Em Mire de Tibães, a Churrasqueira Martins é já um ponto de referência da gastronomia minhota. Quem lá entra não imagina a história deste negócio familiar, mas encontra o bem servir e a qualidade que estão na génese deste restaurante.

A velhinha mercearia de petiscos tradicionais e bom vinho dá agora lugar a um espaço amplo e renovado. Em 1966, pelas mãos de António Martins e Teresa Pinto surgia um espaço que se tornou num ponto de referência bracarense para bem comer e bem beber.

Maria Jesus Martins, atual proprietária e filha dos fundadores, relata-nos a história. “Desde o início que os meus pais apostavam na qualidade dos petiscos e dos vinhos, o que foi trazendo muitos clientes. Trabalhávamos muito à noite durante o verão e a casa crescia a olhos vistos”, aclara. A excelência do serviço e dos produtos atraía, já naquela altura, jogadores de futebol, advogados, professores e, ao almoço, os operários das fábricas que surgiam nas redondezas.

As exigências tornavam-se cada vez maiores. Já com uma sala e uma cozinha, Maria Jesus saiu da escola com 12 anos para trabalhar e ajudar no negócio da família. Sem saber, começou a cozinhar para centenas de pessoas e envolveu-se na dinâmica do restaurante e na satisfação dos clientes. “Aprendi a fazer arroz e a fazer sobremesa e cozinhar para tanta gente foi um desafio. Não estava preparada e chorei muitas vezes porque não tinha a comida pronta a horas”, revela-nos.

Atualmente, os tempos são outros. Porém, Maria Jesus faz questão de seguir os princípios e ensinamentos que os pais lhe deixaram, mantendo a autenticidade da casa de outrora mas com uma imagem renovada. “Recentemente fizemos novas obras. O espaço é o mesmo, mas reaproveitado de uma outra forma, tornando-se mais agradável e prático para clientes e funcionários. Uma imagem mais moderna que proporciona o conforto que o cliente procura”, esclarece Miguel Oliveira, gerente da Churrasqueira Martins.

Há um cuidado permanente em homenagear e dar continuidade ao legado de António Martins e Teresa Pinto, que se dedicaram ao negócio até ao fim das suas vidas. Maria Jesus admite-nos que o caminho foi, por vezes, atribulado mas o pai “era incansável” e surgia sempre com novas ideias e soluções – como foi com o lançamento do frango de churrasco em que construi o seu próprio aviário e o grelhador que rapidamente se tornou demasiado pequeno para tantos pedidos. “Hoje em dia é impensável fazer o próprio pão, vinho e criar os frangos, mas na altura foram estes pormenores que fizeram a diferença e conquistaram os inúmeros clientes”, assume Miguel Oliveira.

Com 270 lugares divididos por duas salas, a Churrasqueira Martins é uma referência em Mire de Tibães e todos os dias batalha para se manter no topo das preferências. A sua localização privilegiada no caminho em direção ao Mosteiro de Tibães faz com que os turistas visitem também a Churrasqueira. Além disso, muitos são aqueles que chegam pelas mãos de pais e avós que já conhecem o restaurante de outros tempos.

“Tentamos melhorar e inovar em todos os aspetos e por isso sentimos o ritmo de trabalho e crescimento bastante acelerado. Os nossos cozinheiros fazem uma comida simples, mas bem servida em termos de quantidade e qualidade”, asseguram Maria Jesus Martins e Miguel Oliveira.

Ao almoço, o restaurante funciona muito bem, o take away é uma autêntica indústria de frango assado a um ritmo alucinante e à noite trabalham muito bem à carta, sempre com sala cheia. Entre as especialidades, estão o leitão, o bacalhau assado na brasa, o bacalhau à Braga e o naco de carne.

Em perfeita sintonia, a proprietária e o gerente pretendem “continuar a trabalhar com a excelência e a qualidade que caracteriza este espaço há 52 anos e melhorar sempre os serviços, especialmente na gestão dos requisitos simultâneos entre o take away e a sala”. Além disso, brevemente disponibilizarão mais 50 lugares com a instalação de uma esplanada para fazer lembrar os tempos da “velha ramada”. Numa batalha constante, Maria Jesus prepara já os seus filhos para assumirem, mais tarde, a administração da Churrasqueira Martins.

 

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