Figueira de Castelo Rodrigo que aproveitou os últimos meses para se reinventar e ainda encontrar espaço para cumprir as promessas feitas ao eleitorado. O município, foi além das expectativas com o mote de que “as pessoas continuam a ser o mais importante”. O Presidente da Câmara Municipal, Paulo Langrouva, conta-nos que, dos desafios e falta de oportunidades resultantes de um contexto pandémico em que o mundo mergulhou, também surgiram ações positivas como uma procura exponencial pelo turismo de natureza, que já existia, mas que agora teve a tão merecida adesão.

Presidente da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo - Paulo Langrouva
Paulo Langrouva, Presidente da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo

O panorama atual trouxe consigo desafios de diversas ordens.  No entanto, e como em todas as crises, houve quem desse a volta por cima, se reinventasse, descobrisse novas formas de sobreviver e até de prosperar. A pandemia trouxe consigo uma nova realidade e até o turismo nacional vive agora uma nova era. Dados recentes demonstram que Portugal registou um aumento na procura de turismo de natureza, sobretudo nas regiões do interior. A preferência dos portugueses por territórios que possibilitam um contacto mais próximo com a natureza é inquestionável. No entanto, também os turistas estrangeiros, que todos anos visitam o nosso país são, cada vez mais, adeptos do que de melhor o interior de Portugal tem para oferecer. Na lista de preferências estão, sobretudo, os territórios do Norte e Centro de Portugal, onde não podia deixar de figurar Figueira de Castelo Rodrigo.

O município da região do Ribacôa brinda qualquer que por lá passa com as suas paisagens e castelos junto ao vale do Côa e nos contrafortes da majestosa Serra da Marofa. Apesar do tempo menos positivos, este lugar não se entregou à sorte e decidiu transformar todos os desafios em oportunidades de crescimento a todos os níveis.

Paulo Langrouva assumiu a presidência em 2013, mas garante que estes últimos dois anos foram especiais. “Nestes últimos quatro anos, e em particular os últimos dois anos, foram dedicados à situação pandémica. Apesar de ter sido um período complicado conseguimos cumprir o nosso dever cívico e garantir o bem-estar das pessoas. Prestamos apoio às famílias através de suporte alimentar, de medicação, da redução ou mesmo não pagamento da fatura da água, da distribuição de fichas de trabalho aos alunos, conseguimos 40 computadores para que os alunos pudessem assistir às aulas para não correrem o risco de ficar para trás. Mobilizamos as equipas necessárias para prestar auxílio às pessoas – o que obrigou a um redobrar de esforços – e assim assistir a todos. Seguimos em frente com projetos que estavam já previstos e edificámos outros de forma a continuar a dar a melhor qualidade de vida a quem cá vive. Cumprimos os nossos projetos e ideias e ainda conseguimos ir mais além”, esclarece o autarca.

Apesar de estar a ter um mandato agridoce devido a todas as contrariedades, Paulo Langrouva, revela que o balanço é muito positivo e que não ficou resposta por dar a nenhuma iniciativa.

“Tínhamo-nos comprometido a criar um Centro de Dia e o mesmo já está em fase de acabamentos, decidimos criar uma clínica de fisioterapia geriátrica e um centro de imagiologia e também já foram criadas as condições começar esses projetos e ainda temos em mãos um projeto de âmbito empresarial que albergará empresas do município”.

FIGUEIRA DE CASTELO RODRIGO, A TERRA DE ENCANTO
Figueira de Castelo Rodrigo

O turismo como um dos motores de desenvolvimento local

Figueira de Castelo Rodrigo tem uma das mais bonitas Aldeias Histórica de Portugal, uma das “7 Maravilhas de Portugal” e recebe anualmente cerca de 150 mil visitantes nacionais e internacionais.

O turismo foi e será um dos eixos fundamentais da terra das migas de peixe. Bordado pelo rio Águeda, ali perto da fronteira com Espanha, na área do Parque Natural do Douro Internacional, Figueira de Castelo Rodrigo tem um ponto de passagem para os cruzeiros turísticos: Barca d’Alva – que oferece as suas paisagens naturais a quem corre o Rio Douro.

As embarcações que trazem os turistas até ao município são cruciais na afluência turística. Embora no panorama atual não sejam realizadas, Paulo Langrouva, acredita que quando a normalidade for restabelecida, as embarcações voltarão a ter um papel fundamental no desenvolvimento do concelho.

Ir a Figueira de Castelo Rodrigo e não se deparar com a natureza em que o município está inserido é impossível e, por isso, obrigatório a quem visita esta terra por toda a sua fauna e flora. Figueira de Castelo Rodrigo é pioneira na primeira reserva privada a nível nacional, a Reserva Faia Brava.

Várias apostas foram feitas por parte do município de forma a impulsionar o turismo e algumas delas contam algumas histórias do lugar como é o caso daconstrução do Centro Interpretativo da Batalha de Figueira de Castelo Rodrigo que já se encontra na fase final. A famosa batalha de Salgadela aconteceu a 7 de julho de 1664, quando as tropas portuguesas, sob o comando de Pedro Jacques de Magalhães, derrotaram os inimigos espanhóis que procuravam, a todo o custo, reassumir o domínio de Portugal.

Também no mesmo leque de apostas está a construção do Centro Judaico e do Centro Interpretativo da Torre das Águias. “Queremos que as pessoas que nos visitam tenham motivos para ficar mais do que um dia”.

