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Presidente da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários

Ao abrigo do Acordo de Parceria com a UE, Portugal terá à sua disposição cerca de 25 mil milhões de euros em fundos comunitários, durante os próximos seis anos. Tão significativo envelope financeiro deve ser estrategicamente gerido, sob pena de se esfumar em investimentos sem retorno efetivo para o país. Não podemos esquecer os erros do passado nem menorizar o desenvolvimento que, nestes 25 anos, Portugal conheceu graças ao dinheiro vindo de Bruxelas, designadamente ao nível das acessibilidades, das infraestruturas básicas, do parque habitacional e do sistema educativo, científico e tecnológico.
Por ora, deve louvar-se os quatro eixos de investimento do Portugal 2020: competitividade e internacionalização; capital humano; inclusão social e emprego; sustentabilidade e eficiência no uso dos recursos. Trata-se de áreas prioritárias para Portugal, uma vez que o país já não carece de infraestruturas mas necessita de um tecido empresarial mais competitivo, inovador, produtivo e capaz de criar emprego.
Importa apoiar fortemente as PME, pois estas representam 99,8% do tecido empresarial português e 79,2% do emprego. Logo, são essenciais ao crescimento económico, à integração profissional e à competitividade internacional. Acresce que o tecido empresarial português ainda se debate com problemas de liquidez e dificuldades de financiamento, em particular junto da banca. Neste sentido, há que encontrar fontes de financiamento alternativas ao crédito bancário, aproveitando o novo ciclo de fundos comunitários.
O Portugal 2020 é também uma oportunidade para evoluir de um modelo económico baseado no consumo interno para um modelo económico assente nas exportações, no investimento produtivo, na internacionalização e no empreendedorismo. Com este modelo será possível aumentar a produção de bens transacionáveis de forma, por um lado, a abastecer o mercado doméstico e consequentemente a reduzir as importações e, por outro, a promover o crescimento das exportações e dos seus recursos endógenos incorporados. Mais: os nossos bens e serviços podem, com este modelo, reforçar a sua competitividade internacional a partir dos fatores críticos da economia do conhecimento: inovação, ciência, tecnologia e criatividade.
Aliás, avolumam-se os sinais de uma alteração estrutural do tecido económico português, como parecem demonstrar os excedentes externos positivos e crescentes. No espaço de 20 anos, as vendas ao exterior subiram de 22% para quase 42% do PIB. E, segundo as previsões oficiais, o saldo da balança corrente e de capital prosseguirá a tendência positiva nos próximos anos. De resto, até 2016, as exportações vão contribuir para o crescimento do PIB em cerca de um ponto percentual ao ano.
Importa, agora, que o país não abrande o seu esforço de mudança de paradigma, sob o pretexto de que o pior já passou e de que rapidamente regressaremos à situação anterior à crise. Portugal não pode replicar o modelo económico da última década, pois isso significaria malbaratar os progressos já alcançados no processo de ajustamento e a notável capacidade de resistência demonstrada pelos portugueses. Para o futuro, é necessário algo diferente e para isso temos de insistir no trinómio consolidação orçamental, investimento produtivo e empreendedorismo inovador.

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