Em 1985 nasceu a ASSUS – Associação de Solidariedade Social da Urbanização do Seixo, em São Mamede Infesta, focada no bem-estar das crianças. Hoje em dia, o presidente Vítor Magalhães, vem acrescentar mais valor, mais visão e mais proximidade à IPSS. A Portugal em Destaque esteve à conversa com a direção para perceber o que mudou nos últimos cinco anos.

 

 

A ASSUS foi fundada há 33 anos, mas foi em 2013 que Vítor Magalhães se tornou o pPresidente da direção. Conte-nos como surgiu a Associação e a respetiva oportunidade de agarrar este novo desafio.

A ASSUS foi construída no seio da Cooperativa Realidade. O objetivo deste infantário era receber crianças dos associados da Cooperativa em 1985, e em 1992 foi criada a IPSS. Assim, deixou de fazer sentido entrarem  aqui apenas os sócios da Cooperativa, mas também começar a abrir mais para o exterior. Nos dias de hoje ainda é uma IPSS. Estamos numa zona privilegiada, uma vez que estamos numa rua sem saída, num ambiente calmo, mais fechado e mais seguro. Por outro lado, temos no exterior um espaço verde fabuloso que foi devidamente aproveitado.

Entrei no dia 5 de março de 2013 e foi um desafio muito interessante. Tudo começou pelo sentimento de alguns funcionários de que realmente a Instituição estava a decair e, inclusive, em vias de encerrar as portas. Naturalmente que eu não fico alheio a este tipo de situações, porque sabia que aqui não estava só em causa os postos de trabalho como simultaneamente crianças (na altura, 89). Se isso acontecesse os pais iriam ficar sem sítio para colocar as crianças. Assim, foi-me lançado o desafio: juntei um número alargado de pessoas que, a meu ver, teriam as condições necessárias para me apoiar neste projeto. Este projeto foi pensado por mim e pela minha colega de direção Sandra Ferreira. A primeira ação que realizei na Associação aconteceu em janeiro de 2013 antes de formalizar-me enquanto presidente. Fui ao Bazar Paris, no Porto, buscar brinquedos e pedi para que ficasse registado numa declaração o donativo feito à ASSUS. Nos últimos anos, o número de crianças passou de 89 para 223 e de funcionários passou de 22 para 27. Claro que isto foi progressivamente crescendo. Nestes cincos anos contamos com o apoio da SIC Esperança para fazer uma remodelação no espaço e isso foi uma mais-valia.

 

Isto levou a que estabelecesse vários acordos e parcerias com esses mesmos apoios…

Sim. A minha forma de estar na vida passa por trabalhar em rede e quando trabalhamos assim dificilmente não se tem sucesso. Para tudo é preciso trabalho, não basta apenas ser presidente. A maior parte das vezes que eu estive nessas conquistas com apoios de entidades e parcerias, foi sempre nesta base de dar e receber. A verdade é que com isto conseguimos muito mais e há sempre algo que recebemos. Nem sempre o receber é monetário.

 

Quais são os serviços que tem ao dispor da comunidade?

Temos o berçário, que é a creche, com a sala do zero a um ano, depois do um aos dois e a sala dos dois aos três anos. No pré-escolar, temos a sala dos três aos quatro anos, dos quatro aos cinco e dos cinco aos seis. Quer na creche, quer no pré-escolar temos as vagas completamente preenchidas e ainda existem crianças em lista de espera. Isto tem vindo a acontecer desde a nova direção.  Por fim, temos o ATL dos seis aos dez anos, que corresponde ao período do primeiro ciclo. A anterior direção criou a sala de estudo e, neste momento, existem 40 crianças na sala. Esta parte é uma continuação da necessidade dos pais para dar apoio aso filhos. Em conjunto, acabamos por ter outros serviços, nomeadamente o transporte para as respetivas escolas das crianças do ATL e da sala de estudo, e ainda a alimentação em que disponibilizámos uma cantina.

 

Outra parte social que nasceu na Associação foi a ASSUS Sénior. Fale-nos desta nova vertente.

Em setembro de 2017 avançamos com a ASSUS Sénior, um projeto inteiramente aprovado pela Câmara Municipal de Matosinhos, mais concretamente a Ação Social que tem tido um papel fundamental nestes cinco anos. Um dia, apercebi-me que havia pessoas com alguma idade na comunidade envolvente e questionei-me do que é que a comunidade envolvente necessitava. Nesse sentido, e depois de ouvir a colega de direção Sandra Ferreira, que teve sempre em mente um projeto de um espaço dedicado aos seniores, foram criadas sinergias para nascer o projeto, intitulado como ASSUS SÉNIOR ao serviço da comunidade, para que as pessoas tenham durante o percurso da vida de pré-reforma e reforma possam fazer algo de útil, fundamentalmente com maior qualidade e esperança de vida. O meu objetivo é fazer com que o maior número de idosos possa frequentar o espaço, porque nós criamos condições para isso e queremos que o espaço seja autossustentável. Neste momento contamos com 42 utentes.

