UF Lousã e VilarinhoLousã e Vilarinho formam uma União de Freguesias que congregam 74% do concelho (17 000 habitantes) e cerca de 60% do seu território. É, assim, uma União extensa, presidida por António Marçal, e com muitos projetos em desenvolvimento.

 

Processo de Agregação de Freguesias mal estruturado

A conversa com o presidente da União de Freguesias de Lousã e Vilarinho começou pela recente reestruturação da divisão do território nacional. O autarca mostrou-se descontente com a medida, afirmando que esta não foi pensada tendo em conta a realidade territorial do nosso país: “Em termos de população, esta União é maior do que o município de Góis, de Vila Nova de Poiares ou de Miranda do Corvo e isso não tem sentido nenhum. Portanto, isto em termos de pensar o território a favor das pessoas exige que a reforma seja inteligente e não foi isso que foi feito”, afirmou perentório.

 

Gestão Participativa e Território Educativo

O executivo desta União de Freguesias aposta num modelo de gestão participativa e, para isso, são postas em prática um conjunto de medidas que incentivam a participação dos cidadãos lousanenses naquela que é a gestão do seu próprio património. O “Conselho dos Lugares” é um dos exemplos: “Nós chamamos as pessoas para, com regularidade, serem discutidas as necessidades dos vários lugares das freguesias”, explicou o presidente.

A par disso existem, ainda, as “Conferências da Serra”, onde várias áreas são abordadas, desde a política ao poder local, passando pela justiça, o direito e o território, onde a ideia passa por fazer as pessoas pensar de uma forma estruturada aquilo que são as terras onde vivem, sensibilizando-as para aquilo que é o trabalho das juntas de freguesia e as suas responsabilidades.

Os “Jogos da Freguesia” são outro dos exemplos e já vão na décima edição. Constituem um momento anual de preservação da memória dos jogos, atividades lúdicas e de socialização dos antepassados locais, através da recriação dos mesmos, ao ar livre, pelas crianças do primeiro ciclo e do ensino básico.

Ensinar aos mais pequenos que as plantas são seres vivos, que precisam de cuidados, ainda mais quando se está rodeado de floresta, é uma medida educativa que pretende a consciencialização dos mais novos numa vertente de educação ecológica. E esta medida surge a propósito de a grande aposta do concelho da Lousã ter sido, nos últimos anos, a educação. Luta-se por ter um território educativo com uma sociedade de conhecimento que exige que desde o berço até ao falecimento haja transmissão de conhecimento e, por isso, António Marçal define o trabalho do seu executivo da seguinte forma: “A nossa forma de estar na política é uma forma de governança, é um conceito em que nós estamos aqui na autarquia, mas o que pretendemos fazer é dirigi-la em cooperação com todas as forças envolventes, criando uma rede de trabalho que julgamos fundamental. Aqui não há espaço para o combate partidário, só há espaço para o diálogo”, concluiu.

“É bom viver aqui”

Este é o slogan da União de Freguesias da Lousã e de Vilarinho e muitas são as medidas para que este desígnio se materialize todos os anos. “Abrigar o Futuro”, por exemplo, é um projeto que consiste na recuperação e reabilitação de habitações degradadas de famílias carenciadas e que, neste momento, se encontra a avançar para outra fase num processo de aquisição de imóveis nas aldeias da União de Freguesias onde se pretende promover a fixação de pessoas através de arrendamentos sociais: “Mas não vão ser casas que vão ser entregues de ânimo leve, vai existir um contrato de arrendamento em que não é abordado apenas o valor da renda, mas sim um conjunto de parâmetros que pretendem promover a cidadania bem como a construção da dignidade da pessoa em causa”. O “Microninho” é um projeto que também se insere na vertente social porque a visão deste projeto é a criação de uma comunidade onde se entende que não basta ajudar o empreendedor mas sim, também, toda a família.

 

Marca Serra da Lousã

Terra de pequenas e médias empresas, durante muito tempo predominavam indústrias ligadas à floresta e aos têxteis. Hoje, por outro lado, destacam-se: o Licor Beirão, novas indústrias do papel e uma cooperativa, a Lousãmel. Produtos e indústrias de excelência que aguçam o apetite daqueles que têm incrementado o turismo na região e daqueles que têm cimentado e lutado por uma marca denominada de Serra da Lousã.

A juntar aos produtos enumerados acima, encontram-se as festividades. Sobre este tema, o autarca da União de Freguesias de Lousã e Vilarinho salientou as Festas em Honra de Nossa Senhora da Piedade por considerar que estas juntam o sagrado e o profano: “Quando a procissão traz a imagem da Santa desde a serra até à vila e depois o seu regresso são momentos que congregam muitos forasteiros. Esta festa é realizada, anualmente, em abril ou maio. De salientar, ainda, que, o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, juntamente com o restaurante O Burgo e o Castelo formam um triângulo muito importante a ser visitado na nossa União”, aclarou o presidente.

O comboio na Lousã

A retirada do comboio do concelho da Lousã não foi uma medida bem aceite pela população e constitui, ainda, um problema por resolver. Para o autarca desta União de Freguesias, o comboio não foi apenas um meio de transporte para a Lousã, mas sim um meio de mobilidade social pois funcionava como um meio de acesso à saúde, à cultura e ao ensino: “Esta é, sem dúvida, a maior necessidade dos lousanenses. Eu estou convencido de que nós teremos que ter um sistema de mobilidade que ligue Serpins a Coimbra, que seja ecológico, sustentável e que permita devolver às pessoas esta faculdade de mobilidade social”, finalizou esperançado.

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