Vitor Poças, Presidente da AIMMP (fotografia de Jose PedroTomaz)
Vitor Poças, Presidente da AIMMP (fotografia de Jose PedroTomaz)

Com mais de 60 anos história, a Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal, AIMMP, é uma instituição de utilidade pública, fundada em 12 de junho de 1957. Ao longo dos tempos, numa clara perspetiva de integração vertical, foi incorporando, por fusão, diversas associações sub-setoriais passando a ser reconhecida, ao nível nacional e internacional, como a representante empresarial de todas as indústrias de base florestal, exceto as de celulose, papel e a cortiça. Numa perspetiva de balanço do ano de 2021, e projeção do novo ano, a AIMMP destaca o crescimento do setor em Portugal, que depois da pandemia voltou aos resultados record de exportação de 2019.

O cluster do mobiliário e afins tem vindo a desenhar uma trajetória de recuperação, ao longo do ano de 2021, após um desafiante ano de 2020, afirma Vítor Poças, Presidente da Associação das Indústrias de Mobiliário e Afins (AIMMP). Entre janeiro e agosto, as exportações destes setores cresceram 22 por cento, face ao período homólogo do ano anterior. Os dados atuais permitem encarar o futuro com otimismo, em comparação com 2019, que foi o melhor ano de sempre da fileira em termos de exportações, com cerca de 1,9 mil milhões de euros gerados em vendas ao exterior.

A AIMMP foi criada em 1957 para representar as serrações, que era o que existia. Entretanto, houve um despacho do Governo para representar todas as indústrias de base florestal, exceto a celulose, o papel e a cortiça. Hoje, está dividida em cinco divisões setoriais. A primeira, o corte, abate, serração e as embalagens de madeira (a primeira transformação); a segunda, os painéis, derivados de madeira e energia de biomassa (segunda transformação); a terceira, que representa as carpintarias e afins, e dentro das carpintarias há uma tipologia muito grande de indústrias, desde as fábricas de urnas às fábricas de portas, mobiliário de exterior, etc. Nos termos da lei e dos estatutos, e enquanto associação de fileira, para além da fortíssima representação institucional, como é o caso da presidência da ETIC, European Timber Industries Confederation, e da participação no board da EFIC, European Furniture Industries Confederation, a AIMMP presta um conjunto de serviços associativos e transversais de apoio às empresas, presta serviços técnicos e especializados no âmbito do seu domínio de atuação, acompanha e faz a gestão de marcas de certificação de produtos e promove a execução de projetos financiados, conjuntos e coletivos, de grande importância para o setor, designadamente nas áreas da formação, da capacitação, da competitividade e da internacionalização. Destaca-se, ainda, a governação do CFPIMM, Centro de Formação Profissional das Indústrias de Madeira e Mobiliário, uma parceria muito frutífera entre a AIMMP e o IEFP, Instituto de Emprego e Formação Profissional.

CERIMÓNIA DE ENTREGA DE PRÉMIOS PNAM' 21 - PRÉMIO NACIONAL DE ARQUITETURA EM MADEIRA
Cerimónia de entrega de prémios PNAM’ 21 – Prémio Nacional de Arquitetura em madeira

Com aproximadamente 8.000 empresas e mais de 55.000 postos de trabalho diretos, este setor integra empresas que vão desde o abate e corte das árvores na floresta, à primeira transformação, fabricação de embalagens, fabricação de painéis e apainelados de madeira, energia de biomassa, carpintarias, mobiliário e exportação, comércio e distribuição, numa clara relação de cluster e de interdependência entre elas, contribuindo com 2,6 mil milhões de euros para as exportações portuguesas, em 2019, e com um saldo positivo da balança comercial próximo dos 650 milhões de euros.

A verdade é que este é um setor que representa um verdadeiro “case study”, face ao sucesso e crescimento que tem tido, afirma Vitor Poças. “Cresceu 10.00 milhões de euros em exportações apenas em nove anos. Entre 2010 e 2019”, as exportações passaram de 1.552 milhões de euros para 2.585 milhões de euros (66,55 por cento), ou seja, crescimentos sempre positivos numa média anual de 114 milhões de euros.

PNAM 21
PNAM 21

Em termos regionais, destaca-se a forte dependência do setor nas exportações para a União Europeia, designadamente para a França, Espanha e Reino Unido. Realça-se também o aumento da exportação em mercados fora da União Europeia, resultante de um enorme esforço de promoção individual e coletiva, do design e da aposta comercial. “Esta estratégia tem-se mostrado muito assertiva e foi extremamente importante durante os últimos 21 meses de pandemia”, refere Vitor Poças.

