebral e físico, aos quais necessitamos de dar resposta, o que nos levou a criar esta unidade de multideficiência.

O Agrupamento de Escolas de Ourém é o maior do concelho, o que exige uma grande responsabilidade. Que projetos pretendem desenvolver?

Quero continuar a fazer da Escola de Ourém uma escola pública de qualidade, em termos de conteúdos escolares, e de competências de cidadania, preparando os alunos para o que vem depois. Quero que esta escola continue a ter resposta nas mais diversas vertentes e este espírito de equipa que nos permite fazer mais e melhor.

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