A Portugal Em Destaque visitou o Centro Social Mário Mendes da Costa, IPSS e estivemos à conversa com Joaquim Coimbra, presidente da direcção, e Alexandra Veiga, responsável pela coordenação geral e técnica da instituição. Descobrimos de que forma a organização auxilia a comunidade sénior de Avintes, em Vila Nova de Gaia, pelas respostas sociais do Centro de Convívio de Aldeia Nova, do Centro de Dia 5 de Outubro, e do Serviço de Apoio Domiciliário.

Joaquim Coimbra, foi convidado para dirigente do Centro Social pela direção anterior, cargo que exerce desde janeiro de 2015, onde os desempenhos representam características peculiares, pelo elevado número de preceitos, porque presta contas e é participado pela Segurança Social, estando comprometido com os interesses dos utentes e suas famílias, enquanto participantes, bem como com as colaboradoras.

O cargo de dirigente “não é algo que seja exercido de imediato, com desembaraço”, admitiu, “leva tempo para mergulharmos nos vários processos. Foi indispensável compreender tudo sobre a organização, atravessando as suas funcionalidades, procurando entender o que era genuíno e o equivocado, para assim puder pontuar um caminho de continuidade, acrescentando-lhe valor, continuador dos processos assimilados, contudo renovados, reequacionando os procedimentos diários para os colocar no caminho do interesse dos que servimos e para os quais existimos”. Este foi o processo encontrado pelo actual presidente para os desempenhos exigidos.

O quotidiano deste Centro Social pede uma gerência cuidadosa para servir a todos. Nessa vertente, a instituição disponibiliza três valências: o Centro de Convívio de Aldeia Nova, o Centro de Dia 5 de Outubro e o Serviço de Apoio Domiciliário. Seria importante contar com uma Residência Sénior mas, para já, não é viável, porque os apoios não são claros, a instituição, para além de ter que encontrar um lugar para adaptar ou construir, não tem capacidade financeira que possa cobrir tamanho encargo, sendo por isso uma incerteza. “Pretendíamos uma residênciacom capacidade para duas dúzias de lugares, nesta fase, do nosso ponto de vista, bastando para acomodar boa parte dos problemas existentes na vila. Tínhamos em vista uma casa contígua ao centro de dia, que, reconvertida e ampliada, podia resolver a necessidade imediata de vinte a vinte e quatro lugares”, explicou-nos o presidente. “Esta solução não é, de imediato, possível, pelo que partimos para o objecto de valorizar o edificado utilizado pelas actuais respostas sociais”.

O Centro de Convívio é a resposta social mais antiga, tendo o consentimento da Segurança Social para um total até 50 utentes, não esgotando a capacidade máxima, contando, diariamente, com 25 utentes com “acordo” e mais 25 que não o são, às vezes mais. Este é um lugar de passatempo, como se de uma sala de vivências se tratasse, difere de um Centro de Dia, que tem um horário de permanência, também servindo refeição e tratamento de higiene pessoal, onde se desenvolvem actividades ocupacionais que dinamizem as qualidades e capacidades do utente.

A antiga escola da Aldeia Nova é pertença da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, que a disponibilizou à Junta de Freguesia de Avintes que, por sua vez, a entregou em uso e administração ao Centro Social. Recentemente, utilizando o programa Gaia+Inclusiva, que preconiza várias respostas sociais, a instituição propôs em janeiro de 2016 ao município a valorização do edificado, para os aspectos das acessibilidades, dos estados sanitários e da salubridade, e outra razoabilidade para as condições do conforto individual e colectivo, também da atenção para a preservação geral a partir dos telhados. O projeto foi entregue nos serviços respectivos do município, aguardando uma resposta que traga conforto à iniciativa. Da iniciativa, o edifício podia ter outras vocações, pois, para além dos horários de interesse do Centro Social, o espaço podia ser destinado a outras actividades, podendo ficar disponível para usufruto dos interesses locais comunitários. Neste momento existe entretenimento ocupacional para os mais velhos, mas com outras condições funcionais e de conforto podia ser utilizado para além do horário habitual da resposta social e mesmo nos dias de descanso e feriados, nele realizando exposições, encontros temáticos, reuniões de outras organizações e iniciativas para a formação.

Relativamente ao Serviço de Apoio Domiciliário, o acordo com a SegurançaSocial é válido para 15 utentes, com autorização máxima até 30. A resposta social enfrenta diariamente dificuldades adicionais por ter de realizar serviços em ruas pouco largas, sinuosas e, muitas vezes, de boas pendentes, por vezes com problemas de degradação ocasional dos revestimentos, nas quais é sempre difícil manobrar com as viaturas para chegar perto dos utentes. Também por isso as viaturas têm desgaste rápido nos elementos de contacto com aqueles, mas também de prejuízo físico daquelas, pelos encostos constantes.

“O Centro de Dia funciona nas nossas instalações principais, temos acordo para 30 utentes, embora autorizados até 50. Originalmente foi utilizado para ATL, o pragmatismo ditou que teria mais significado se fosse dedicado aos cidadãos seniores que ainda têm alguma autonomia. Porém, o edifício apresenta alguns constrangimentos para esse tipo de vocação, desde logo pelas acessibilidades: “Temos dois andares e é trabalhoso passar para o de cima, por isso um meio mecânico vertical ajudaria imenso a resolver a relação entre pavimentos. Também desejamos reequacionar os espaços de usos dos utentes – salas de actividades – pela supressão de alguns painéis de paredes, que tornarão os espaços mais generosos e de leitura inclusiva, e melhorar os seus sanitários”.Outro desabafo do dirigente prende-se com a necessidade de renovar parte do parque de viaturas utilizado na recolha, transporte e entrega dos utentes, pois acredita que o serviço prestado é muito importante e essencial a quem ajudam a vencer um outro tempo da sua vida.

Dificuldades à parte, “os mais velhos aqui são felizes, porque lhes damos atenção e o respeito solidário que esperam”, toma a palavra Alexandra Veiga, “no primeiro mês ainda se adaptam, depois criam uma dependência saudável, criando afectos”. A responsável pela coordenação reitera a importância da instituição no dia-a-dia do idoso, uma vez que acrescenta bem-estar ao mesmo, enquanto ou quando a família não pode ou não está presente.

As doze colaboradoras do Centro Social Mário Mendes da Costa são dedicadas e preocupadas com o bem-estar de todos. “Por isso os utentes gostam de estar por cá, sentem-se aconchegados”, acrescentou Alexandra Veiga. Todas são fundamentais e indispensáveis para o bom funcionamento da instituição, uma responsabilidade que compreendem e enfrentam diariamente.

“Acima de tudo interessa-nos dar continuidade ao Legado, garantindo que o muito trabalho dos órgãos sociais anteriores não foi em vão, pois as pessoas contam com a instituição para lhes dar os complementos que necessitam, restando-nos confirmar e prolongar as quatro dezenas de trabalho solidário”.

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