Chás Gorreana - Sara Mota
Chás Gorreana – Sara e Madalena Mota

A Fábrica de Chá Gorreana funciona ininterruptamente desde 1883 e é um marco de referência incontornável na economia e no turismo do arquipélago dos Açores. Sendo uma das duas únicas e a mais antiga fábrica de chá na Europa, hoje é um ponto de paragem obrigatório para que visita a ilha.

130 anos de história

Existimos desde 1863 quando na ilha ainda existia o ciclo da laranja que mais tarde devido a uma doença extingiu-se. Os agricultores da ilha tiveram que pensar numa nova forma de subsistência, numa nova cultura das nossas terras e lembraram-se na plantação de chá. Foram feitas várias experiências, trouxeram dois chineses que lhes ensinaram todos os procedimentos, funcionou e existiam cerca de 16 fábricas de chá em São Miguel”, começa por nos contar Sara Mota, membro da quinta geração da Fábrica Gorreana.

Como a plantação de chá acarreta custos muito elevados o seu bisavô, construiu uma hidroelétrica, o que reduziu significativamente as despesas da fábrica.

As fábricas que não optaram por este tipo de investimento, fecharam portas. Podemos dizer que este decisão visionária por parte do meu bisavô nos ajudou bastante ao longo destes anos”, acrescenta Madalena Mota, uma das proprietárias do Chá Gorreana.

Aposta na qualidade e no turismo

Neste momento a fábrica apenas produz chá verde e preto mas Sara Mota revela que existe um projeto para a junção de ambos, sempre com produtos regionais.

Estamos a trabalhar neste projeto, porque temos que estar sempre a evoluir e acompanhar os tempos. A nossa produção é pequena e temos que nos seguir pela nossa qualidade. Sabemos que esse é o nosso ponto forte para nos conseguirmos diferenciar. Nos processos de produção, apenas utilizamos adubo fertilizante porque de resto não utilizamos pesticídas nem herbicídas. Estamos a trabalhar na certificação biológica porque queremos que os nossos chás continuem o mais naturais possível”.

Considerado um ponto de interesse turístico, aqui os visitantes têm a hipótese de percorrer as diversas secções de transformação das folhas e saboreá-lo numa sala com vista panorâmica.

O meu avô sempre teve o cuidado de ter a nossa fábrica aberta ao público, mesmo quando ainda não se falava em turismo nos Açores. Cada vez mais as pessoas querem ver os nossos métodos de produção, as nossas máquinas antigas e hoje somos um ponto turístico na região”, refere Madalena Mota que acredita que a liberalização do espaço aéreo por parte das companhias low-cost foi decisivo nesta questão.

Anteriormente recebiamos muitos alemães, ingleses e hoje em dia recebemos espanhóis, portugueses, fruto dos preços mais acessíveis pelas companhias low-cost que hoje operam na ilha”, acrescenta.

De março a outubro quem visita a Fábrica Gorreana tem a oportunidade de entrar no século XX, na revolução industrial, e ver os nseus métodos de produção tal e qual como na época.

Queremos manter sempre a tradição mas sempre adaptados à realidade do mercado e às exigências dos nossos clientes. Evoluímos nas nossas máquinas, nomeadamente de empacotamento em saquetas, porque a forma como o chá é feito é ortodoxa e é sempre o mesmo processo. É mais caro mas é a nossa forma de estar no mercado”, revela Madalena Mota.

O futuro da Fábrica Gorreana na perspetiva as nossas entrevistadas passa pelo aumento das vendas em França e Alemanha, mercados de maior escala em termos de exportação.

O melhor chá do mundo é aquele que nos remete à memória da nossa infância, aquele que bebemos desde sempre e o povo alemão já nos conhece há muitos anos daí quererem muito o nosso produto”, concluem.

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