Promover um conjunto inspirador de boas práticas e um ecossistema de inovação para a sustentabilidade no campus da escola, acolhendo projetos de monitorização e experimentação em todas as vertentes da sustentabilidade, é um dos principais objetivos do Laboratório Vivo para a Sustentabilidade @ Ciências ULisboa. Numa edição dedicada ao meio ambiente fique a conhecer alguns dos principais projetos de Ciências desenvolvidos nas diferentes dimensões da sustentabilidade.

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa: laboratório Vivo

Em curso desde 2015, o Laboratório Vivo para a Sustentabilidade @ Ciências ULisboa procura dar coerência e visibilidade a um conjunto diversificado de atividades já em curso e potenciar o envolvimento da comunidade de Ciências e da realidade envolvente, no desafio do desenvolvimento sustentável, em todas as suas dimensões (social, ambiental e económica). Quais os principais projetos já em desenvolvimento, para promoção da sustentabilidade dentro do campus e na zona envolvente?

Ciências tem em curso projetos que promovem a sustentabilidade dentro do seu campus e na zona envolvente nas suas três dimensões: a económica (e.g. eficiência no uso da energia e da água potável), a ambiental (promoção da biodiversidade e sequestro de carbono) e a social (solidariedade social). Todos estes projetos podem ser visitados na página do Laboratório Vivo. Salientam-se apenas alguns destes projetos:

O Campus solar e o Laboratório para o estudo de soluções de ventilação natural ensaiam sistemas de energia solar em condições reais e soluções de arrefecimento passivo em diferentes tipos de edifícios, incluindo a habitação de baixo custo autoconstruída (uma solução de recurso para a população carenciada em várias partes do mundo). Atualmente, as soluções de isolamento em teste utilizam materiais reciclados e caracterizam-se pela sua simplicidade de instalação.

Desde 2004 que Ciências tem feito a amostragem das espécies de plantas e a etiquetagem das principais espécies de árvores no campus. O projeto + Biodiversidade @CIÊNCIAS amplia este conceito à envolvente do campus. Ciências promove também ações para melhorar a biodiversidade e o fornecimento dos serviços dos ecossistemas: o Permalab promove e demonstra práticas de permacultura, criando evidências científicas de soluções baseadas na natureza. O projeto FCULresta tem uma intervenção direta no campus, estando a transformar um antigo relvado numa minifloresta densa. Esta transformação envolve dezenas de voluntários de Ciências.

A Associação Ciências Solidária – ACS é uma associação privada sem fins lucrativos que foi constituída em 2016, por um grupo de colaboradores de Ciências, com o intuito de apoiar estudantes e trabalhadores da Faculdade. Identifica situações de carência, monitoriza e acompanha essas situações e promove ações de angariação de fundos.

Em destaque está o projeto “+Biodiversidade @CIÊNCIAS: Mobilizar a comunidade de CIÊNCIAS para a promoção da sustentabilidade no Campus”, desenvolvido pela FCUL, em prol da biodiversidade do campus e que conta já com mais de 1.500 observações e mais de 470 identificações de espécies. Apresente-nos deste projeto que propõe aplicar o conceito de sustentabilidade nos espaços verdes da FCUL e caracterizar e monitorizar a sua biodiversidade ao longo do tempo.

Este foi o projeto vencedor da 1.ª edição do Concurso de Ideias para a Sustentabilidade de Ciências, uma iniciativa do Laboratório Vivo. Reconhece-se assim a importância dos espaços verdes e da biodiversidade no cumprimento de metas referentes a três dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS 15 – Proteger a Vida Terrestre, ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, e ODS 4 – Educação de Qualidade). Não se restringindo apenas ao campus de Ciências, inclui também a infraestrutura verde envolvente e estabelece uma parceria com a plataforma de Ciência Cidadã Biodiversity4All. Trata-se de um projeto colaborativo que mobiliza todos os setores da comunidade de Ciências e os cidadãos em geral, para a observação, monitorização e divulgação dos valores naturais e serviços de ecossistema em prol do bem-estar humano (e.g., mitigação dos efeitos extremos das ondas de calor, sequestro de carbono, saúde mental) avaliando as tendências face às alterações climáticas. É um projeto emblemático que concilia as várias vertentes da sustentabilidade e se baseia nos eixos de atuação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável: Pessoas, Planeta, Prosperidade, Parcerias e Paz. A resposta que transparece nos números de registos já efetuados, e atividades associadas, é reveladora da ampla aceitação da iniciativa.

