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A ideia surgiu em 2011, quando Filipe Paulo decidiu regressar às origens depois de ter trabalhado dez anos em Lisboa. O objetivo prendia-se em criar algo diferenciador e único, aliado à naturalidade inerente à região açoriana e colmatar uma “necessidade de mercado”, como o próprio começa por nos explicar.
“Regressei ao Pico para integrar um projeto da Associação de Comércio com um amigo de longa data. Ambos estávamos formados na área de Gestão e é intrínseco que depois de tirarmos este curso, ficamos alerta às oportunidades. Nesta zona, como jovens, era difícil encontrarmos um sítio onde pudéssemos estar, conversar, sair à noite, comer com qualidade e sabíamos que esta era uma casa com enorme potencial. A partir daí, começamos a idealizar um espaço com estes dois complementos, fizemos questão de preservar a casa centenária que já existia, mas ao mesmo tempo percebemos que faltava um elemento diferenciador, um fator que surpreendesse quem nos visita”.
O arquiteto Fernando Coelho é o responsável pelo projeto, os interiores têm a assinatura de Paulo Lobo e a escultura do exterior foi criada por Paulo Neves. Um espaço, dois volumes e uma vista inesquecível sobre a ilha vizinha, o Faial. A parte de cima (restaurante) direcionado para o verão, um espaço mais fresco, com uma luz natural única e um pôr do sol inigualável, a parte de baixo (bar) o inverno, uma parte mais intimista e aconchegante.
“Estudámos vários espaços e demos carta branca ao arquiteto, Fernando Coelho, que criou um volume mais orgânico e futurista, existindo assim dois espaços distintos, mas que se complementam, percebendo-se bem o passado e o futuro. Depois disso, começámos a trabalhar no conceito, que fomos ajustando ao longo do tempo, em função do que existia e do que era possível fazer. Assim que vi o projeto, percebi que iríamos ter um espaço diferente, que iria criar impacto, que era o nosso objetivo. Depois é tentar manter uma certa coerência entre o espaço e aquilo que se oferece, desde o vinho que se serve, aos pratos que se confeciona, à luz e até ao silêncio”, frisa Filipe Paulo.
No Cella Bar, as pessoas encontram os melhores produtos dos Açores, trabalhados de uma forma pouco tradicional e transformados em pratos gastronómicos únicos, bem como os melhores vinhos do Pico, (Curral Atlântis, Vinhas de Lava, Frei Gigante, Azores Wine Company), mas também das restantes regiões vinícolas de referência portuguesas. Existe, portanto e de forma clara, um Pico antes e depois do Cella, que se tornou num ponto turístico de referência na ilha, com visitantes vindos de todas as partes do mundo.
“O Pico é uma ilha com enorme potencial, nos últimos cinco anos esse potencial começou a revelar-se e o Cella veio ajudar. Começámos este projeto em 2011, em ano de crise, mas tinha a consciência que a economia possui ciclos e nunca houve hesitação na nossa decisão. Em parte, considero que foi na altura ideal. Noto que existem mais turistas a visitar a ilha e que o Cella Bar é quase um ponto de paragem obrigatória e turístico da ilha. Este espaço é capaz de criar emoção e todo o processo até à sua conclusão foi isso mesmo. A partir daí tudo ganha vida própria, que cabe a nós controlar”.
Questionado sobre quais os pontos cruciais que ditaram o sucesso deste espaço, para além de uma arquitetura ímpar e avassaladora, o empresário é perentório em afimar que “um dos pontos chave é que quando estávamos a desenvolver o projeto, quem liderava as entidades nessa altura, percebeu que este projeto era para ser levado a sério e perceberam o potencial do que estávamos a fazer. Por exemplo, em termos de águas residuais do Cella, são direcionadas para um tanque estanque para estas não se misturarem com a água envolvente e primamos por não usar plásticos. É também esta coerência que nos distingue e que consideramos que é essencial”.
Da construção, passando pela consolidação, até à aclamação pública, foi um pequeno passo. Em dois anos, foram vários os prémios atribuídos, quer nacional, quer internacionalmente. Em fevereiro do ano transato, o portal de arquitetura Archdaily elevou o Cella além fronteiras, ao atribuir-lhe o prémio ‘Edifício do Ano 2016’ e neste momento, é um dos finalistas do ‘Prémio Nacional de Arquitetura em Madeira’. Distinções que não desviam Filipe Paulo do caminho inicialmente traçado.
“A dúvida está sempre presente no nosso dia a dia e considero que só assim conseguimos progredir e evoluir, tendo sempre abertura para dar resposta quando necessária”, finaliza Filipe Paulo.

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