SerpinsSituada nas margens do rio Ceira, a cerca de nove quilómetros da vila de Lousã, a freguesia de Serpins é um dos mais antigos aglomerados populacionais do concelho. Tem cerca de 2000 habitantes e é presidida por João Pereira, com quem estivemos à conversa por forma a conhecer esta localidade e os projetos que nela têm sido desenvolvidos.

 

As razões que levaram João Pereira a candidatar-se por quatro vezes à Junta de Freguesia de Serpins (já completou 16 anos à frente da freguesia) foram enumeradas no início da conversa: “O que me fez candidatar foi algum espírito de aventura e de dedicação à causa pública. E, também, uma série de necessidades que eu me apercebia de que precisavam de respostas. Desde logo, umas novas instalações para os bombeiros, visto que as antigas se encontravam precárias e degradadas. Havia também alguma necessidade de implementar, no aspeto turístico, um desenvolvimento da praia fluvial, criando-se uma estrutura de lazer que não existia”. Uma recandidatura nas eleições que se irão realizar, ainda este ano, está a ser ponderada pelo autarca que, durante a entrevista, afirmou ainda não se ter decidido: “Ainda não decidi nada até porque também defendo que é necessário novas pessoas para trazerem novas ideias”, confidenciou.

 

Um facto histórico, amargo e ainda não esquecido 

A realidade de Serpins é uma realidade diferente de todas as outras freguesias da Lousã. Isto porque Serpins já foi sede de concelho e, com a reforma de Paços Manuel, passou a ser uma freguesia integrada no concelho da Lousã. Existe, portanto, um sentimento de perda que, segundo o autarca de Serpins: “Torna complicado relações com a Lousã, por exemplo. E, a minha luta, tem sido diluir um pouco esse sentimento negativo. Também é por este facto que aqui não celebramos o dia da freguesia, porque, na verdade, esse é um dia que simboliza uma diminuição. Para fazer face a essa lacuna, foi criado em 2016 o dia da freguesia, que se celebra a 28 de fevereiro, data em que D. Manuel I assinou o nosso foral, concedido em 1514 à nossa vila”, explicou João Pereira.

 

A relação desta Junta de Freguesia com a Câmara Municipal assume-se boa mas reivindicativa e o nosso entrevistado explicou a razão: “Existe a ideia de que Serpins é uma freguesia rica, devido ao território que possui, no entanto, temos despesas enormes com o pessoal, onde o dinheiro é quase todo escoado. E, por vezes, esses factos não são vistos por quem de direito”, reiterou.

Na verdade, o papel das juntas de freguesia é um papel muito importante para uma localidade e para a sua estabilidade mas pode ser, também, um papel ingrato: “As freguesias são a “cabeça do touro”, somos nós que damos a cara. Isto é um sacerdócio e uma convicção. Eu estou convencido que, da minha freguesia, muito raramente, vai alguém à Câmara, isto porque nós resolvemos quase tudo aqui”, disse convicto o presidente.

A principal necessidade de Serpins consiste na construção de uma Estrutura Residencial para Idosos mas, para isso, é necessário investimento privado: “Estão algumas ideias em avaliação e estou convencido de que chegaremos a um consenso. Isto porque a Junta de Freguesia adquiriu um terreno e só necessitamos de um investidor que construa o equipamento”, disse.

 

Visitar Serpins

Como locais a visitar contam-se: a Praia Fluvial, o Parque de Campismo de Serpins, a Igreja Matriz e a paisagem que dali se observa, algumas capelas antigas e a Mata do Sobral, onde está a ser desenvolvido um projeto para criar um percurso pedestre que percorra a mata. Existe, ainda, o Açude do Boque e o Cabril, locais naturais com uma beleza única.

As Festas em Honra de Nossa Senhora do Socorro, realizadas em agosto, e a Feira e Festa de S. Brás, realizadas no primeiro domingo de fevereiro são os principais eventos da freguesia e constituem momentos de atração muito importantes para a localidade.

 

O “Metro do Mondego”

Segundo João Pereira, o desenvolvimento do projeto “Metro do Mondego” a ser concretizado alteraria o panorama nesta região, isto porque: “Para se fazer essa estrutura ferroviária, denominada “Ramal da Lousã” entre Serpins e Coimbra, foi precisa muita coragem dos então governantes e, por isso, torna-se agora necessário que os atuais governantes tenham não só a mesma coragem como a vontade política para terminar o que foi iniciado há cerca de sete anos. E não se pode pensar só na rentabilidade do projeto, nós acreditamos que um transporte público não pode, em lugar nenhum do mundo, ansiar o lucro, porque se tiver, alguma coisa está errada. O desenvolvimento que uma estrutura destas implica não é mensurável e, portanto, não pode ser medida só em termos de rentabilidade direta”, elucidou-nos.

Ainda sobre este polémico assunto, João Pereira acrescentou: “Nós devemos lutar pelo que acreditamos e se nos disserem que o que queremos não é possível é preciso darem-nos uma alternativa viável. Acredito que a obra vai ser terminada porque é de uma insensatez enorme não se aproveitar o que está feito”, concluiu o nosso entrevistado.

 

Em final de conversa, ficou o convite: “Se vierem uma vez, estou convencido de que quererão voltar ou até por cá ficar, porque já temos cá pessoas de diversas nacionalidades”, finalizou.

Partilhe:
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Pin on PinterestEmail this to someone