Desde cedo que aprendeu a lição sozinho. Viu o negócio nascer, viu a qualidade crescer e viu-se a enfrentar e a superar as facilidades e as dificuldades que a vida lhe pôs. Fernando Serdeira é o proprietário da F.S Frutas que começou do zero a manobrar os citrinos.

 

De Moçambique diretamente para Portugal, Fernando Serdeira desbravou terreno à procura de um negócio. Foi há 30 anos que abriu a empresa F.S Frutas dedicada exclusivamente à cultura de citrinos, nomeadamente laranjas, limões e tangerinas.

Juntamente com outras produções, o proprietário também cultiva citrinos e neste momento conta já com 80 hectares. “Faço o arrendamento de árvores. O que eu cultivo e o que arrendo é tudo canalizado para aqui e, posteriormente, transformado e depois segue para os mercados”.

É no armazém que tudo acontece. Com 15 colaboradores efetivos e três na apanha da fruta, faz-se a limpeza, a seleção do produto, o embalamento e, do armazém, segue para o mercado.

A média de produção anual de laranjas varia de ano para ano. “Em termos de faturação ronda os dois milhões de euros”, mas diariamente saem da empresa cerca de 12 toneladas de fruta.

Apesar de ser muito procurado por outros mercados, a empresa está vocacionada, essencialmente, para Lisboa, Coimbra e Porto e também para Espanha.

A qualidade do produto e a a forte ligação com os clientes fazem da F.S Frutas uma empresa que procura a fidelização. “É quase uma família, daí não mudar para mais nenhum cliente”, sublinha. É por isso que em Portugal tem dois grandes clientes no Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL):  fruticril e frutas asthari e no Porto Alexandre Soares. Já no mercado espanhol conta com Florez, o principal cliente. “Tudo o que tiver de fazer em Espanha é para ele”, refere.

Pelas palavras do produtor, a grande diferenciação em relação a outros produtores é o facto de estarem localizados no Algarve, nunca esquecendo o “bom trato. Saber tratar, saber cultivar, saber selecionar. Acho que isso tem muita influência. E depois, por excelência, o sol do Algarve, que é o que destaca aqui a qualidade. Em termos de citrinos não temos mais nenhum lugar em Portugal e mesmo na Europa como o Algarve”, assinala.

 

Fernando Serdeira vê com bons olhos este setor. “Encaro bem. Acho que hoje no Algarve é um dos setores que tem mais futuro. O trabalho em citrinos está para ficar e isso será para os futuros vendedores trabalharem esta cultura. Embora haja um aumento do cultivo de frutos vermelhos e abacate, “que também estão por excelência no Algarve”, explica.

Mas os problemas nesta área existem e têm acompanhado a região algarvia. “A maior dificuldade que nós temos é a mão de obra. Não temos mão de obra nacional para este tipo de trabalhos. E alguma que aparece, no caso da imigração, não é qualificada, mas é por essa via que temos de ir”.

Em relação aos prémios PME Excelência, atribuídos pelo IAPMEI em conjunto com o Turismo de Portugal, o produtor encara este reconhecimento com um sorriso. “O banco apresentou-me esse prémio, sinal de que sou um bom cliente, que o meu trabalho é bom e em termos financeiros também. Não estava à espera, mas foi bom”, afirma.

Um dos sonhos de Fernando Serdeira para o futuro da empresa era ver o negócio brilhar como tem acontecido até aqui. “Enquanto tiver forças irem continuar com a empresa. Um dia irei fechar atividade por não ter seguidores. Até lá irei trabalhar com a mesma dedicação”, conclui.

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