Irreverência e vontade de fazer sempre o melhor

Eng Joaquim Coutinho Duarte - Quinta da Valinha
“Quando atinjo um objetivo começo logo a pensar no próximo e foi essa característica que deu origem à criação das Portas da Burinhosa, as portas mais altas de Portugal”
Eng.º Joaquim Coutinho Duarte

Poucas aldeias de Portugal se podem orgulhar tanto do clube da terra como as gentes de Burinhosa. Nesta edição da Portugal em Destaque damos-lhe a conhecer um dos principais rostos por detrás da ascensão meteórica deste clube de futsal. Nascido e criado na aldeia da Burinhosa, o Eng.º Joaquim Coutinho Duarte é, hoje, para além de um amante do desporto, um empresário de sucesso. Fique a conhecer um pouco melhor o homem, empresário e adepto.

O futsal do Burinhosa é fruto da vontade de um grupo de adeptos que sempre desejou o que se achava impensável. Quem é o Eng.º Coutinho Duarte, que tanto fez pelo clube da Burinhosa?

Era impensável que uma aldeia pudesse vir a alcançar um nível destes, seja em que modalidade fosse, mas a verdade é que o atingiu. Eu, efetivamente, sonhava muitas vezes com o Burinhosa na primeira divisão. Quando abordava este assunto no clube, confesso que tinha alguma dificuldade em expressar o que sentia, por pensar que os outros poderiam achar aquilo inalcançável e que o meu sonho era impossível. Mas a verdade é que um dia as coisas sucederam-se. Foi um percurso difícil, marcado pelo árduo trabalho de um conjunto de pessoas que foram tomando as medidas necessárias para que atingíssemos esse desiderato. Os resultados alcançados nas partidas, acabaram também por ser uma motivação para atletas e adeptos e a dinâmica foi-se desenvolvendo e aprimorando. Até que um dia, chegámos à Primeira Divisão. Quando atingimos esse objetivo, eu já só pensava em preparar a próxima época, o que é uma característica muito pessoal. Quando atinjo um objetivo começo logo a pensar no próximo e foi essa característica que deu origem à criação das Portas da Burinhosa, as portas mais altas de Portugal. Estávamos na Primeira Divisão e, para além da aldeia humilde e trabalhadora, não tínhamos mais nada para mostrar aos grandes colossos que nos visitariam.

Percebi que seria necessário criar algo diferente e que cativasse a atenção das pessoas. Falei com um escultor e, depois de ouvir a população, criou-se aquela obra magnifica que retrata todas as atividades que fizeram e fazem parte do ADN da aldeia do futsal. A verdade é que as pessoas, que visitam a Burinhosa, têm curiosidade e perdem um pouco do seu tempo a observar aquela escultura. As próprias equipas futsal acabam também por utilizar aquele espaço envolvente para praticar um pouco de exercício. A aldeia, que estava prestes a desaparecer, acabou, fruto de tudo isto, por se tornar atrativa. Hoje, não tenho dúvidas de que as portas da Burinhosa, são o ex-líbris da freguesia.

Com uma infância humilde, iniciou o seu caminho no associativismo e, atualmente, é um empresário de sucesso. Fale-nos um pouco mais do homem por detrás do negócio.

Comecei a trabalhar aos onze anos. Nessa altura, fui fechar o molde, que é o posto mais baixo que existe numa fábrica de vidros. Mais tarde, fruto do estudo e irreverência, acabei por percorrer todos os lugares da produção e também muitos lugares de direção na empresa. Mais tarde, licenciei-me em Engenharia Cerâmica e do Vidro e passei a dedicar-me a esse setor. Nessa altura, fui para a SPAL – Sociedade de Porcelanas de Alcobaça, onde desempenhei a função de diretor-geral, durante 10 anos. Foi um período muito enriquecedor. Tive a oportunidade de trabalhar de perto com pessoas extraordinárias com quem aprendi muito. Era uma empresa muito bem dotada, focada nos seus objetivos, e com uma administração fantástica. Depois disso, fui trabalhar para Angola numa empresa que hoje se designa por Mota-Engil, mas que na altura se designava Mota & Companhia, onde desempenhei a função de diretor-geral. Foi uma empresa que sempre acreditou em mim e que me dava a plena liberdade para a maior responsabilidade. Consegui, juntamente com toda a equipa, alcançar os objetivos pretendidos, embora as coisas em Angola não sejam fáceis. Foram períodos difíceis, mas de que guardo os bons resultados e os objetivos atingidos, que acabaram por ser motivadores e formadores da minha personalidade. Alguns anos mais tarde, deixei a Mota-Engil e iniciei uma atividade empresarial, em Angola, e hoje tenho três empresas: uma ligada à construção civil e às obras públicas, outra à logística e aos trânsitos de mercadoria e há pouco tempo acabei por abrir um Resort, no sul de Angola.

