Há já 10 anos em Portugal, a Designmark Group (DMG) é uma empresa fundada por Marc Kunz, um suíço que se apaixonou pelo Alentejo e que resolveu instalar no Monte das Louzeiras a sua equipa de design. Com projetos ao redor do mundo, dos quais se destacam três hotéis nas Maldivas e um grande complexo turístico em Omã, esta empresa está focada nas novas tecnologias e já nasceu virada para a internacionalização.

A empresa nasceu originalmente na Suíça, terra natal de Marc Kunz, o fundador do projeto. Porém, quando chegou a Portugal, há 14 anos, Marc Kunz deixou-se encantar pelo Alentejo, sobretudo pela zona de Serpa e Vale de Vargo. Foi lá que descobriu um terreno abandonado, que viria a transformar-se no Monte das Louzeiras. “Inicialmente esta casa nem era para funcionar como escritório. Veio a acontecer, porque eu acabei por me fixar aqui e conclui que poderia adaptar determinados espaços a escritórios. Assim, atualmente trabalham aqui cerca de 22 pessoas, todas ligadas à área do design e brand managing”.

Um grupo à escala mundial

O DMG vai muito além de brand managing e design. Esta empresa trabalha nas áreas de arquitetura, design de interiores e exteriores, paisagismo, engenharia, construção de stands, desenvolvimento de marcas e criação e programação de conteúdo interativo. É neste último tópico que se concentra, neste momento, grande parte do trabalho da DMG. “Temos escritórios na Rússia, com cerca de 150 colaboradores, e aí só trabalham pessoas formadas em engenharia de software e design digital de novas tecnologias. Estamos a falar de tecnologias avançadas, como o vídeomaping, a tecnologia 3D, a realidade virtual e holográfica, a tecnologia cinética e simuladores de voo”.

O storytelling, o videomaping e os hologramas são muitos utilizados em museus e em projetos ao ar livre. “A DMG já teve a seu cargo um projeto no Kuwait que é exatamente um parque temático de videomaping. Inclui um conjunto de 15 edifícios, em ponto pequeno, próprios para este tipo de trabalho, onde é programada uma história, que se vai desenrolar ao longo daquele espaço. Cria-se uma história, programa-se e projeta-se a história nos edifícios, incluindo-os na trama”.

Nos museus este tipo de tecnologia também é bastante utilizado. “Estamos a fazer um museu na Arábia Saudita e um centro de exposições que vai incluir salas para concertos, lojas e um espaço exterior muito grande. Aí, esse tipo de tecnologia estará presente em praticamente todas as salas”.

As imobiliárias e as empresas de real estate também são grandes clientes da DMG, pois os hologramas e a tecnologia de realidade virtual e 3D ajudam bastante a perceber os projetos urbanísticos com que estas empresas trabalham, o que facilita quer a apresentação da empresa, quer a perceção, pelo lado do consumidor, do tipo de projeto de que se está a falar.

As tecnologias cinética e de reconhecimento sensorial estão tão avançadas que a empresa de Marc Kunz já conseguiu conceber um restaurante subaquático, onde é possível ir conhecendo as diversas espécies de peixe que por ali passam, apenas através de identificação por sensor. “O sensor dispara sempre que passa um peixe por perto, e automaticamente apresenta alguma informação sobre aquele animal, sem que ninguém tenha que interagir com a janela. Ela é interativa e autónoma”.

É nesta área de negócio que Marc Kunz pretende apostar, cada vez mais, pois é um setor em forte crescimento. “Os mercados da Arábia Saudita e da Rússia são muito fortes, no que toca às novas tecnologias. Foi por isso que nós, enquanto empresa, criámos um escritório em Moscovo, só voltado para a criação e programação das mesmas. Os mercados não europeus estão muito voltados para as novidades tecnológicas e não têm problema em gastar dinheiro nelas. Aqui em Portugal passa-se o oposto, ainda há muita necessidade de justificar um investimento feito nesta área. Na Arábia Saudita, por exemplo, o meu cliente pede-me para desenvolver um projeto que inclua novas tecnologias e não me limita os custos. Pelo contrário, o objetivo dele é impressionar”.

