Quando folheamos um livro ou uma revista somos invadidos pelo conhecimento, pela história e pelo cheiro e toque do papel. Porém, nem sempre nos lembramos da forma como o objeto chega até nós e muito menos das máquinas gráficas que o produzem. A Graforio dedica-se exatamente a isso: à reconstrução, venda e assistência de equipamentos que preservam tradições. Em entrevista à Portugal em Destaque, Ricardo Santos fala-nos desta atividade, situada na Zona Industrial de Rio Maior, e do seu cariz familiar na apresentação das melhores soluções ao cliente.

A Graforio está no mercado há mais de 20 anos. Conte-nos um pouco da história da sua fundação.

Esta é uma empresa familiar que nasceu em 1994 através do meu pai, Mário Bernardino Santos. Começou a trabalhar neste setor ainda muito jovem, teve uma gráfica própria entre os anos 70 e 80. Em 1987 iniciou-se noutra vertente: começou a vender equipamento e a reconstruir algumas máquinas. Aos poucos a gráfica transformou-se no negócio que temos hoje, na Graforio. Além do gosto pela área, tinha algum conhecimento técnico e interesse pela mecânica e funcionamento das máquinas. Dedicou-se assim à venda do equipamento, que é um dos focos principais da Graforio. Além da venda, fazemos a reconstrução de máquinas gráficas e damos assistência técnica.

Quais os principais produtos e serviços da Graforio? Estamos a falar de que tipo de equipamentos?

Trabalhamos com vários tipos de equipamentos, como a impressão OFFSET, de pequeno, médio e grande formato. Nas máquinas de acabamento, lidamos com guilhotinas, máquinas de dobrar, plastificar, corte e vinco, colagem e estampagem a quente. Temos uma vasta gama de máquinas de acabamento. Já no segmento das peças, temos um armazém com um alargado stock de peças que a maioria das empresas da área não tem disponível como chapas, garras, barras de aperto, facas e réguas para guilhotinas, ventosas, rodas de corte, vinco e picote e arame em aço. Ou seja, peças de substituição para as máquinas e reparamos na nossa oficina. Utilizamos transportes próprios como empilhadores e camiões, garantindo um serviço completo de forma autónoma. Responsabilizamo-nos por todo o processo, do início ao fim, desde o arranjo ou reconstrução até ao serviço pós-venda.

O que tem maior expressão no volume de negócios?

Em termos de produção e procura são as máquinas de impressão OFFSET. São as mais procuradas a par das máquinas de acabamento, na ordem dos 50 por cento, ou seja, tem existido um equilíbrio na procura. As de acabamento têm uma amplitude maior, existem vários tipos de equipamento consoante a função e o fim desejado.

As gráficas são o vosso principal cliente … Onde está presente a Graforio?

Sim, claramente. Até porque falamos de produtos essenciais no exercício da sua atividade. Fazemos exportação de alguns equipamentos para países como a Índia, Nigéria e Paquistão. Neste momento fazemos pouca exportação mas estamos sempre disponíveis quando somos solicitados e para qualquer país ou continente. Contudo, neste momento, estamos mais concentrados nas vendas a nível nacional e nos nossos prestigiados clientes. Estamos presentes um pouco por todo o país e dado o volume de trabalho que temos tido, privilegiamos a zona centro. Prestamos assistência técnica nas áreas mais próximas devido a uma questão de logística. Concentramo-nos mais na zona centro que é onde temos o maior número de clientes, sem nunca esquecer os clientes do norte e do sul. Todos são importantes e podem contar com o nosso apoio para resolver qualquer questão ou problema em determinada máquina.

Para assegurarem um serviço tão completo como este, contam com algumas parcerias e representações?

Trabalhamos com determinadas marcas e não queremos alargar a gama para outro tipo de marcas. Consideramos que para fazer bem temos que ter um conhecimento total e concentrarmo-nos apenas numa marca. Temos algumas representações de equipamento novo e trabalhamos com máquinas usadas das duas maiores marcas a nível mundial: a Heidelberg e a Komori. Prestamos apoio técnico porque é o equipamento que temos maior conhecimento e a certeza de que vamos fazer um trabalho seguro e responsável.

Acreditam que a Graforio é já uma referência na área?

Sim, somos a nível nacional porque existem cada vez menos empresas dedicadas a este setor das máquinas gráficas. Acredito que no mercado europeu também já reconhecem os nossos produtos e serviços, temos alguma reputação mundial.

O que distingue a Graforio?

Sem dúvida, a forma como reconstruimos a máquina e o serviço que prestamos aos nossos clientes. É uma reconstrução que já poucas empresas no mundo fazem. Há uns anos atrás era o mais comum mas o mercado mudou e tivemos que fazer algumas adaptações. Neste momento, o serviço que fazemos é uma reconstrução total, cuidada e rigorosa que reflete a qualidade do nosso trabalho e a reputação que temos ganho ao longo dos anos. É um serviço bem feito, minucioso, específico e ainda damos um ano de garantia às máquinas que vendemos. Privilegiamos a tecnologia, tentamos acompanhar todas as evoluções do mercado porque o desenvolvimento e a inovação são essenciais. Porém, num trabalho tão específico como este, a experiência dos colaboradores ocupa um lugar de destaque. A maior formação é a experiência!

Contudo, uma vez que é uma área tão específica, nem sempre é fácil contratar pessoal qualificado …

É complicado, não só a nível de operadores que trabalham nas gráficas e operam as máquinas mas também a nível técnico. Há uma grande lacuna e cada vez sentimos mais que não existem técnicos especializados. Alguns sabem mexer e conhecem o equipamento mas não têm as qualificações necessárias para garantir o serviço completo. O ideal era que fosse criada uma escola de formação profissional, específica nesta área, porque as artes gráficas estão a sofrer graves problemas pela falta de mão de obra. Neste momento, também as gráficas estão a ter problemas em contratar operadores porque não existem pessoas que saibam trabalhar com determinados equipamentos. Nós notamos isso nos equipamentos que vendemos e instalamos nas gráficas e os operadores não correspondem. Há vários pormenores do equipamento e a componente técnica da impressão que só podem ser assegurados por um operador especializado que esteja à altura de todas as especificidades e à inovação técnica associada.

Por quantas pessoas é constituída a equipa da Graforio?

Neste momento somos 14 funcionários. Depois trabalhamos em parceria com outros três técnicos que fazem alguns serviços como mecânicos Heidelberg e Komori e na parte eletrónica. Os nossos técnicos asseguram a assistência, nomeadamente os meus irmãos. Além de mim, os meus três irmãos (Nuno Santos, Hugo Santos e Filipe Santos) trabalham na empresa.

Quais as mais-valias desta PME Líder?

Essencialmente, aquilo que nos distingue é a honestidade, é o ponto principal. A forma como trabalhamos e o bom serviço que prestamos aos nossos clientes acaba por nos distinguir. O tratamento que damos às máquinas é excelente e sermos distinguidos como PME Líder é sempre uma mais-valia e sinal de reconhecimento do nosso trabalho e da forma como o executamos. Ficamos muito satisfeitos e é fruto do nosso esforço em servir bem e cada vez melhor o cliente, numa base de satisfação e confiança.

Por onde passa o futuro da Graforio?

Temos já alguns projetos, sendo que o principal será conseguir uma representação de uma nova marca de equipamentos. Creio que essa representação nos vai dar um grande empurrão em direção ao crescimento. A nossa ambição é crescer a vários níveis e apresentar melhores soluções para corresponder às necessidades existentes. Se existir oportunidade, gostaríamos de exportar para outros mercados e aproveitar todas as potencialidades.

 

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