Pedro Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, esteve à conversa com a revista Portugal em Destaque para contar como a política surge na sua vida e quais são os seus planos para o concelho de Torres Novas.

Ligado às suas raízes, o atual presidente conta que desde novo sempre teve uma posição proativa na sua região. Começou a vida associativa nos escuteiros, mas para além de vestir a capa de explorador de lenço branco e verde vestiu também muitos outros símbolos da região. “Aí comecei a ter o espírito de viver Torres Novas”, afirma.

A um passo da Presidência

Frequentou o curso comercial da Escola Comercial e Industrial de Torres Novas e licenciou-se em Ciências Sociais começando aí o seu sonho de “trabalhar para e com os outros”. No âmbito desta paixão, em 1977 cria o Centro de Reabilitação e Integração Torrejano (CRIT) destinado a ajudar crianças e jovens com incapacidades físicas e financeiras. Desvenda ainda que esta iniciativa foi o que permitiu que conhecesse cada canto e recanto do concelho e desse a conhecer as suas ambições e sonhos a cada pessoa que com ele se cruzou.

A oportunidade não tardou a aparecer e foi em 1993 que António Rodrigues se candidatou à presidência da Câmara Municipal de Torres Novas tendo como braço direito Pedro Ferreira. De vice-presidente a presidente foram apenas alguns anos visto que “quando o presidente já não se podia candidatar novamente eu avancei e ganhei”, conta. Atualmente já conta com um mandato terminado e avança a todo o gás no segundo mandato para tentar corresponder às expectativas dos que o apoiaram.

A indústria, a agricultura e os serviços

Os tempos vão mudando e se outrora eram a indústria do papel, dos tecidos e da metalurgia que constituíam as bases do concelho, hoje, a história é bem diferente. A área da logística cresceu significativamente, com a chegada de muitas marcas que instalaram as suas plataformas logísticas no concelho. Pedro Ferreira realça ainda outras indústrias, enquanto pilares económicos da região, como, a título de exemplo a “Renova” e a Digidelta, esta com grande expressão mundial na produção de painéis eletrónicos ou a AGROMAIS no campo agrícola.

Porém, não foi apenas na indústria que o concelho se destacou. “Fomos grandes na produção vinícola, mas após problemas tivemos de reformular a produção e apostar no figueiral em vez da vinha”, explica. Foi através dessa mudança que o figueiral se desenvolveu e se tornou o ganha-pão de muitos produtores. De tal forma aceite por todos, veio trazer a designação de “Capital dos Frutos Secos”, nome esse registado pela então Associação Nacional dos Produtores de Frutos Secos e Passados e hoje património imaterial do município. “O nosso rei é o figo que é único a nível nacional. O figo preto utilizado muito em Espanha e Portugal na produção de chocolates, água-ardente e licores”. Apesar das diversas mudanças existentes a Feira Nacional dos Frutos Secos nunca deixou de se realizar desde a primeira edição em 1986. “Quando os produtores começaram a não conseguir aguentar financeiramente a produção, as suas famílias mantiveram o figueiral por tradição e continuaram a produção. As figueiras podem não corresponder ainda ao tecnicamente desejável para um mercado mais ambicioso, mas a tradição manda que a feira se realize e que todos mostrem os seus produtos, também aos familiares e amigos que visitam as suas casas. É uma questão de honrosa tradição”. Aliada a estas tradições há jovens que têm vindo a desenvolver novas iniciativas para levar esta produção além-fronteiras, como uma recente candidatura aos fundos comunitários designada por GOFIGO. O azeite é outro dos potenciais agrícolas do concelho e como foi referido por diversas vezes pelo “Chefe Silva” é o melhor do mundo…

Hoje a produção vinícola está a regressar com nova tecnologia com os mais jovens no comando e já com vinhos medalhados a nível nacional e internacional incluindo o vinho biológico.

Bem apetrechado com serviços o concelho conta com estação dos correios, tribunal, serviços de saúde incluindo um hospital integrado no Centro Hospitalar do Médio Tejo, PSP e GNR, conservatório de música, Escola Profissional, escola de polícia e ainda um polo de educação agregado ao Politécnico de Tomar. De destacar também o facto de se localizar em Torres Novas a sede do NERSANT.