A Europa não é a prioridade

Mercados como os dos países árabes e asiáticos garantem à empresa DMG a possibilidade de crescer e se internacionalizar cada vez mais. “Nunca trabalhei focado no mercado português, porque infelizmente este país não tem mercado para mim. A nossa empresa consegue fornecer um serviço de qualidade, em todas as áreas, desde a conceção, à construção e ao acabamento de um projeto, seja ele arquitetónico, de design ou de branding e só esses mercados nos permitem crescer. Neste momento, temos um projeto em Omã, que inclui um hotel de cinco estrelas, 320 casas, de dois andares, mais 80 casas de um andar apenas e 50 villas. É um projeto de um luxo imenso e é uma honra que o investidor, da Arábia Saudita, só queira trabalhar connosco”.

Além deste projeto em Omã, que demorará dois anos até estar concluído, a empresa tem ainda a cargo a construção de hotéis de luxo em três ilhas das Maldivas. “Para que isso seja possível, deslocamos sempre para o local pessoal da nossa equipa. Temos a sorte de ter uma equipa constituída por pessoas de várias nacionalidades, o que nos permite conhecer e lidar bem com as diferenças existentes nos países onde temos projetos. Trabalhamos com alemães, portugueses, polacos, suíços, russos e essa mistura é muito enriquecedora”.

A diferença está nas pessoas!

Para que o trabalho tenha a qualidade desejada, a DMG procura sempre os melhores profissionais e Marc Kunz reconhece que em Portugal também os há. “O problema de Portugal não está na inexistência de profissionais, está na questão de os melhores terem emigrado. A nível de produção, trabalha-se com muita qualidade, mas é difícil encontrar pessoal qualificado, e com certificados profissionais, para trabalhar nos países árabes, nomeadamente eletricistas, canalizadores, carpinteiros. Nós precisamos de todas essas pessoas, para a nossa área de produção própria, e somos obrigados a trazer esses profissionais de outros países”.

Projetos “chave na mão”

A filosofia da empresa implica entregar o projeto absolutamente concluído, por isso a DMG entrega todos os trabalhos prontos para começar a funcionar. “Fazemos tudo, desde a avaliação do espaço, a conceção do material necessário para efetuar o trabalho, a montagem do espaço e a decoração do mesmo. Tudo é pensado e desenhado para aquele projeto, em específico. Somos perfecionistas a tal ponto que, neste momento, nas Maldivas, estamos a desenvolver um projeto agrícola, visto que naquelas ilhas toda a comida é importada. A nossa ideia é deixar uma construção de estufas e o ensinamento de como cuidar de um terreno agrícola, para que seja possível fornecer aos hotéis comida fresca e de qualidade”.

No que diz respeito à área de arquitetura e paisagem, a DMG já teve a oportunidade de desenvolver projetos bastante interessantes. “Fomos os responsáveis pela construção de um shooting center, na Rússia, um local onde a polícia militar e a população devidamente autorizada vai treinar tiro. No inverno, dada a temperatura muito baixa, não é possível praticar tiro ao ar livre. Este projeto englobou design, landscape e muita tecnologia. É um grande espaço, que também possui lojas e salas para outras atividades”.

A juntar a este projeto, existe o resort Naainfaru e o Hurasfaru, nas Maldivas.

Em relação à área de design de interiores, a principal preocupação da DMG é garantir a perfeita harmonia entre os materiais utilizados, a sua funcionalidade, as formas, o acabamento e a iluminação do espaço. “Em todos os momentos, a nossa forma de trabalhar implica um estudo apertado do local, para podermos corresponder exatamente ao que o cliente pretende. Tivemos, por exemplo, uma empresa de cobre, na Rússia, que redesenhou o seu interior para impressionar os agentes governamentais, de forma a obter autorização para prosseguir na exploração de cobre. O objetivo deles não era vender o cobre, era impressionar com a maleabilidade e usabilidade daquele material. Nós correspondemos às expetativas”. “”

O design é a área deste grande grupo que é desenvolvida em Portugal. Neste momento, a DMG já conta com escritórios em Serpa, no Monte das Louzeiras (edifício sede), e em Lisboa. “No que diz respeito ao design é tudo feito aqui. Por este escritório passam anualmente cerca de 10 milhões de euros e todo o trabalho de design, brand managing e rebranding que é angariado nos diversos pontos do mundo onde temos atividade vem para aqui. Depois, é distribuído pelos nossos profissionais”.

