João Paulo Ferreira, Portugal Country Manager da Haier Europe

A líder mundial, em eletrodomésticos, há 12 anos consecutivos celebra mais uma vitória. O grupo Haier provou que consegue estar sempre na vanguarda e já atingiu algumas das metas que pareciam impossíveis para o setor. João Paulo Ferreira, Portugal Country Manager da Haier Europe, revela a superação de objetivos traçados e quanto o espírito de equipa contribuiu para atingir excelentes resultados.

A Haier é líder mundial, em grandes eletrodomésticos, pelo 12.º ano consecutivo, segundo o Euromonitor 2020. Esta foi uma das maiores conquistas da Haier Europe no ano transato?

O ano de 2020, e os primeiros 8 meses de 2021, foram tempos muito desafiantes para todos. Obviamente que a parte da saúde e a gestão dos recursos humanos foram, de longe, os maiores desafios ao regular funcionamento das empresas e instituições. As restrições impostas, o teletrabalho, tudo contribuiu para que se gerasse incerteza e que nos fizesse questionar tudo. Felizmente, passados 20 meses, e em abono da verdade, temos de dizer que passámos um pouco pelos intervalos da pandemia, sendo um dos setores que teve uma performance acima do que seria expectável. A verdade é que mudámos de instalações durante este período de incertezas e ainda não tivemos oportunidade de o inaugurar condignamente.

O ano transato foi um ano que seguiu a tendência dos anos pré-pandemia, a companhia cresceu a dois dígitos, solidificando posições em várias áreas de negócio. Continuámos a investir em espaços de marca em lojas de referência do país, contribuindo para que o consumidor identificasse facilmente os nossos artigos. Estes períodos de incerteza, são os que nos obrigam a pensar fora da caixa e arriscar mais. Ter uma atitude resiliente, é uma característica intrínseca na nossa companhia.

Infelizmente, este ano, está a revelar-se agora muito mais difícil para o setor, dados os problemas de falta de componentes, o grave aumento do preço das matérias-primas e dos custos logísticos que atingiram valores recorde e que criaram um aumento exponencial do produto final, que terá graves repercussões junto do consumidor com aumentos consideráveis. Infelizmente este problema tem vindo a agravar-se e espera-se que continue durante 2022.

O novo escritório e showroom de Lisboa já estão a completar um ano. As marcas do grupo têm vindo a crescer de forma equitativa? O volume de vendas é equilibrado em comparação com as três marcas do grupo?

As novas instalações, para onde mudámos em agosto de 2020, foi o cumprir de um desejo e foi na altura certa porque com as exigências de espaço para cumprir as regras sanitárias da DGS, no que ao protocolo Covid-19 se referia, teríamos de ter muito mais espaço do que tínhamos nas anteriores instalações. Agora temos espaço para poder manter as pessoas a trabalhar mais á vontade e criámos um espaço dedicado a Showroom e formação, inclusive com uma cozinha funcional.

Quanto ao volume de vendas, as marcas Candy Hoover fazem hoje a grande fatia de faturação, porque a Haier tem um ano de atividade no nosso país. Contudo, o crescimento tem sido extraordinário e deixa antever que o futuro será muito risonho.

A Haier, tratando-se de uma marca Premium, encontra sempre as dificuldades de uma marca nova porque é, entre nós, portugueses, pouco conhecida, mas estamos a fazer de tudo para que esta seja cada vez mais uma opção no nosso mercado.

Chef Rui Paula, embaixador em Portugal da marca de eletrodomésticos Haier
Chef Rui Paula, embaixador em Portugal da marca de eletrodomésticos Haier

Apostaram no famoso Chef Rui Paula, detentor de duas estrelas Michellin, como embaixador em Portugal da marca de eletrodomésticos Haier. Explane o impacto e feedback do público a esta aposta.

A Marca #1 em Eletrodomésticos teria de escolher também o Chef #1 em Portugal. Foi extremamente gratificante, o Chef Rui Paula ter aceitado o desafio de ser nosso embaixador. Apesar de ser uma marca que em Portugal está ainda a dar os primeiros passos, todos reconhecem que tem um enorme potencial. Tem sido muito recompensador trabalhar com o Chef e, obviamente, a sua imagem ajuda a marca a demonstrar todo o seu valor aos interessados por marcas Premium.

O mercado de encastre está maduro e tem muitas marcas a operar há muitos anos. Entrar neste mercado obrigava a reinventar produtos, características, a lançar conceitos inovadores e a proporcionar experiências extraordinárias a quem cozinha e esses são alguns dos objetivos da marca Haier. 

Encastre

A hOn app permite que todos os eletrodomésticos interajam entre si e também com outras áreas. De que forma funciona esta tecnologia e como contribui para uma vida doméstica mais saudável?

A hOn, foi criada para colocar o IOT acessível em todos os eletrodomésticos, criando um ecossistema entre eles, com um único fim: facilitar a vida ao consumidor.

Esta App agrega todos os artigos das marcas do grupo, oferecendo para cada uma delas as funcionalidades que foram estudadas para os seus utilizadores. Ou seja, a app é a mesma, mas o acesso tem diferentes caminhos consoante a marca a que o utilizador acede. O grupo foi pioneiro na utilização do IOT nos eletrodomésticos e a evolução tem sido diária. Hoje num patamar tão importante que justificou um evento em Milão no salão do design, com um espaço totalmente dedicado à conectividade. 

