Joaquim Clemente e Elisabete Clemente já trabalhavam na área do queijo quando decidiram, há 17 anos atrás, fundar a Queijaria Clemente & Clemente, em Celorico da Beira. Por ano, saem perto de 180 mil quilos de queijo.

Joaquim Clemente falou em nome do casal e referiu que o motivou “a vontade de fazer queijo”, um negócio no qual “achava que conseguiria ser bem-sucedido”. O sócio-gerente admitiu gostar muito de queijo. “Costumo dizer que nunca comi um queijo mau, entre as muitas variedades eu gosto de uma grande parte delas”.

A Queijaria Clemente & Clemente produz queijo de ovelha amanteigado e seco (chamado de curado). Também fabricam requeijão, para o qual têm muita procura, uma variedade considerada mais saudável e aconselhada para dietas. Este último é um produto fresco, vendido no dia seguinte a ser feito; já o queijo curado precisa de 40 dias de “repouso”, denominado queijo velho, por vezes é vendido apenas meio ano mais tarde, por exemplo, mas nunca perde as suas propriedades. “As diferenças no sabor são bastantes”, explicou Joaquim Clemente, “enquanto o queijo novo tem um sabor mais neutro, o queijo velho tem um sabor mais forte e ganha um certo travo, que é mais para apreciadores”.

Questionado acerca de quais seriam as melhores condições para fabrico de queijo, o nosso interlocutor expôs que o leite tem de ser o mais fresco e o mais natural possível. “Sem um bom leite não conseguimos um bom queijo. Para além disso, há que garantir a saúde dos animais, fazer a ordenha com higiene e conservar o leite no frio o mais rapidamente possível”.

A Queijaria Clemente & Clemente não tem um rebanho próprio, nem pretende tê-lo. Contam com o fornecimento de mais de 100 pequenos produtores (os quais têm em média 150 ovelhas cada um). A produção de queijo é bastante irregular e sazonal, o período em que mais se fabrica é quando menos se vende, ou seja, na primavera. De inverno há sempre mais procura do que aquela que a empresa consegue satisfazer. “Tem a ver com o animal, que costuma parir em setembro e começa a dar leite em novembro, em maio já não tem leite. A altura forte de produção é de janeiro até maio, depois começa a quebra e em agosto a produção fica a zero”.

Os clientes são regulares e quase todos os anos chegam mais dois ou três. “Vendemos desde ao consumidor final, até a quem faz distribuições, a quem tem lojas no ramo, a hotéis, restaurantes, etc. Aqui na queijaria é o único ponto de venda”, admitiu. Já há muitos anos que a empresa tem vontade de ter outros pontos de venda. Gostariam inclusive de estar presentes em feiras nacionais e internacionais, para as quais já foram convidados, porém falta-lhes mão-de-obra habilitada para isso e capacidade logística. Fica assim, um projeto para o futuro.

O número de funcionários também é bastante irregular, devido à sazonalidade da produção. A queijaria emprega 19 colaboradores de forma permanente e recorre a mais meia dúzia na época de mais trabalho.

Queijo de cabra: a novidade

“O queijo de cabra está na moda”, assegurou Joaquim Clemente, “começamos este ano, temos tido bastante procura, aliás quase foi uma imposição dos clientes, que preferem comprar os dois tipos de queijo da mesma origem”. Esta era uma vontade antiga do casal proprietário da queijaria. Tiveram de aumentar as instalações, mas é um projeto que já está em andamento. “Já iniciamos produção e venda para ganhar alguma cota no mercado”.

Devido a ser um queijo que tem um sabor artesanal, mais suave, os especialistas afirmam ser mais saudável e com menos gordura, o que contribui para a tendência.

Nos próximos anos, o casal gostaria de ver a queijaria com o mesmo crescimento que até agora tem registado. Aguardam pelos filhos, que estão a estudar e irão dar continuidade ao negócio.

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