A ADRIMINHO – Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Minho – intervém em núcleos rurais como forma de fixação da população e melhoria das suas condições de vida. São 27 anos de projetos que promovem o desenvolvimento local harmonioso e integrado do Vale do Minho, como nos garante o Presidente Manoel Pombal.

Praia do Taboão - Paredes de Coura
Praia do Taboão – Paredes de Coura

A ADRIMINHO é uma associação com 27 anos de história. Para efeitos de contextualização, quais os principais marcos históricos?

Desde a sua criação em 1994, com a submissão da primeira Estratégia de Desenvolvimento – Abordagem LEADER – procurou desenvolver o território dentro de uma estratégia de ação local suportada na fileira Agricultura-Turismo-Ambiente e foi sempre em torno desta fileira inicial que surgiram as principais ações e projetos ao longo destes 20 anos. Passados 27 anos, a marca da ADRIMINHO no território é inegável. A grande marca é, de facto, o trabalho de proximidade junto das populações, o conhecimento das problemáticas locais e o apoio ao mundo rural. Ao longo destes 27 anos foi possível apoiar projetos como o Centro de Interpretação da Serra D’Arga (caminha); o Solar do Alvarinho (Melgaço), a Casa do Artesão (Vila nova de Cerveira), a Loja Rural (Paredes de Coura) e o Centro de Interpretação Museológico (Valença), entre outros. Também importa referir que a nível privado, o trabalho desenvolvido na Requalificação das Aldeias e a promoção das zonas Rurais com a implementação da Marca Aldeias de Portugal, o apoio Social com a qualificação de valências sociais das diferentes IPSS do Território e o apoio à criação e dinamização das empresas locais, com a criação de emprego, com especial relevância no atual quadro comunitário de apoio.  

Em suma, qual a principal missão da ADRIMINHO?

A ADRIMINHO tem como principal visão tornar o Vale do Minho num território de reconhecida qualidade de vida, de excelência ambiental e social, capaz de atrair pessoas e de gerar atividades económicas sustentadas nos recursos endógenos. Assim, é nossa missão promover a empregabilidade, fomentar, valorizar e melhorar a sua competitividade com base na economia local, destacar o capital humano, tornar o Vale do Minho um território capaz de inovar e integrado a nível nacional e internacional.

Descreva de que forma é que se adaptaram ao contexto económico e social afetado por uma pandemia mundial?

O trabalho de uma Associação de Desenvolvimento privilegia a proximidade, por isso foi necessário pensar em formas alternativas para chegar às pessoas e aos promotores. Melhorámos as suas ferramentas digitais, apostamos na divulgação utilizando as redes sociais, melhorámos o site e a comunicação via email com os beneficiários e promotores de projetos aprovados. Privilegiamos a realização de sessões online para a divulgação de informação, apoios, etc. Temos, no entanto, noção que não foi possível chegar a todos. Nem todos têm condições de conectividade, nomeadamente, à banda larga que garanta uma boa comunicação. A população de uma faixa etária mais elevada não está familiarizada com as redes sociais e os meios informáticos. Por isso, fomo-nos adaptando e existem metodologias que vão ficar pós pandemia, mas o presencial será sempre considerado fundamental no trabalho a desenvolver pela ADRIMINHO.

O acesso à conectividade deve ser considerado um elemento essencial de equidade entre as comunidades locais dos territórios rurais e urbanos, que permita inimizar o “gap” digital entre as famílias e as empresas dos territórios rurais e as demais. Também aqui a experiência da ADRIMINHO e da abordagem LEADER poderá ser útil e relevante. Não basta espalhar cabos, é necessário capacitar as pessoas e as comunidades, promover a literacia digital, aprofundar e renovar modelos de trabalho e a ADRIMINHO pode ter um papel preponderante. 

No âmbito do atual quadro comunitário, quais são as principais áreas de atuação, tendo em vista o desenvolvimento social e económico da região do Vale do Minho?

Podemos referir que no presente quadro, e de acordo com a Estratégia de Desenvolvimento Local de Base Comunitária – DLBC Rural ADRIMNHO aprovada e que integra os Fundos FEADER, FEDER e FSE, a nossa intervenção foi e é sustentada no Desenvolvimento Sócio Económico e promoção do emprego com o reforço da consolidação do tecido económico local, o apoio a pequenos investimentos na exploração agrícola e na transformação e comercialização, o apoio à diversificação de  atividades na exploração agrícola, a promoção dos produtos locais, os circuitos curtos agroalimentares e a promoção do empreendedorismo local favorecendo a promoção e desenvolvimento empresarial e de base produtiva local, bem como na valorização dos núcleos rurais, renovando as aldeias e o seu património. Por último, a vertente social mediante a implementação de ações de apoio ao idoso e jovens tem sido, nos últimos anos, outra vertente que tem assumido predominância na atividade da ADRIMINHO.

mapa do Vale do Minho
mapa do Vale do Minho

Programas de ação nacionais e europeus em funcionamento

DLBC – Desenvolvimento Local de Base Comunitária – Vertente Rural (PDR2020/NORTE2020)

EMERN-Q – Empreendedorismo em Meio Rural – Norte – Qualificação (SIAC – NORTE2020)

CLDS 4G Valença – Contrato Local de Desenvolvimento Social 4ª Geração – POISÈ Rede Rural Nacional (PDR2020)

A ADRIMINHO irá apoiar algum evento a curto prazo?

Iremos procurar dar continuidade à execução da DLBC Rural na vertente do PDR2020, fruto da disponibilização de verbas do próximo período de programação para ser executado ainda ao abrigo da atual Estratégia de Desenvolvimento Local de Base Comunitária. Promovendo o apoio aos agricultores, o apoio à transformação e comercialização de produtos locais, à implementação de circuitos curtos de comercialização, o apoio a iniciativas de agroturismo e enoturismo, bem como a renovação de aldeias. Na vertente Norte 2020 e pese embora a ADRIMINHO não ter competências de verificação da execução, procuraremos dar o devido apoio aos promotores de projetos do SI2E e + CO3SO Emprego e Empreendedorismo Social.

Está previsto, o início da elaboração de uma nova Estratégia de Desenvolvimento do Vale do Minho, ou melhor proceder a uma revisitação da atual estratégia aprovada, adaptando-a às novas prioridades definidas pela comissão europeia, como sendo a transição digital, a transição verde, os sistemas de alimentação saudável, a biodiversidade.

Aponte as perspetivas que traça para o futuro.

As perspetivas de futuro são de continuidade. Importa realçar que a ADRIMINHO é Presidente da Direção da Federação Nacional das Associações de Desenvolvimento Local – Federação Minha Terra – e, no âmbito deste movimento, temos apresentado uma série de contributos para o próximo período de programação. Defendemos uma abordagem mais integrada das diferentes políticas públicas e a valorização da participação dos cidadãos para responder aos desafios, que não são só referentes às zonas rurais, mas que são desafios sociais. Preocupa-nos não vermos, no âmbito das atuais negociações do próximo período de programação – Portugal 2030, Programas Operacionais e o PEPAC – um claro reforço das abordagens plurifundo nos instrumentos de desenvolvimento territorial, em particular no DLBC. Esperamos uma PAC mais próxima dos cidadãos, não só verdadeiramente mais verde, como também territorial e socialmente mais justa.

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