Ourém é reconhecido como um Município próspero e moderno.

O meu executivo procura fazer tudo o que estiver ao seu alcance para transformar Ourém numa terra conhecida e desejada pelos empreendedores, um local onde as empresas se sintam compreendidas e apoiadas. Isso implica que teremos de ser exigentes e rigorosos, porque Ourém é uma terra nobre, uma terra que sabe o que vale. O concelho de Ourém foi bafejado por esse extraordinário fenómeno de fé chamado Fátima e somos nós os anfitriões das maiores multidões de crentes, que Portugal acolhe e o mundo inteiro reconhece. Constitui prioridade do Município promover melhorias nas infraestruturas em todas as freguesias que delas necessitem, propiciando condições de desenvolvimento humano equilibrado em todo o concelho e assim, a fixação das populações nas suas terras é determinante nas nossas decisões, porque não queremos um concelho que seja um arquipélago de pequenos desertos ligados por boas estradas.

Duas cidades, quatro vilas e 13 freguesias compõem o Município de Ourém. Falamos de um concelho diversificado?

O nosso maior desafio é transformar os projetos importantes em obrigações urgentes e não deixarmos que as urgências se imponham como programa político. A atenção às pessoas constitui um fator relevante na decisão política municipal e, para isso, estamos atentos à palavra e aos conselhos das juntas de freguesia e dos deputados municipais. Ourém está no centro geográfico de Portugal e queremos que ganhe também um lugar central político e na economia portuguesa. No campo económico privilegiamos a finalização dos instrumentos de planeamento, concluindo a revisão do PDM, e instaurando princípios de certeza e nessa linha, a requalificação, modernização e ampliação das zonas industriais constitui o primeiro passo no âmbito de uma enormíssima e muito difícil batalha pela captação de investimentos e instalação de empresas. Sempre afirmámos que é nossa convicção que só com mais emprego teremos mais habitantes e esse é um dos princípios fundamentais do nosso projeto. Não é por acaso que o Município de Ourém, em estreita colaboração com o mundo empresarial tem em curso um processo de criação de Startups, que se espera venha a merecer grande acolhimento às escalas local e regional.

 

No que concerne a apoios e incentivos por parte do município, que programas merecem destaque?

Queremos transformar Ourém numa terra conhecida e desejada pelos empreendedores, um local onde as empresas se sintam com- preendidas e apoiadas. Ourém é um município vasto, com assimetrias muito acentuadas e com situações bem distintas umas das outras. Uma parte sul, mais desenvolvida por força do turismo, religioso, histórico e patrimonial e do emprego que existe na zona de Fátima e é obviamente uma zona mais desenvolvida, em contraponto com uma zona norte não tão desenvolvida. Obviamente que esta assimetria que se regista num concelho com mais de 400 km2, nos causa alguns problemas em termos de consolidação de infraestruturas. É uma situação que nos preocupa e que tentaremos ultrapassar. Se a parte sul está mais vocacionada para o turismo, a parte norte tem que estar mais vocacionada para o meio empresarial, pois todos sabemos que existem ali muitas empresas, mas que necessitam de ser apoiadas. Estamos a implementar um serviço, que terá como objetivo, não só que os empresários tenham um interlocutor na Câmara Municipal, que possibilitará saber quem o recebe, atende, ou que o encaminha e a quem se deve dirigir, assim como contribuirá para desburocratizar alguma da documentação. Trata-se de uma medida que o Município assume como grande prioridade no contexto do apoio às empresas e ao empreendedorismo local e que se traduz na implementação de um ‘Espaço Empresa’. Este espaço vai trabalhar em estreita articulação com os diferentes serviços da Câmara Municipal e terá um conjunto de parceiros tais como o IAPMEI, AMA e AICEP Portugal Global.  Este projeto visa desenvolver um novo modelo de atendimento empresarial centrado nos interesses e necessidades do empresário, concentrando as respostas às empresas num ponto único de contacto e facilitando o acesso à informação e a interação com a administração pública central e local, promovendo assim a competitividade e a internacionalização da economia local, além de potenciar recursos e competências para impulsionar a criação de emprego. Ainda neste âmbito estabelecemos um protocolo com a Junta de Freguesia de Urqueira, para elaboração de um projeto de loteamento que permita dinamizar a Zona Industrial de Chã (Caxarias). Está também delineado melhorar o acesso e a sinalização da zona industrial de Casal dos Frades (Ourém),  nomeadamente em relação à acessibilidade proporcionada pelo IC 9.

Falar de Ourém é também falar da Vila Medieval, uma referência do concelho. Como tem corrido essa aposta?