 

Que atividades implementaram para os vossos utentes e crianças?

Numa fase inicial do projeto sénior arrancamos com ioga, informática, dança, música e pilates e os idosos têm aderido muito bem. Para as crianças temos atividades extracurriculares como o ballet, karaté, dance fit, música, dança criativa, inglês, terapia da fala, terapia ocupacional e gostava de implementar a informática para o próximo ano. Estas atividades são uma forma de se juntaram e terem um momento do dia em que possam estar unidos a conviver e a partilhar. Um dos meus objetivos é ter um espaço alargado onde possamos fazer as atividades e dinamizá-las, sem estarmos castrados em termos de tempo para sair da sala.

 

Para além das atividades que têm para as crianças também promovem-nas para as famílias?

Sim. Criamos condições para que as famílias se envolvam mais na Instituição, através do ioga e do zumba, para que os pais venham mais vezes à escola e para que interajam e se interessem ainda mais pelos filhos, criando uma maior relação escola-família-escola.

Além disto, queremos ter cada vez mais atividades em prol das crianças, dos jovens e dos idosos, estendendo também às famílias e pessoas externas.

 

Enquanto Instituição procuram fomentar uma relação de proximidade entre as crianças, os jovens e os idosos?

Temos um registo da interação entre as gerações. Criamos condições para  que hajam encontros intergeracionais e isto é uma mais valia, quer para as crianças quer para os idosos. Estes porque também se sentem úteis e, por outro lado, as crianças percebem o respeito que é importante ter pelas pessoas menos novas. Tudo isto acontece porque desenvolvemos um projeto educativo relacionado com os valores. Esta é uma das componentes que estamos e queremos transmitir. Há um conjunto alargado de ações que devem ser implementadas urgentemente para que as pessoas vejam a importância desses valores, contribuindo para uma humanidade melhor.

 

Podemos afirmar que o Vítor, enquanto presidente, tem um vinculo afetivo com as crianças e com os idosos…

Sem dúvida. Este carinho especial vai desde bebés até aos jovens da sala de estudo, os quais tenho uma relação ainda mais próxima. Todos os anos faço a viagem de final de ano com eles e atividades fora do vulgar, tais como andar de avião, acampamento e atividades radicais, interação com animais diversos, etc. Exemplo disso foi o ano passado, levei-os ao Badoca Park, Aquashow, Zoomarine e foram três dias incríveis, que irão ficar marcados para a sua vida. Eu digo que aqui na instituição o meu maior presente é o sorriso das crianças. A maior parte das crianças passam a maior parte do aqui dentro e eu digo sempre que quando um pai ou uma mãe deixa a criança que supostamente é tudo aquilo que mais têm de valor na vida, vão deixar à responsabilidade de uma cozinheira, de uma funcionária da limpeza, de uma auxiliar, de uma educadora, de uma coordenadora e de uma direção. Por isso, existem exigências de que não abdico: higiene, segurança e alimentação. Quando o fazemos temos de o fazer com estes valores, ou seja, à criança tem de ser salvaguardado tudo, inclusive os seus direitos enquanto criança. É por isso que enquanto eu aqui estiver não vou permitir que nenhuma criança seja infeliz.

 

Sempre com uma atitude dinâmica, por onde passa o futuro da ASSUS?

Quero criar melhores condições financeiras pois pretendo pagar ordenados dignos. Na ASSUS Sénior pretendemos ter mais utentes, ou seja, para que mais utentes possam sentir que têm ali um espaço para usufruir. Juntamente com isso e já no próximo ano, vamos desenvolver uma pequena biblioteca para que todos tenham um local para ler um livro e consultar qualquer tipo de informação na internet e desta forma potenciar ainda mais o espaço Sénior. Os objetivos passam também pela remodelação e reformulação total da Instituição, pois ainda precisamos de muitas obras.

Por último agradecer a confiança dos pais por nos confiar os filhos, aos funcionários pela dedicação e empenho todos os dias tornando as crianças felizes. Aos colegas da direção, não poderei deixar de demonstrar o meu agrado em continuar a contar com eles neste projeto, visando um projeto de sucesso onde o bem estar das crianças é uma premissa, a elas, Muito Obrigado, sendo elas Sílvia Sousa, Sandra Ferreira, Filipa Oliveira e Daniela Silva.

À minha família, agradeço a paciência e compreensão, pelas inúmeras horas passadas fora de casa em prol das crianças e dos projetos solidários.

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