Quando se olha para a equipa de designers com quem Marc Kunz trabalha, só se pode concluir que o ambiente na DMG é fantástico. A alegria e tranquilidade espalhada nos rostos de cada um confirmam o que o fundador do grupo refere. “Os portugueses são profissionais muito comprometidos com as empresas. Na Suíça, por exemplo, independentemente dos projetos que tenham em mãos, as pessoas saem no horário certo. Aqui, os profissionais trabalham até mais tarde mesmo sem que lhes seja pedido. Eles têm noção da responsabilidade que acarreta um projeto de vários milhares ou milhões de euros e empenham-se totalmente”.

O controlo de custos é fundamental numa empresa com a dimensão da DMG, por isso os clientes de Marc Kunz sabem com o que podem contar. “Na verdade, antes de começarmos um trabalho, calculamos muito bem os custos que terá. Os nossos clientes ficam a saber os materiais que serão usados, as tecnologias usadas no projeto, o que será feito por nós, o que virá de outros lugares e os respetivos custos disso. Durante a execução do projeto, garantimos que haja o mínimo de erro e desperdício, para que os custos iniciais sejam assegurados”.

Design e azeite: a combinação perfeita

A nível de prémios, a DMG já venceu alguns, nomeadamente na área do design. O último foi o IF Design Award 2017, na área do Packaging, que a empresa venceu com a embalagem criada para o azeite Monte das Louzeiras. “Este projeto relacionado com o azeite surgiu por acréscimo à compra deste monte. Já aqui existiam oliveiras muito antigas, e eu quis rentabilizar este produto. O azeite do Alentejo está muito bem cotado em todo o mundo, por isso decidi fazer azeite para exportar para os países onde a DMG já estava presente. Tem sido uma aposta que tem valido a pena”.

Neste momento, o Monte das Louzeiras já conta com aproximadamente 100 hectares de olival e começou recentemente a investir na vinha, tendo já cerca de 15 hectares. “O nosso azeite não está à venda em grandes superfícies. É um produto gourmet, que só recentemente começou a ser vendido em Portugal, nomeadamente em algumas lojas de Lisboa, Serpa, Beja, Monsaraz e Algarve. O meu objetivo, como na empresa DMG, nunca foi vender para o mercado interno. Sempre quis exportar. Na verdade, creio que é uma grande dificuldade que existe neste país – exportar os produtos de alta qualidade que possuímos. Lá fora, o mesmo produto rende muito mais. Só precisamos de saber vendê-los ao exterior”.

Para Marc Kunz, a melhor aposta que fez foi ter vindo viver para Portugal. “O facto de estarmos no meio do campo e beneficiarmos de uma enorme tranquilidade, ajuda a inspirarmo-nos. Tenho alguns designers que adoram vir para aqui trabalhar só por causa da calma que este lugar transmite. Além disso, acredito que é importante ajudar a economia e o facto de uma empresa como a DMG estar sediada em Serpa ajuda também ao conhecimento da região e ao desenvolvimento económico da região e do país. Embora o nosso mercado não seja interno, é daqui que saem grandes ideias e concretizações para todos os projetos ao redor do mundo. Imagine tudo o que quiser. Nós somos capazes de concretizar, mesmo que diz respeito ao mundo das novas tecnologias. Sobretudo nesse campo”.

A completar 10 anos desde que chegou a Portugal, a DMG já assinalou a data e prepara-se agora para mais um ciclo vencedor. “Além dos hotéis que temos nas Maldivas, temos outro grande complexo turístico, em Omã, são trabalhos demorados, que nos garantirão que o trabalho da Designmark Group continua a ser reconhecido no mundo inteiro.

É para isso que trabalhamos, todos os dias”.

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