No sentido de garantir uma operação e desenvolvimento sustentável da instituição, considerando as três dimensões da sustentabilidade (económica, ambiental e social), têm sido adotadas práticas que visam uma maior eficiência energética e hídrica, a gestão adequada dos resíduos, o controlo das emissões de gases com efeito de estufa, a diversificação dos espaços verdes como forma de promover a biodiversidade urbana, ou a promoção da coesão e solidariedade social. Atualmente, quais as principais medidas e iniciativas desenvolvidas com vista a promover a sustentabilidade, eficiência energética e reciclagem, dentro do campus universitário?

Em 2015 deu-se início a um processo de conversão gradual de toda a iluminação dos edifícios para tecnologia LED bem como da substituição progressiva de equipamentos de climatização já muito antigos e que, portanto, apresentavam eficiências muito reduzidas. Procurou-se assim ir aumentando a eficiência no uso da energia elétrica sem desperdiçar todo o investimento feito até então neste tipo de materiais/equipamentos. Este processo está neste momento em fase de conclusão. Ainda nesta linha de atuação, tem vindo a proceder-se à substituição gradual de janelas antigas em fachadas sul de edifícios, instalando caixilharia de corte térmico com vidro duplo, com possibilidade de abertura basculante, e estores exteriores. Este processo tem vindo a gerar poupanças associadas à climatização e, simultaneamente, a aumentar o conforto interior para os utilizadores.

Relativamente ao uso eficiente da água potável, iniciou-se igualmente em 2015 um processo de identificação de fugas em condutas enterradas, e de substituição das mesmas por condutas superficiais. Este processo, que conduziu a diminuições significativas dos consumos, encontra-se neste momento em fase de conclusão. Entretanto foram igualmente tomadas outro tipo de medidas como seja a instalação de torneiras com sensor em lavabos, ou a diminuição progressiva da pressão de distribuição no interior do campus.

Acreditamos que, feito este trabalho de base, urge uma campanha que vise a obtenção de novas poupanças nestas duas áreas com base no efeito comportamental da população do campus. Este trabalho será iniciado brevemente.

Criada em 2018 com o intuito de fomentar a partilha de conhecimentos, iniciativas e casos de sucesso, através da promoção de ações conjuntas dentro da temática Campus Sustentável, a Rede Campus Sustentável -Portugal é uma rede de cooperação entre diversas instituições de ensino superior nacionais para a implementação dos princípios e a prática do desenvolvimento sustentável nas vertentes ambiental, social e económica.  A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa faz parte da Rede Campus Sustentável desde 2019 e vem participando de forma ativa em diferentes grupos de trabalho. Atualmente, qual é a participação da FCUL nos grupos de trabalho da RCS-PT?

Em outubro de 2019 durante a 1.ª Conferência Campus Sustentável (CCS 2019), Ciências passou a integrar a Rede Campus Sustentável (RCS) através da assinatura de uma carta de intenções que constitui um compromisso com princípios e práticas de sustentabilidade no ensino superior. Desde aí, Ciências demonstrou a sua atividade participando na 2.ª Conferência Campus Sustentável 2020 (CCS2020), com várias contribuições, em áreas que vão desde a economia circular até à ecologia urbana.

Ciências está ativamente representada em todos os Grupos de Trabalho (GT) que compõem a RCS: Cidades e comunidades sustentáveis, Economia circular, Eficiência energética, Eficiência hídrica, Ensino e curricula para a sustentabilidade, Gestão de resíduos, Governança e estratégia para a sustentabilidade, Igualdade de género, Mobilidade sustentável e Sustentabilidade da produção e do consumo alimentar.

No âmbito destes GT têm sido desenvolvidos diversos webinários com a participação ativa de Ciências.

O que podemos esperar do Laboratório Vivo para a Sustentabilidade @ Ciências ULisboa para o futuro e quais os projetos ou atividades que ainda pretende implementar no âmbito da promoção da sustentabilidade?

A criação do Laboratório Vivo@Ciências agrega e consolida um conjunto de iniciativas em curso já há vários anos, mas que agora se alinham no âmbito da estratégia da Escola em se assumir como uma comunidade, colaborativa e inclusiva, preocupada com o futuro, e que adota conscientemente os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Tratando-se de uma instituição de ensino superior, um dos seus eixos prioritários de atuação é a promoção de uma educação de qualidade (ODS 4) assente na promoção dos princípios da sustentabilidade. A sua ação extravasa esta prioridade assumindo uma estratégia de governança que aplica esses princípios, desenvolve investigação na procura de soluções para os problemas societais, e promove o envolvimento ativo da sua comunidade “dentro-e-fora” de portas. Ciências manterá este compromisso com a transformação da sociedade e a sua visão de futuro em prol do desenvolvimento sustentável. Em resumo, este Laboratório Vivo pretende ser uma janela de partilha de boas práticas aberta ao exterior através da qual Ciências pretende contribuir e receber contribuições para o desafio da sustentabilidade.