Francisco José Viegas Lince conta-nos como os romanos já viam que o nosso azeite era diferente dos outros, nas notas existentes – a zona de Alcácer foi outrora a maior zona de olival plantado no país. Encontrámos aqui alguém que mantém a tradição e que tem levado o nome de Portugal e a marca Alcácer do Sal também além-fronteiras.

A história do azeite Manos Lince, remonta a 1980; Francisco foi dando passos cada vez mais certos sempre respeitando a sua ligação com esta terra que adora, e esta tradição de fazer azeite; é um produtor que acompanha tudo, minuciosamente, pois quer sempre garantir o melhor resultado. Os seus clientes são exigentes, e essa exigência é acompanhada pela excelência e riqueza de sabores de um azeite que fala por si ao entrar em contacto com o nosso palato.

De momento, trabalha sozinho, desde a produção de azeitona a laboração desta e embalamento em diversos tipos de embalagem; as azeitonas são de tipologia galega e cobrançosa locais, do concelho, e distritos limitrofes. Utilizando um processo de extração exclusivamente mecânico e a frio conferindo assim um acréscimo na qualidade.

Conhecendo bem o mercado nacional, tentou focar-se mais na região do Sul e com um crescimento sustentável a nível nacional, e também na exportação, sendo que 40 por cento dos seus produtos são exportados – para países como o Brasil, Alemanha, França, Bélgica, Itália e Espanha, países onde se faz representar com frequência em feiras e provas de degustação, sempre que solicitado.

É comum ter o seguinte feedback, nota com humor, por parte dos seus clientes: “vieram-me perguntar outra vez, como é que o meu prato é tão diferente dos outros restaurantes, e nem sabem, que a diferença é o teu azeite!”

Infelizmente, nota que o azeite que é comercializado em Portugal e principalmente nos países que têm menos conhecimento sobre azeite não reflete a qualidade que gostaria de ver no mercado – não é sequer azeite, é azeite misturado com óleos ou só e unicamente outro tipo de óleos (tempero). O azeite oscila bastante de preço e de qualidade a cada ano pois também varia a disponibilidade da azeitona mediante a meteorologia – variações de 40 por cento, provocando uma escassez de produto que se reflete completamente nos preços, influenciando todo o processo de produção.

Já tinha tido alguns reconhecimentos, mas este foi o primeiro no exterior – sem dúvida um prémio à qualidade do azeite Manos Lince. Já tinha muito cuidado na seleção das azeitonas – este reconhecimento da qualidade do seu produto faz com que esteja motivado a uma seleção mais criteriosa nas suas azeitonas, para uma melhoria na qualidade.

“A campanha passada fi-la sozinho; três meses sem dormir muito, foi arregaçar as mangas e fazer o meu azeite!”, relata.

O azeite a ser reconhecido para além dos países mediterrâneos

O que distingue a cozinha mediterrânea pela sua leveza é em parte o uso de azeite como gordura principal, ao invés de se utilizar gorduras pesadas e óleos – que têm sido progressivamente vistos como menos benéficos para a nossa saúde. O azeite tem vindo a ser reconhecido em outros países, como é o caso de Inglaterra que já esta representado em número 2 na tabela alimentar oficial  como a escolha mais favorável e decididamente mais benéfica em vários aspetos – esta pequena grande alteração nos hábitos alimentares dos ingleses, reduz em 30 por cento doenças cardiovasculares, retarda o evelhecimento da pele e reduz o surgimento da doença de alzheimer substancialmente além de desenvolver uma enzima (OLEOCANTHAL E OLEACEIN) que ajuda a evitar e, inclusivé, combater o cancro.

E é neste contexto que Francisco Lince leva o seu azeite a uma competição internacional em Londres, tendo trazido para Portugal, humilde e orgulhosamente, a medalha de bronze na ‘London International Olive Oil Competitions’, onde estiveram representados 384 tipos de azeite para as diversas categorias.

Um dos desafios à produção e à exportação, é que haja tão poucos incentivos, e benesses nas remessas que significariam muito crescimento para o país. Perde-se muito, não motivando de certa forma a que os empresários tenham algum real incentivo à internacionalização.

Um azeite frutado, com um ligeiro amargo na parte inicial – depois nota-se a parte do picante, vai-se agarrando docemente à parte de cima da boca, espalhando-se, e com um agradável final de boca. É um azeite ótimo para quem goste de frutados, bastante complexo, e são estas componentes que o levarão, quiçá, ao ouro na próxima edição da London Olive Oil International Competition.

Só provas de que o que é nacional é que…é excelente!

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