Um ensino adequado à região, mais próximo do tecido empresarial e descentralizado, são as principais bandeiras do Politécnico de Coimbra para um futuro que, nas palavras do Professor Doutor Jorge Conde, se espera mais atrativo e entusiasmante no ensino superior.

Professor Doutor Jorge Conde, Presidente do IPC
Professor Doutor Jorge Conde, Presidente do IPC

O Politécnico de Coimbra é uma das mais conceituadas instituições de ensino do país, com uma oferta formativa adequada às necessidades da região onde está inserida?

Essa tem sido uma das nossas bandeiras e sabermos responder bem ao que a nossa região precisa. O futuro vai ser muito diferente do que estamos habituados na relação com o mercado de trabalho. As empresas não querem profissionais muito abrangentes, nem demasiado especializados, mas sim adaptados à realidade da região. Temos de dar o mundo aos estudantes e isso significa que possam trabalhar em qualquer parte do mundo, mas o principal emprego está, muitas vezes, ao lado. Cada vez mais, a formação vai ser baseada em competências, mais do que em títulos. Portanto, acho que a oferta formativa vai responder a essas exigências. Isso já acontece com os CTeSP, porque já formamos em função das empresas que disponibilizam os espaços para estágios, em função das suas necessidades.

E, nesse sentido, têm parcerias com empresas da região que vão ao encontro dessas exigências?

As parcerias são estabelecidas diretamente pelas escolas, a não ser que sejam grupos empresariais de grande dimensão que abarquem as áreas das seis escolas. Aliás, algumas das nossas escolas têm centenas de parcerias com empresas adaptadas aos seus setores de formação. Por exemplo na saúde, temos parcerias com todos os hospitais públicos da região.

Trabalhamos muito na lógica do que o tecido empresarial tem para oferecer. Ainda falamos muito de transferência de conhecimento, mas, na realidade, as instituições de ensino superior estão a deixar de o fazer, estão sim, a procriar conhecimento com as empresas e, cada vez mais, a formação vai ser uma procriação. Este modelo justificou até agora o modus operandi do ensino politécnico, que daqui em diante vai justificar do ensino universitário também porque é a única forma de nos aproximarmos das empresas.

Esta instituição tem apostado também na modernização dos serviços e equipamentos?

Há laboratórios que por mais bem equipados que estejam nunca estão verdadeiramente atualizados e a corresponder às necessidades de quem os utiliza, por isso, estarão sempre melhor nas empresas. Na área da saúde, não podemos ter um equipamento de ressonância magnética ou de TAC numa escola. O equipamento fica obsoleto ao fim de cinco anos, porque sai um novo, é caro e não temos dinheiro para investir num novo de cinco em cinco anos. Portanto, precisamos de formar dentro dos hospitais, porque não só têm equipamento de última geração, como têm casos reais para serem diagnosticados. Uma realidade que se está a transferir para todas as restantes áreas e temos de estabelecer a ligação entre as empresas e os nossos laboratórios.

Também tem apostado muito no futuro através da descentralização da sua ação com a abertura de cursos noutros concelhos da Região de Coimbra?

Além de termos uma escola descentralizada, em Oliveira do Hospital, disponibilizamos cursos técnicos superiores profissionais em mais dois concelhos, na Mealhada e em Cantanhede. Muitos estudantes que não seguem o ensino superior, cerca de 50%, se confrontados com a ideia de não saírem da sua região e de continuarem a viver em casa dos pais para obter uma formação que o vai retirar do ordenado mínimo para o de um licenciado, na maioria dos casos, estuda mais dois anos. Há estudantes que nascem e crescem na região e que só concorrem para Coimbra. Pensamos que é um fenómeno marginal, mas não o é e justifica os 50% de alunos que não vão para o ensino superior.

Professor Doutor Jorge Conde, Presidente do IPC
Professor Doutor Jorge Conde, Presidente do IPC

O Politécnico de Coimbra está a levar o ensino superior à porta de casa dos estudantes, na expectativa de que sejamos capazes de os recuperar. Quero acreditar que, em 2022, estaremos em dez concelhos da região. Será cada vez mais importante adquirir esta ideia de descentralização, porque o CTeSP estão a ser um sucesso do ponto de vista de formação, segundo porque minimizam o alojamento, deslocações e alimentação. Esta descentralização vai permitir atingir confortavelmente uma meta maior de alunos no ensino superior. 

O que o que melhorou, o que se vai manter e o que se deve alterar?

Nos últimos anos, o ensino superior, e particularmente o politécnico, tem-se tornado mais atrativo, pelo aparecimento dos cursos técnicos e profissionais. Já existe oferta em mais de 130 concelhos do país, o que reforça a forte ligação ao tecido empresarial e, em concreto, à área da investigação, na qual os jovens se vêm envolvidos no segundo ano do curso. No nosso caso, temos feito uma grande aposta nesse sentido. Hoje, os nossos estudantes não só se vêm envolvidos, desde cedo, em projetos de investigação e com ligação à comunidade, como os ajudamos a publicar os seus artigos, patrocinados por bolsas. Tudo isso ajuda a que o ensino seja mais próximo e atrativo.

Claro que há muito para fazer. Precisamos de recuperar o nosso património imobiliário e de tornar os edifícios mais atrativos. O ensino superior precisa claramente de apoio financeiro, de subir no patamar tecnológico, mas tem dado passos gigantes que o tornam mais competitivo e entusiasmante.

O que podem os alunos esperar do Politécnico de Coimbra no ano letivo que se pretende que seja a transição e recuperação da normalidade pós pandemia?

Todas as semanas somos surpreendidos com subidas e descidas da Covid-19 e sendo uma incógnita e dada esta incerteza, estamos a preparar um ensino que se será 70% presencial e 30% à distância. Nas grandes turmas teóricas, onde temos muitos alunos na sala, vão manter-se online, mas nas aulas laboratoriais e teórico-práticas vamos ter condições para as fazer presencialmente. O aluno vai estar 2/3 dias na escola e o resto do tempo em casa, sendo que se mantém na cidade, e o ambiente universitário vai-se construir e voltar à normalidade.

Os estudantes que estão a concorrer para o ensino superior vão encontrar uma nova normalidade interessante e acho que mais entusiasmante do que esperam.

Professor Doutor Jorge Conde, Presidente do IPC
Professor Doutor Jorge Conde, Presidente do IPC
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