Motivos não faltam para visitar Figueira de Castelo Rodrigo, além da Aldeia Histórica, um ícone do turismo local que continua a ser um foco de atenção por parte do município e que, neste momento, tem um projeto dedicado em andamento.

Ciência Cidadã e a Plataforma de Ciência Aberta

A funcionar desde julho de 2017, a Plataforma de Ciência Aberta, surge como o primeiro centro da rede internacional Open Science Hub, numa parceria entre o Município de Figueira de Castelo Rodrigo e a Universidade de Leiden, na Holanda.

Com o objetivo de aproximar a ciência, a tecnologia e a inovação do quotidiano das comunidades locais e regionais, a plataforma visa promover o desempenho escolar e impulsionar o empreendedorismo e a inovação social na região, através de colaborações entre a escola, sociedade civil, empresas, universidades e a comunidade em geral.

A Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo criou um concurso chamado Ciência Cidadã, “pioneiro a nível nacional”, através da Plataforma de Ciência Aberta, no qual os temas de investigação são definidos pelos próprios cidadãos.

“É um conceito em que é possível aproximar os cidadãos em projetos científicos com o objetivo de gerar conhecimento”. Em Portugal esta iniciativa ainda não tem muita visibilidade, mas é orgulhosamente que o autarca diz que Figueira de Castelo Rodrigo “está a dar os primeiros passos”.

A ideia principal é “desafiar os munícipes e outros conhecedores do território a identificarem problemas e desafios da região e a colocarem questões de interesse regional, que vão servir de base para uma investigação científica”, revela.

A Plataforma de Ciência AbertaMunicípio de Figueira de Castelo Rodrigo, em colaboração com a Rede de Comunicação de Ciência e Tecnologia de Portugal e a Universidade de Coimbra, integra o consórcio europeu EU-Citizen.Science, financiado pelo programa-quadro da União Europeia H2020. O EU-Citizen.Science tem como objetivo construir uma plataforma central para a ciência cidadã na Europa, permitindo a partilha de recursos relevantes, incluindo ferramentas, boas práticas e módulos de formação.

Em curso estão, neste momento, quatro projetos que casam com as três palavras mágicas: sustentabilidade, inovação e tecnologia.

Estas são as três palavras mais ouvidas quando o tema é desenvolvimento. No entanto, da palavra à ação a distância pode ser dolorosa e nunca chegar a vias de facto. Em Figueira de Castelo Rodrigo o prometido é devido e, com isso, nos temas adjacentes ao futuro pela via da inovação, o município mais uma vez não fica aquém das expectativas.

A criação de um Eco Parque, um projeto que resulta de uma candidatura ao Turismo de Portugal, e cujo objetivo é acabar com o tráfego dentro da aldeia. Quem quiser passear pelo interior das muralhas poderá fazê-lo a pé ou numa bicicleta elétrica, por exemplo.

O projeto “Replay”, em que Figueira de Castelo Rodrigo é um dos cinco municípios portugueses que participa na iniciativa, propõe a recolha e triagem de brinquedos estragados, é apoiada pelos cidadãos e pretende testar a criação de um circuito de reciclagem de brinquedos com o auxílio das comunidades “Precious Plastic”, locais para a transformação criativa do plástico em novos brinquedos ou objetos de maior utilidade.

E ainda o “Drinkable Rivers Hub”, Rios Potáveis em português, um projeto que está distribuído por quinze países e que, em Portugal, está sob a alçada de Figueira de Castelo Rodrigo e tem como foco avaliar a qualidade da água do Rio Douro.

Morar em Figueira de Castelo Rodrigo

O município oferece a algum tempo apoios direcionados para a fixação de pessoas e de captação de investimento para o território. Para novos residentes, a câmara municipal tem um conjunto de benefícios fiscais em sede de IRS por um período de dez anos, por exemplo. Desde a devolução de 20% de IRS àqueles que escolhem Figueira de Castelo Rodrigo como morada principal, à não cobrança de derrama municipal ou o apoio à natalidade que se traduz num prémio de mil euros para o primeiro filho e de 1,250 euros a partir do segundo.

“Terra de encanto”

Ali perto da fronteira com Salamanca, Figueira de Castelo Rodrigo enche de orgulho quem lá vive e quem por lá passa. Cercado pelos rios Douro, Côa e Águeda, o município, que aposta na vanguarda e na qualidade dos seus cidadãos, é um lugar convidativo que nos brinda com história, cultura e natureza num quadro só.

Não se pode falar em Figueira de Castelo Rodrigo sem falar das suas gentes humildes, hospitaleiras e com tanto a oferecer a quem quiser entrar nesta terra que mais parece saída de um filme de encantamento.

A gastronomia conhecida pelo borrego da Marofa, assado no forno, na brasa ou ensopado, a variedade de doces, fumeiros, queijos, compotas, vinhos, azeites e amêndoas, faz o deleite dos apreciadores da tradicional gastronomia portuguesa.

Seja para ver as amendoeiras em flor, a Ribeira da Faia Brava, o mosteiro ou para provar as migas de peixe ou a sobremesa típica tarte de gravanços. A melhor parte? As pessoas, conhecidas pela arte de bem receber. “Quem nos visita sente saudade e volta”, conta Paulo Langrouva.

Paulo Langrouva - Presidente da Câmara Municipal de Figueira Castelo Rodrigo
Paulo Langrouva – Presidente da Câmara Municipal de Figueira Castelo Rodrigo