A Vila Medieval de Ourém é uma das joias da coroa do nosso Município e terei de realçar a recente apresentação pública do projeto de reabilitação do castelo e paço dos condes de Ourém, que resultou de um rigoroso processo de pesquisa, diagnóstico e delineação de programa de intervenção. Nessa oportunidade, foram apresentadas as obras de reabilitação do castelo e paço dos condes, vários estudos e caraterizações, em diversas áreas, bem como a adaptação de alguns setores para espaços museológicos. Os investimentos na Vila Medieval cifram-se em 2,5 M€, dedicados à requalificação da zona histórica de Ourém. Mas a Vila Medieval de Ourém possui outros motivos de atração como a Via Sacra ao vivo, tendo este ano a Vila Medieval recebido a 20ª edição, na tarde de Sexta-feira Santa, uma recriação que todos os anos atrai muito público, de todo o País. A tradição cumpriu-se com as ruas históricas da Vila Medieval de Ourém a tornarem-se palco das últimas passagens da vida terrena de Jesus Cristo, numa encenação que envolveu cerca de 100 atores e figurantes locais.

Mas Ourém é também religião, uma importante componente na área turística. Como é que o Município de Ourém lida com essa realidade?

Fátima é um instrumento de promoção de Portugal e também um símbolo como um país tolerante, aberto a todos, ecuménico e isso é um sinal político, que consegue ligar continentes e mostrar-se aberto ao mundo. É nessa linha de atuação que a Câmara Municipal de Ourém se envolve na realização de eventos marcantes na esfera do turismo religioso, como é o caso dos workshops temáticos, eventos que têm por objetivo promover uma bolsa de contactos de negócios entre os participantes, promover internacionalmente Portugal enquanto destino privilegiado de turismo religioso e reforçar a importância do turismo religioso no contexto do setor turístico mundial. Estas ações registam a presença regular e participada de operadores com interesse e experiência na temática dobturismo religioso e, como é natural, vários operadores turísticos internacionais e nacionais, empresários do setor turístico e hoteleiro, líderes de opinião e outros profissionais do trade. O setor do turismo religioso movimenta diariamente 3,2 mil milhões de dólares (dados da OMT) e Fátima registou em 2017 a cifra considerável de 9 milhões de visitas, um aumento considerável de peregrinos. Impõe-se, porém, melhorar as acessibilidades em Fátima o que obriga a um comprometimento e envolvimento acrescido do poder central nas políticas de promoção do turismo religioso, pois o município isoladamente não tem capacidade para concretizar esse objetivo. No contexto das iniciativas promocionais de Fátima e dos seus Caminhos, o Município de Ourém aderiu ao projeto ‘Rota das Carmelitas’, percurso a pé proposto aos peregrinos entre o Convento das Carmelitas, em Coimbra (local onde viveu a irmã Lúcia), e o Santuário de Fátima. Em Ourém o traçado terá a distância de 35,3 km com início na Vila de Freixianda. Este projeto tem subjacente a proposta de proporcionar aos peregrinos a visita a locais de imenso valor patrimonial, arquitetónico, histórico e cultural e no Município de Ourém esses locais são engrandecidos com a particularidade da forte ligação às aparições de Fátima, que se estendem em vários pontos do trajeto, mesmo antes de se chegar a Fátima. Na sede do Município o antigo Hospital de Santo Agostinho (onde foi cuidada a Beata Jacinta), o antigo edifício dos Paços do Concelho, a Casa do Administrador e o memorial no cemitério de Ourém onde repousou o corpo de Jacinta Marto, são disso exemplo. A Rota das Carmelitas está inserida num projeto diferenciador e inovador, na medida em que pretende associar a espiritualidade com espaços naturais ou patrimoniais, associado a um conceito que distinga esta rota das demais, pelos ganhos evidentes resultantes da passagem por lugares de elevado interesse patrimonial, natural e cultural.

Qual o futuro do Município de Ourém?

Acreditamos que o futuro está nas gerações mais novas e também nesse particular o Município de Ourém quer estar na linha da frente estando já a desenvolver um programa de apoio à natalidade, que visa auxiliar os casais jovens a fixarem-se no nosso espaço territorial e dessa forma incrementar a população oureense. Considerando o  envelhecimento populacional e a baixa taxa de natalidade registados nas últimas décadas, designadamente desde 1960 e o consequente impacto na inversão da pirâmide geracional, designadamente no território norte do concelho, com consequências negativas no desenvolvimento deste território e sabendo-se que as atuais tendências  demográficas e as previstas para as décadas vindouras, se traduzem num decréscimo significativo da taxa de natalidade, parece-me fazer sentido implementar medidas especificamente direcionadas para as famílias, criando incentivos adicionais que ajudem a contrariar esta realidade.

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