A Fairfruit, multinacional presente em Espanha, França, Suíça, Áustria e Hungria, nasce em Portugal em 2013, atraída pelas oportunidades de negócio originadas pela construção da Barragem do Alqueva, a qual criou o maior reservatório artificial de água da Europa. A disponibilidade de água aliada à qualidade do solo e ao clima, reúne condições apelativas para o core-business do grupo: a produção de fruta de caroço.

A situação económico-financeira de Portugal nessa altura era bem conhecida, porém o grupo não se intimidou, uma vez que “a agricultura sempre foi um setor em crescimento, mesmo com a crise”, explicou João Serrano, CEO em Portugal. Para além disso, “as oportunidades de fundos europeus aqui a serem implantados era algo a aproveitar”.

Assim, em Portugal, a Fairfruit dedica-se maioritariamente à produção de fruta de caroço, cujos pomares são ainda jovens, e de azeite. O grupo é proprietário de cerca de 190 hectares de fruta, 160 de olival e ainda 26 hectares de espargos, os quais fizeram nascer a marca ‘A Bela Portuguesa’. “Temos produtores parceiros que estão a produzir para nós e temos conseguido escoar o produto. Com a nossa consultoria temos à volta de 70 hectares plantados e temos possibilidades de vir a ter 300 ou 400 em parceria com outros agricultores”, expõe o empresário.

De facto, a aposta desta empresa em Portugal tem-se revelado certeira e isso revela-se em números. Apesar de estar a iniciar a sua produção, já há resultados à vista: “a nossa produção deste ano foi de 200 toneladas de azeite e de fruta estamos à espera entre 700 e mil toneladas. Este ano vamos embalar pela primeira vez a fruta, porque já vamos ter uma produção muito maior que justifique isso mesmo. Começamos a plantar em janeiro de 2016. Em maio de 2017 foi a primeira produção e agora haverá outra em maio de 2018”, declara João Serrano.

Azeite de qualidade superior

Das azeitonas produzidas pela Fairfruit resulta um azeite de qualidade superior, posicionado numa gama média-alta. A marca, denominada O’zeite, tem a assinatura do chef Henrique Sá Pessoa, o qual também expõe esta gama num dos seus restaurantes.

O mercado francês é um ponto de venda significativo da produção portuguesa de azeite. O produto oriundo de Portugal tem uma aceitação muito elevada nesse e noutros mercados internacionais. Aliás, o CEO em Portugal assegura que os compradores preferem o que é português em relação ao que vem de outros países. “Esse é o feedback que temos das feiras internacionais que fazemos: toda a gente quer produto português”. De 2016 para 2017 as vendas triplicaram.

Fábrica de transformação de fruta

Está em projeto uma nova fábrica na região de Beja, a qual consiste num investimento de alguns milhões de euros por parte da Fairfruit. “Serve para deixar valor acrescentado aqui na zona”, divulga João Serrano, “em termos logísticos é preciso frio e embalamento perto dos locais de produção e é nisso que consiste o investimento, uma nova fábrica, desta forma a fruta não perde qualidade”.

Apesar de existirem noutros países europeus fábricas de embalamento de fruta em fresco, este projeto tem uma particularidade única: “vamos desidratar fruta, congelar e fazer corte e embalamento em atmosfera controlada. Esta é uma fábrica de transformação de fruta”, algo que não existe em mais nenhum país europeu que recebe fábricas do grupo da Fairfruit.

A barragem do Alqueva abriu portas a um mundo de possibilidades, diversificando as culturas e dinamizando a economia local. Nesse aspeto, a Fairfruit dá um relevante contributo.

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