A verdade é que as coisas em Angola não foram, nem são fáceis. É um território em que a vida é tremendamente cara e difícil. Acredito que há um enorme trabalho a fazer nestes países começando pela regulação das taxas de importação e de exportação dos produtos. Acredito que a CPLP poderia ter um papel fundamental neste processo, através, por exemplo, da criação de acordos entre os países de língua oficial portuguesa para que estes produtos pudessem entrar em território africano com taxas aduaneiras bonificadas ou até inexistentes.

Falar do Eng.º Coutinho Duarte é falar da sua paixão pelo Sporting Clube de Portugal. Como surgiu esta paixão e de que forma vê hoje o clube do seu coração?

Eu nasci numa família, essencialmente, benfiquista. O meu pai não ligava nada ao desporto, quem ligava eram os meus tios maternos, que eram todos do Benfica. Numa aldeia isolada, cheia de benfiquistas, tive a irreverência de ser “do contra”. Lembro-me de vibrar muito com os golos do Sporting, que ouvia através dos relatos na rádio. Vivi sempre com muita intensidade este clube, porque ser sportinguista é diferente. Em Portugal, os clubes pensam sobretudo no futebol. No Sporting não se pode pensar, exclusivamente, em futebol. O Sporting tem 54 modalidades, que têm trazido várias alegrias a Portugal, através dos títulos alcançados na Europa e no mundo. Normalmente, as pessoas são de um determinado clube pelo futebol, mas o sportinguista não é do Sporting apenas pela modalidade do futebol. Como adepto fervoroso deste clube, gostava de o ver mais unido e mais organizado porque, para mim, é fundamental estarmos todos unidos e empenhados nas mesmas coisas, para que, a partir daí, nos possamos organizar. Depois de organizados e estruturados, podemos ambicionar mais e melhor para o nosso Sporting. É isto que me tem levado a dar o meu contributo ao clube. Se significa que algum dia vou assumir um cargo na direção do clube? Não. A minha presença não é com o intuito de determinar, mas sim de aconselhar. Estou a fazer pontes entre os vários sportinguistas visando encontrar uma solução de futuro para o sporting e, se deste grupo emergir um líder é ótimo, mas também o podemos vir a um líder fora do mesmo. Quanto a mim estou disponível e serei para o Sporting o que o Sporting precisar de mim, tanto como presidente, vogal e sócio. Quero que o Sporting de hoje seja digno e respeite o legado que lhe foi deixado. Não estou nada interessado em ser presidente do clube, mas se o for acreditem que levarei a minha tarefa seriamente. Se quero emprestar aquilo que a vida me deu, unir o Sporting, colaborar para que continue o legado que nos deixou? Isso quero muito!

Quinta da Valinha - Eng Joaquim Coutinho Duarte

A Quinta da Valinha, é um local bem arborizado, muito verde, florido e desenhado para poder proporcionar momentos de convívio, relaxamento, meditação, festa, celebração nunca esquecendo os que, com o seu suor, da família Coutinho Duarte, souberam dar rumo às suas vidas e cujos exemplos nos enchem a alma de orgulho e compromisso perante as dificuldades. Visitar a Quinta da Valinha é saborear o presente, com os pés no passado e o olhar no futuro!