Quando chegou pela primeira vez a Portugal, Fábio Carmo deixou-se surpreender pela gastronomia portuguesa. Desde então, vem escrevendo novos capítulos de uma história de amor pela cozinha, que começou em tenra idade. Fique a conhecer o percurso e conquistas deste Chef, que vem dando cartas no mundo da gastronomia.

Chef Fábio Carmo
Chef Fábio Carmo

Quem é Fábio Carmo e como foi traçando o seu percurso até se tornar um reconhecido Chef de cozinha?

O meu percurso foi sempre sendo traçado lado a lado com a cozinha, e talvez por isso me tenha apaixonado por esta arte. Os meus pais quiseram que fosse autónomo desde muito novo e ensinaram-me a cozinhar quando tinha apenas oito anos, sendo que aos nove já fazia bolos de aniversário e salgados, sozinho. Aos 17 anos, acabei por tirar um curso intensivo de cozinheiro e, mais tarde, tive o privilégio de cursar Gastronomia numa filial do instituto ‘The Culinary Institute of America’. Tive ainda a oportunidade de tirar uma formação na área da Nutrição e de trabalhar com ótimos Chefs de cozinha como: Alex Atala, Christopher Chabro e Alessandro Sagato. Aos 19 anos já me tinha tornado Sub-Chef de cozinha num hotel com cinco restaurantes. Aos 21 anos tomei a decisão de vir conhecer Portugal. Contudo, quando aqui cheguei, apaixonei-me perdidamente pelo país, pela cultura e, principalmente, pela gastronomia. Foi então que, resolvi estudar tudo quanto podia sobre a gastronomia portuguesa. Acabei também por  tirar um curso de Cozinha Molecular, em Espanha e, anos mais tarde, fui para Itália cursar Gastronomia. Para me manter atualizado, aposto em formações na área da restauração, no mínimo, a cada dois anos. Esta é uma área que está em constante evolução e, se queremos surpreender, não podemos estagnar.

Chef Fábio Carmo
Chef Fábio Carmo

O Chef Fábio Carmo já passou por vários restaurantes, que lhe permitiram adquirir um vasto know-how. Quais os projetos que destaca neste percurso?

Foi um longo percurso, marcado pela resiliência. Destaco a minha passagem pelo Hotel Bourbon & Resort, no Brasil. Uma experiência exigente, mas também muito enriquecedora para um jovem sonhador que queria ser o melhor Chef do mundo. Já em solo português, destaco a minha passagem pelo Catering do Estádio da Luz, onde desempenhei a função de Chef de cozinha executivo, durante 11 anos. Atrevo-me a dizer que esta foi, até aos dias de hoje, a maior e mais exigente experiência que vivi.  Outro projecto marcante foi a criação do Pastel de Bacalhau com Queijo da Serra, em 2013. Um desafio que exigiu muita garra, empenho e resiliência para alcançar a excelência desta iguaria. Para além disso, destaco a abertura de um restaurante que, infelizmente, acabou por fechar portas. Acredito que todo este processo, me deu mais resiliência, coragem e humildade para enfrentar os desafios do dia a dia.

A restauração foi uma das mais afetadas pela pandemia. Como encara o futuro deste setor, em Portugal?

Se tivermos em conta que representava 14,6 por cento do PIB nacional e mantinha em média 337 mil postos de trabalho, conseguimos compreender a importância deste setor para a economia. Considero que as decisões tomadas foram erradas e precipitadas. Contudo, acredito que  se o Governo se redimir e financiar a recuperação do setor, poderemos terminar 2021 com otimismo. Devemos reinventar-nos, porque ainda há muitas coisas novas para se fazer na restauração. Eu, para além de ser Chef, tenho uma empresa de consultoria, a Fiel às Raízes, direccionada para auxiliar os investidores que queiram marcar a diferença na área da restauração, através da criação de novos produtos e conceitos. Quem é visionário sabe que é nos momentos de crise que surgem as melhores oportunidades. Temos de olhar para o futuro com otimismo mantendo, sempre, os pés no chão.

Fiel às Raizes || E-mail: chefcarmo@hotmail.com