O grupo usa muitas vezes a expressão “democratização do IOT”, porque transversalmente para as marcas do grupo, inclusivamente a com a marca Candy que tem gamas de produtos acessíveis a todos. A ideia é que possamos entrar em todos os segmentos com artigos conectáveis que hoje são já uma realidade, permitindo uma interação com os consumidores e facilitando a vida destes. O futuro passa pela conectividade em todas as áreas, permitindo que os produtos se “relacionem” e comuniquem com os utilizadores.

Equipa Haier
Equipa Haier

A Haier marcou recentemente presença na feira de Milão. O que representou este regresso à “normalidade”?  Quais foram as novidades apresentadas?

A Haieresteve presente no evento, mas nós (Portugal) decidimos não ir devido ainda às questões relacionadas com a pandemia. No evento não foram apresentados produtos, mas os conceitos de ecossistemas de interação entre os vários produtos e a inteligência artificial ligada aos mesmos. Por exemplo, máquinas que podem funcionar tirando fotos à roupa que se quer lavar e a máquina escolhe o programa adequado para o fazer. Aplicando o mesmo conceito na roupa e na louça. Frigoríficos que scanarizam os produtos e datas de validade e, posteriormente, avisam e sugerem receitas para os produtos que temos no frigorifico. As caves de vinho que ligam com as Apps em torno do vinho e que nos aconselham o que beber com o prato que fotografamos e com a receita que tirámos de um dos fornos. Fornos e micro-ondas que têm uma panóplia de receitas em memória e que possibilitam a criação de receitas próprias para que quando as queiramos utilizar seja possível escolhê-la e carregar num botão. 

Todos estes conceitos serão mais ou menos transversais às três marcas. 

A Hoover SDA apresentou um scan que mede o nível de pó e ar menos clean e envia mensagens ao purificador para iniciar e ao robot para aspirar a casa, entre outras funcionalidades que facilitam a vida dos utilizadores.

No fundo, o stand desta feira, em Milão, era a explicação dos vários conceitos da conectividade e inteligência artificial, aplicadas aos eletrodomésticos. Com ambientes por marca, onde cada uma tinha uma “casa” onde os seus produtos comunicavam entre si e com o utilizador. 

A estratégia “Zero Distance” é a forma de agir a que o Grupo Haier habitou os seus clientes. De que forma contornaram o encerramento temporário das lojas e qual foi o impacto nas vendas online? O consumidor nacional estava preparado para a realidade do comércio online?

AZero Distancenão é um slogan, é uma forma de estar e agir. Na realidade, a necessidade de estar próximo dos nossos consumidores, começa por criar artigos que preencham as suas necessidades e depois fazer com que se possa estudar os hábitos de uso, para criar programas personalizados, para um uso mais facilitado próximo da realidade. Queremos estar próximos dos nossos clientes e discutir sempre as melhores formas de chegar ao consumidor de forma clara e eficaz.     

Na verdade, grande parte das lojas estiveram pouco tempo encerradas, na sua maioria, havia restrições de horário e lotação, mas estiveram (quase sempre) abertas ao público. As vendas online foram potenciadas ao máximo por nós, com lead time de entregas de 24 horas, criando mais e melhores conteúdos para a web. No período de lockdown, nunca parámos e estivemos sempre disponíveis para encontrar soluções para as solicitações.

As vendas online cresceram exponencialmente sendo que Portugal era um dos países que tinha o menor share de vendas por internet na União Europeia. Agora que começamos a voltar a alguma normalidade, acredito que as vendas na internet possam manter-se em níveis bastante mais altos do que anteriormente. Para isso contribuiu e contribuirá sempre uma boa experiência de compra por parte do consumidor, só assim este se sentirá confiante em fazer este tipo de compras.

Em pleno confinamento, as etiquetas energéticas foram alteradas. Considera que a escolha do consumidor que tinha de comprar online ficou mais dificultada?

Em questões energéticas, os produtores têm apresentado grande dinamismo e encontram-se disponíveis para inovar de forma a cumprir e superar as metas impostas pelas diretrizes da União Europeia.

As alterações de etiqueta, ou seja, dos parâmetros, causam sempre algumas dúvidas ao consumidor, mas estas alterações tiveram muito que ver com a forma de as medir.

Mais uma vez, o grupo provou que consegue estar sempre na vanguarda e atingiu algumas metas que pareciam impossíveis para o setor, colocando-se na frente no que às classes energéticas diz respeito.

Quanto ao processo de venda, penso que até será mais fácil pois toda a informação já se encontrava disponível e foi bem destacada de forma a informar e esclarecer os consumidores. Às vezes é melhor deixar na mão dos consumidores para lerem e tomarem a sua própria decisão, do que criar (muito) ruído à volta de uma questão que no final é fácil de entender, sem ouvir opiniões menos fundamentadas que possam distorcer alguma informação.

O grupo tem tido uma performance que permite ter o destaque de ser considerado o grupo com o crescimento mais rápido no nosso setor. Em Portugal, os últimos três anos foram marcados com crescimentos muito acentuados que permitem ao Grupo ter, atualmente, uma posição mais forte no mercado.

Para terminar, gostava de deixar um agradecimento público às pessoas que trabalham nesta empresa porque para um grupo tão pequeno de pessoas conseguir, nestes últimos anos, resultados de crescimento a dois dígitos exigiram muito empenho, concentração e sacrifício próprio e das famílias para estarem sempre disponíveis para tudo. No pico da pandemia, todos mostravam vontade de nunca parar e desdobraram-se em soluções para que tudo corresse bem. É um orgulho imenso poder liderar este conjunto de pessoas.

A frase não é minha, mas cabe perfeitamente para explicar a “Haier Atitude”: “Uma equipa não é um conjunto de pessoas que trabalham juntas. Equipa é um conjunto de pessoas que confiam uns nos outros e lutam por um só objetivo”.

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