É em Cabanas de Tavira que se localiza o Parque de Campismo Ria Formosa. Teresa, Rosário e Jorge Rocio são os atuais administradores que assumiram o lugar no negócio desenvolvido pelo pai, Fernando Rocio, fundador do Parque. Com uma área total de cinco hectares, o Parque de Campismo tem vindo a ter um crescimento notório de clientes.

 

Fundado em 2008, como surge este projeto familiar?

A nossa família é natural do Barreiro e viemos para o Algarve em 1985 para laborar no setor da construção civil. Como este setor de atividade sofreu um decréscimo abrupto ao longo os anos, o nosso pai, Fernando Rocio, decidiu direcionar-se para outra área de negócio. Em 2008 nasceu o Parque de Campismo Ria Formosa devido ao gosto que tinha pelo campismo. O sonho do meu pai era construir um espaço dedicado a esta atividade e hoje este Parque está aberto para servir aqueles que nos queiram conhecer e visitar.
Com o falecimento do meu pai, em 2012, assumimos a gerência. A partir daí, e ao longo dos anos, temos dinamizado este parque e começamos a ter ainda mais clientes do que aqueles que já tínhamos. A principal prioridade é melhorar sempre o serviço que damos ao cliente.

Quais são as áreas que compõem o Parque de Campismo? E quais as mais utilizadas?
Temos espaços para tendas, caravanas, autocaravanas, bungalows e mobile homes. Neste momento, dispomos de nove bungalows nossos e, em relação a mobile homes de clientes, temos cerca de 55, ou seja, alugamos o espaço e eles trazem a mobile deles e, posteriormente, instalam-se aqui e pagam uma renda. A nível de caravanas, autocaravanas e tendas de campismo oferecemos cerca de 250 espaços. Apesar de haver outras áreas em grande destaque, o turismo de autocaravanas e caravanas é o nosso forte.

Para além da estadia, que serviços complementares oferecem aos clientes?
No Parque temos um restaurante que não é explorado por nós, mas sim por outra empresa. Servem pequenos almoços, fazem festas, encontros, exposições, jantares, almoços, aniversários, caso o cliente solicite. Temos ainda um mini-mercado, que é importante aqui para o parque, uma sala de convívio, um pequeno ginásio, uma biblioteca, um espaço para fazerem reuniões, dois blocos sanitários e piscinas com apoio de bar, nomeadamente para adultos e crianças. Todos estes serviços são realizados por uma equipa de staff competente e dedicada.

Como descrevem os vossos clientes?

Temos duas fases distintas: a de inverno e a de verão. Na fase de verão, o principal cliente é o português e também muitos espanhóis, mas 90 por cento são portugueses. Depois temos os clientes de inverno, que são aqueles que visitam Portugal, nomeadamente o Algarve e dão um maior movimento à região, tais como os ingleses, que são o número um, os franceses, os alemães e os holandeses. São pessoas que fogem do frio para vir passar um inverno mais ameno e contamos com mais de 50 famílias residentes. Em março, abril começam a regressar aos seus países de origem, sendo uma época de transição. Desta forma, conseguimos ter clientes todo o ano, o que é ótimo para a dinâmica do nosso Parque.

A tendência de fazer campismo tem vindo a aumentar?

Sim. A crise afetou todos, não só os portugueses como os estrangeiros, o que acabou por ajudar neste negócio. Sendo um pouco mais barato do que as outras unidades hoteleiras, escolhem esta opção. Notamos que há um aumento da tendência de procura nos portugueses, mas um crescimento muito grande a nível de estrangeiros.

E, na sua opinião, porque é que há mais procura?

Portugal é um país seguro. Não temos, por enquanto, os problemas e a instabilidade que os turistas têm nos seus países, e isso é uma mais-valia para nós. Tudo conta, nomeadamente o clima e a alimentação, ou seja, se o Parque estiver em constante modernização, se prestar um bom serviço ao cliente, nota-se um certo retorno. Temos notado um acréscimo de procura por parte do turista francês, que visitava os países do norte de África, pois temos um clima muito similar. Os campistas estão a aumentar no Algarve, logo o setor também está em crescimento.

Como pretendem dar aos clientes o conforto que necessitam para ter uma estadia perfeita?

O conforto que nós podemos dar é em termos de equipamento, porque o verdadeiro conforto depende daquilo que a pessoa traz. Procuramos dar ao cliente o melhoramento dos nossos serviços. Para isso, reforçamos a zona de barbecue. Tínhamos 12 e aumentamos para 42, porque notamos que o cliente de verão gosta de fazer uns grelhados com o espaço que tem ao ar livre. Assim, percebemos que tínhamos de aumentar essa zona, visto que o cliente gosta de vir, estar a conviver, fazer um almoço ou um jantar e comer com a família e amigos. Necessariamente, temos que criar essas condições. Outro aspeto que melhoramos foi a zona da piscina. Estamos sempre a melhorar e temos sempre essa preocupação constante.

 

Em conjunto com outros Parques de Campismo do Algarve e do Alentejo, a APCAA, Associação de Parques de Campismo do Alentejo e Algarve tem vindo a trabalhar para acabar com algumas lacunas que ainda existem neste setor. Fale-nos de alguns exemplos.

O estacionamento ilegal de autocaravanas em áreas de serviço ilegais, criam uma concorrência desleal que, embora não ofereçam os mesmos serviços de um Parque de Campismo, têm tido bastante procuradas pelos turistas estrangeiros por ser muito mais barato, e tem sido um motivo de revolta e desagrado da nossa parte. Como proprietários de parques de campismo, onde nos são exigidos tantos requisitos, com grandes investimentos e pesadas cargas fiscais, esperamos que com a criação desta Associação seja possível resolver este assunto, obrigando assim que estas áreas de serviço se legalizem e paguem os respetivos impostos como todos nós.

Que significado tem para vocês a entrega do prémio PME Excelência?

Ficamos satisfeitos. É um reconhecimento do nosso trabalho e em termos de clientes é importante para a empresa. Estamos numa zona agradável para se passar férias. Ria Formosa, perto de Tavira. Cabanas de Tavira é um paraíso. Tem zonas calmas e seguras e uma natureza espetacular. Independentemente do sítio onde estamos, a nossa postura é sempre melhorar.

Quais são os vossos principais projetos e objetivos para o futuro do Parque de Campismo Ria Formosa?

No nosso parque falta a segunda fase, o aumento do número de bungalows para 30, que será concluída com o terreno que temos disponível. Por acréscimo e face à constante preocupação que temos, estamos a reforçar o sistema de combate aos incêndios. Relativamente aos nossos objetivos baseiam-se sempre na melhoria do serviço, renovando o que já existe, pois uma empresa não pode estagnar. A título de exemplo, estamos sempre a investir na rede wi-fi, uma vez que hoje é muito importante sobretudo para o turista estrangeiro que é muito exigente. Achamos que o turismo na região do Algarve tem ainda margem de crescimento futuro e mesmo em termos de qualidade de serviço e oferta, a região tem crescido muito. O balanço deste projeto, iniciado pelo meu pai, é excelente. Ainda sobre o futuro, queremos fazer uma ampliação do Parque de Campismo.

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