As grandes mais-valias do concelho

É na localização privilegiada que está uma das maiores virtudes do concelho: “somos a porta norte para Lisboa e o quilómetro zero para a Europa”. Torres Novas ganhou um papel importante na criação de lares e centros de dia, também para servir os familiares idosos dos novos lisboetas e com as novas indústrias passou a ser também um importante ponto de passagem. Agora, o maior desafio, segundo o presidente, é fazer parar em Torres Novas os milhares de pessoas que passam pelas vias rápidas que se entroncam por ali: “Estamos a trabalhar no turismo, mas sinto que chegou finalmente a altura de a comunidade perceberem que é preciso união para se vencer a barreira do turismo. Torres Novas precisa de Alcanena, precisa de Fátima, precisa de Santarém, precisa de Tomar assim como todos precisam de Torres Novas”, explica.

Há toda uma oferta cultural e patrimonial que consegue cativar turistas se for bem usada. Quem visita pode apreciar o Castelo de Torres Novas, o Jardim das Rosas, as Grutas de Lapas, as Ruínas Romanas de Villa Cardílio, , assistir a um espetáculo no Teatro Virgínia, visitar o Museu Municipal Carlos Reis, ou o Agrícola de Riachos, entre outros locais. A vida noturna também tem vindo a trazer mais dinamismo oferecendo novas propostas para os mais jovens que procuram ambientes animados e mais agitados. “Já elaboramos uma aplicação para smartphone onde as pessoas poderão conhecer a cidade. Aos pouco vamos introduzir todos os lugares. Começamos pelo Castelo que é um dos ex-libris do concelho”.

O património histórico e arqueológico é riquíssimo. Com entusiasmo repetiu com alguma graça que “o primeiro português era torrejano” já que o crânio descoberto na Gruta da Oliveira em Zibreira, com mais de 400.000 anos, será o mais antigo descoberto em Portugal.

A cultura e o desporto não são esquecidos. Existem oito bandas filarmónicas e cinco ranchos folclóricos, assim como associações culturais (escolas de música, escolas de dança, grupos de teatro) e desportivas ligadas ao futebol, ao judo, ao triatlo, ao motocross, entre outros. “Inclusive há campeões nacionais provenientes das nossas associações e nós temos orgulho disso”, afirma. Conta ainda que são vários os eventos que vão promovendo como forma de reconhecimento do mérito desportivo e cultural, sejam eles a Gala do Desportos ou o Encontro de Bandas Filarmónicas. “Um dos projetos a manter continuará a ser o financiamento que damos a todas as associações para que estas consigam sobreviver e apostar nos atletas de alto rendimento”.

O futuro que se constrói

“Torres Novas tem boa qualidade de vida e tem muita população jovem com vontade de fazer mais pela região inovando sempre e trazendo animação para os locais”, explica o presidente que acaba por enumerar muitos dos projetos que tem para o concelho.

A começar pela loja do cidadão que quer implementar em breve passam também pelos planos ampliar e melhorar os espaços verdes, a criação de uma praia fluvial na Ribeira Branca, tornar a cidade mais bonita e mais atrativa ao nível turístico, promover a recuperação do centro histórico através da reabilitação de edificado para novas habitações e espaços de comércio, melhorar as acessibilidades, construir ringues desportivos por todo o concelho, aumentar a oferta hoteleira (projeto “Porta Norte” já está em execução) para possibilitar receber mais visitantes e continuar a melhorar a qualidade de vida da população.

Um dos próximos passos e talvez um dos mais aliciantes é transformar o antigo pavilhão da NERSANT num centro tecnológico. “A ideia é agregar às startups já existentes para dar formação em profissões técnicas mais habilitadas e desenvolvendo tecnologia de ponta”. Dentro das áreas industriais e agrícolas o presidente garante que os melhoramentos em infraestruturas já estão em marcha e que não vão baixar os braços no que toca à prevenção de incêndios e da qualidade ambiental por via de uma grande aposta na Proteção Civil já em curso

Torres Novas é um concelho que aposta na inovação e no empreendedorismo. “Estamos a trabalhar já em novos projetos como é o caso das Smart Cities. O país tem de se desenvolver e tem de haver uma competição saudável com os outros municípios para que queiramos estar sempre a assumir novos desafios e procurarmos ser cada vez melhores”. Pedro Ferreira não deixa de referir que todo este trabalho só tem sido possível com a entreajuda de todas as juntas de freguesia que são “exemplares no cumprimento dos seus deveres e de um valioso e saudável espírito de grupo”.

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