Foi há precisamente 30 anos que Maria de Lurdes criou o Manjar do Marquês em conjunto com o marido, Evangelista Graça. Do trabalho e afinco do casal nasceu o espaço que é agora um dos nomes de referência na hotelaria em Pombal e que emprega cerca de 40 funcionários. Maria de Lurdes, em entrevista à nossa revista, relevou um pouco sobre a história do espaço e realçou os principais atrativos do mesmo.

Com 85 anos já celebrados, Maria de Lurdes continua a ser a força motora do Manjar do Marquês, restaurante que fundou em 1986 com o marido e que agora dirige em conjunto com o filho. A criação do espaço nasceu da vontade e determinação da proprietária, que não desistiu enquanto não criou um espaço seu que pudesse deixar aos descendentes.

“Eu antes tinha uma casa pequenina, que ficava nesta zona numas bombas de gasolina da Shell. Só que aquilo não era meu e eu queria deixar alguma coisa para os meus vindouros. Foi muito contra a vontade do meu marido, mas como eu era muito persistente consegui fazer aquilo que queria”, conta. E se inicialmente estava resistente a abertura do espaço, Evangelista Graça, marido de Maria de Lurdes, acabou por ser o seu apoio na luta pela abertura do Manjar do Marquês. Um percurso feito de muitas dificuldades, que a fundadora não esquece. “Eu sofri muito. Muitas noites sem dormir, a chorar, a pensar que o meu marido tinha razão e que eu estava incorreta. Sofri muito para fazer isto, mas nunca disse que estava arrependida ou que estava a sofrer”.
Da persistência e trabalho do casal nasceu este espaço, na estrada nacional nº 1 em Pombal, que é ponto de paragem obrigatório para quem deseja conhecer o melhor que se cozinha na região. Com espaço de snack-bar, restaurante e sala para eventos e casamentos, o Manjar do Marquês tem possibilidade de facilitar o ambiente que cada cliente deseja para a sua refeição. Com cerca de 40 funcionários, o restaurante funciona graças à combinação do trabalho de gestão de Maria de Lurdes e do filho e do ambiente familiar que criaram. “ Eu e o meu filho fazemos um duo muito perfeito, não há problemas connosco. Ele tem uma parte que é gerida por ele e outra que é por mim. E as coisas funcionam assim e funcionam bem. No funco é fácil gerir a equipa, acho que a melhor coisa que há a fazer para dirigir os funcionários, sejam eles muitos ou poucos, é trata-los como pessoas de família”, explica Maria de Lurdes.

Petiscos imperdíveis

Cozinhar é a grande paixão de Maria de Lurdes, que assume que o que gosta mais de fazer é estar junto ao que denomina os seus tachos. “Gosto muito da minha cozinha. Acho que é a parte mais importante de um restaurante. Temos que estar sempre atentos aos produtos e às pessoas que estão a trabalhar com ele”, refere. As especialidades são muitas e amplamente comentadas entre os clientes, com especial destaque para o arroz do tomate. A cozinheira explica que a sua comida é típica e simples, mas feita sempre com ingredientes de qualidade e com muito cuidado. “O que meu deu mais fama foi o arroz de tomate, os panados, os filetes, os pastéis de bacalhau, o bacalhau frito e a salada de feijão-frade”. Após ter conquistado fama com estes petiscos, a responsável resolveu também abrir aquela que é agora a sala de restaurante do espaço, onde serve também outro tipo de iguarias. “Quisemos ter uma sala diferente com os grelhados: peixe grelhados, carnes grelhadas, arroz de carnes, arroz de grelos com entrecosto, borrego, rojões. A diferença é que nesse espaço podem comer coisas mais demoradas como peixe grelhado, vitela estufada, lombo assado, coisas mais demoradas.”

Sucesso de gerações

Uma das grandes conquistas dos proprietários do restaurante Manjar do Marquês é ter conseguido manter um nível de sucesso contínuo ao longo dos seus 30 anos de existência. Uma conquista de nota, sobretudo num setor tão volátil como o da hotelaria. Para Maria da Lurdes, que apesar dos seus 85 anos continua a trabalhar diariamente as horas necessárias no restaurante, o segredo vem do gosto pelo que se faz e do trabalho contínuo. “Penso que o principal é fazer tudo com muito amor e usando bons produtos. E nunca cruzar os braços: estar sempre a fazer as coisas o melhor possível, nunca estar satisfeita com o que está a fazer, querer sempre mais e melhor. Não é uma questão de ambição, não é por dinheiro. Eu nunca fiz nada por dinheiro, eu faço por amor e carinho aos meus clientes. Eu adoro que as pessoas fiquem felizes e contentes com aquilo que comem”. A proprietária refere que continua a gostar de acompanhar a vida do espaço e de falar com os seus clientes diariamente. E acredita que é essencial para um negócio que o dono do mesmo mantenha uma atenção diária ao que se passa. “Abrir um restaurante e depois cruzar os braços a pensar que está feito não funciona. Os donos têm que estar a frente. Porque se abrem uma casa e a entregam depois acabam por se ir embora. Eu não tive férias este ano e estou a beira dos 85 anos. Entro aqui as 10 da manhã e não tenho horas para sair”, conclui Maria de Lurdes.

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