Bruçó, uma freguesia de pedra, terra e serra, com muita história, cultura e natureza para descobrir. Quem por aqui passa, não pode perder os trilhos pedestres desta freguesia tipicamente rural que nos convida a um passeio pelo passado.

 

Reza a lenda (e a memória), que foi numa batalha sangrenta entre cristãos e mouros que cresceram as ruínas de um castro que ficou conhecido como o Castelo dos Mouros. Foi em preparação de terrenos para vinha que se descobriram ossadas humanas e uma espada com guarda-mão e punho de ferro, que reforçaram a crença na grande batalha.

As origens do nome Bruçó perdem-se nas memórias seculares dos historiares que expõem uma série de soluções de um topónimo original. Hipoteticamente, advém de Braçó, diminutivo de braço, um termo popular aplicado à vegetação ou, então, Braceosa, um vocábulo de origem pré-românica.

O foral da vila de Bemposta, datado de 1512, foi a primeira referência escrita a Bruçó. Os caminhos que levam a Santiago são um dos percursos que fazem o turismo desta freguesia. Que o diga João Possacos, presidente da Junta de Freguesia de Bruçó: “temos três percursos pedestres. Foram candidatados e aprovados com a ajuda da Câmara Municipal. Dois percursos são locais. Um d’ ‘A fraga do Sapato’, que inclui um miradouro  e vários pontos de observação e o do antigo Quartel da Guarda Fiscal que dá para a barragem de Aldeiadávila,  Espanha. Tanto um como o outro poderemos concluir que são zonas bastantes bonitas”, com vários pontos de interesse turístico. O terceiro percurso pedestre, chamada a grande rota, tem o seu início em Miranda do Douro, atravessa a nossa aldeia e segue pela zona do PNDI até Freixo de Espada à Cinta, terminando no concelho de Moncorvo.

Também a visitar, a nível religioso, são a igreja, matriz de Nossa Senhora da Assunção, a Capela do Divino Santo Cristo, que é utilizada como capela mortuária, Capela de São Sebastião e a Capela de Santa Bárbara. Daqui, sucedem duas festas: a de Pentecostes (celebrado 50 dias depois do domingo de Páscoa) e a de Santa Bárbara (realizada em meados de agosto).

Além destas atrações, o presidente ainda destaca os mascarados: “temos quatro mascarados que são chamados ‘Os Velhos’ que ainda vamos preservando. Estes mascarados são quatro jovens, vestidos no dia de Natal, ‘O Velho, a Velha, o Soldado e a Sécia’, que vão pedindo esmola de porta em porta e divertindo as pessoas que os vão acompanhando, já que nesse dia só quem não pode andar é que não sai à rua para os acompanhar. O conteúdo do peditório reverte a favor de uma pequena festa realizada no dia um de janeiro. Já estivemos em França, vamos muitas vezes a Espanha e temos estado sempre presentes no encontro ibérico em Lisboa, que é feito normalmente por maio. Nestas saídas normalmente fazemo-nos acompanhar pelo chocalheiro, (outro jovem mascarado) que neste momento já não é costume vestir-se pela altura do Natal”.

Bruçó é uma freguesia bastante extensa onde a predomina a agricultura e a pastorícia e faz parte do Parque Natural do Douro Internacional. Apesar das belas paisagens cativantes, João Possacos revela que o parque é um entrave para os residentes estenderem a atividade: “deveria haver uma maior aproximação entre o parque e as pessoas da aldeia. Há uma certa desconfiança em relação ao parque, então em questão de apoio à agricultura e imóveis é uma situação que eles não deixam fazer fora da zona de construção e isso é um entrave para quem quer desenvolver a agricultura. A nossa agricultura baseia-se no azeite, na castanha, na amêndoa, vinha e depois há a mini agricultura que cada um trabalha, ou seja, batatas, hortaliça, fruta…as pessoas vivem mais ou menos, mas cada vez mais, sentimos o problema da desertificação à semelhança da maior parte das zonas rurais do interior”.

A nível social, o apoio aos idosos é a preocupação: “temos um lar de terceira idade, que funciona tanto de dia como de noite, que está cheio. Há muitas pessoas, que precisam de uma palavra amiga e têm necessidade de ser acompanhadas e isso é essencial para o seu bem-estar. Muitas das vezes basta conversar com as pessoas, para elas se sentirem melhor mais à vontade, com outro ânimo”.

No entanto, o presidente João Possacos reforça que ainda há coisas por fazer. Para o futuro, fica a esperança de “um centro de convívio” de forma a conseguir juntar toda a população num só local. A convicção é certa: “temos já o projeto e estamos à espera, pretendia e tenho já a promessa de cumprir esse objetivo”.

Com uma aldeia bem recuperada a sobrevivência passa pelo turismo. “As pessoas deviam experimentar vir até aqui, é uma aldeia transmontana muito acolhedora. A aldeia em si está bem situada, tem espaços lindíssimos e as pessoas são simpáticas. Venham-nos conhecer!”, termina o presidente da Junta de Freguesia.

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