De acordo com o Presidente da AIMMP, as exportações de bens portugueses, em 2021, deverão bater o recorde de 2019. “Estamos, neste momento, muito satisfeitos com o desempenho das empresas deste setor. Em setembro de 2021 já atingiram um valor de exportações de 1.913 milhões de euros, pouco abaixo do máximo histórico alcançado no período homólogo de 2019, o que significa um crescimento de 19 por cento das exportações relativamente a 2020”. Por outro lado, as importações neste mesmo período cresceram a uma taxa inferior, isto é, apenas 17 por cento. O sucesso da internacionalização das empresas portuguesas tem sido, por isso, fundamental para o setor e também para a economia portuguesa.

Reuniao Empresários Abastecimento Madeira
Reuniao Empresários Abastecimento Madeira

Os desafios que o setor enfrenta

Apesar de todas as contrariedades, o setor tem vindo a responder positivamente aos contratempos que permanentemente aparecem em Portugal. “Ou porque entramos em ‘pré-bancarrota’ e temos que gerir dificuldades e arcar com o aumento de impostos, ou porque os custos de contexto continuam a subir permanentemente, ou porque os custos da energia disparam para valores não comparáveis na Europa ou, então, porque os preços das matérias-primas alcançaram valores quase proibitivos”, vinca o Presidente da AIMMP. “Continuamos a acreditar que o país, um dia destes, vai perceber que a sua riqueza, e das populações, está nas empresas e na sua capacidade para pagar melhores salários e suportar uma administração pública demasiado grande e cara, por vias diretas e indiretas.

Missão de Negócios Camara de Comércio Sharjah - AIMMP
Missão de Negócios Camara de Comércio Sharjah – AIMMP

O setor precisa de continuar a sua trajetória de modernização tecnológica, incluindo o acesso a processos 4.0. Foi neste contexto que incidiram algumas das principais atividades da AIMMP, a Associação continuou a trabalhar na promoção e divulgação do setor em feiras internacionais, com especial incidência no Médio Oriente. Para 2022, Vitor Poças adianta à Portugal em Destaque, que a aposta na internacionalização passará também por uma aposta no Canadá, e nos EUA, e “vamos neste caso, escolher Toronto, Chicago, Washington, Filadélfia, Nova Yorque e Boston”.

Outro dos pontos fundamentais a ser trabalhado pela AIMMP e a melhoria da imagem e atratividade do setor, como forma de reter talentos, além disso é necessário, acrescenta, “demonstrar às instituições financeiras que é um setor cumpridor, capaz e que merece mais apoio, mais credibilidade e financiamento para crescer”. Também o design e a sustentabilidade são temas fundamentais para as empresas portuguesas do setor, “como forma de se tornar mais competitivo no exterior e, ainda, continuar a sua trajetória de promoção externa”. Tendo a perceção da importância dos recursos humanos para o sucesso das empresas, um dos eixos que a AIMMP se propõe a atingir em 2022, é a requalificação de profissões no setor. Este eixo prossupõe um trabalho na adaptação a novas exigências do mercado, mas também como fator de se tornar mais atrativo para captar novos talentos. Inovação, conhecimento e criatividade são as palavras-chave de uma estratégia centrada na criação de valor global com efeito no emprego e riqueza.

Cerimónia de entrega de prémios AD CHALLENGE e GUILHERME AWARD
Cerimónia de entrega de prémios AD CHALLENGE e GUILHERME AWARD

O presidente da Associação dos Industriais de Madeira e Mobiliário de Portugal alertou ainda para a escassez de matéria-prima em Portugal, está a ditar o encerramento de serrações. Como consequência, tem gerado um crescimento na importação de madeira, sobretudo de pinho, utilizada, entre outros, na fabricação de paletes, embalagens, painéis, soalhos, carpintaria, urnas funerárias e mobiliário. Por isso, Vítor Poças, desafia o próximo Governo, mas também o próprio parlamento, a definir a floresta “como um objetivo estratégico”. “O setor é de base florestal e, portanto, continuo a achar que os governos continuam a não olhar para a floresta da forma como deveriam olhar”, considerou. “O país não está a aproveitar o potencial do recurso que é a floresta. A floresta é renovável. Se eu não plantar árvores, não vou ter árvores. Para fazer floresta é preciso plantar árvores e não queimar as existentes. E nós não estamos a fazer isso. Aliás, estamos a queimar árvores e não estamos a plantar”. Para o presidente é necessário criar condições para preservar e valorizar um dos recursos fundamentais para a economia portuguesa. É importante “ver máquinas no terreno a plantar árvores, a cuidar da regeneração natural, a abrir estradas e caminhos florestais e aceiros corta-fogo, a criar zonas de vigilância e de proteção da floresta contra o crime”.

Apesar do sucesso e do crescimento constante do setor, Vitor Poças não cruza os braços e garante que a AIMMP continuará a reunir os esforços necessário para promover, valorizar e inovar o setor, criando oportunidades no mercado para que o setor continue a ser um caso de sucesso.