Os dados são oriundos de um estudo recente intitulado “A Vida em Casa”. O objetivo do mesmo é processar em maior detalhe a relação entre o lar e o bem-estar mental. No processo de adaptação a resultante da pandemia, os resultados aparentam ser agora mais positivos do que há um ano atrás.

Porém, nem todos os dados obtidos são particularmente otimistas. Os efeitos negativos também se fazem sentir em considerável proporção. Aqui, cerca de 1/3 dos inquiridos revelam dificuldades ao longo de igual período.

A vida entre portas criou uma nova forma de viver, repleta de desafios, mas também de alguns conceitos que podemos encarar com esperança.

Um Lar Onde Nos Sintamos Bem

Resultante das dificuldades enfrentadas, uma das prioridades maiores dos inquiridos passava pela mudança de casa em 2021. O mercado imobiliário comprova esta realidade com números sólidos. A compra de casa em Portugal atravessa uma fase dourada, com a procura a superar largamente a oferta.

A tecnologia oferece uma preciosa ajuda. Não só o processo de busca de casa é simplificado graças às melhores plataformas do meio, como é possível efetuar visitas virtuais e contactar proprietários ou agentes imobiliários em meros instantes.

Assim, em plena pandemia, pudemos interagir com imóveis de uma forma inovadora. Em muitos casos, este interesse concretizou-se numa mudança. Ainda que os valores de mercado estejam francamente elevados, a tarefa para encontrarmos uma casa à medida das nossas necessidades nunca foi tão simples.

Período de Adaptação

O que leva então a que nos sintamos melhor na nossa casa? É seguro afirmar que em 2020 muitos foram forçados a testar os limites da capacidade de adaptação e resiliência. Privados de uma liberdade de movimento que tomávamos por garantida, é natural que um lar se tenha rapidamente assemelhado a uma prisão.

A sua quota parte dos 33% que referem dificuldades com o seu bem-estar mental situar-se-á também entre estes inquiridos. Entre ameaças ao emprego, tensões familiares, ausência de interação social e um sentimento de incerteza generalizado, as fundações da estabilidade foram (e continuam a ser em parte) fortemente abaladas.

A adaptação a este período é distinta para cada um, pois cada história é igualmente única. Se alguns já olham para o presente com satisfação, outros escalam ainda uma montanha repleta de dificuldades.

Uma Luz ao Fundo do Túnel?

Já ao longo de 2021, 38% dos inquiridos assumiram que a sua saúde mental tinha melhorado como resultado do espaço que habitavam. Destes, uma parte considerável já havia optado por mudar de casa ou criou condições para viver melhor no espaço atual.

O momento que enfrentamos é repleto de incerteza. Apesar desse fator incontornável, acabamos por encontrar renovadas formas de viver e de valorizar o que outrora passava despercebido.

Com a instauração do trabalho remoto ou recorrendo a soluções híbridas, o tempo para a família e atividades pessoais nunca foi tão prioritário quanto agora. Se esse é o melhor produto dos últimos dois anos, não deixa de ser uma conquista de relevo.

O bem-estar mental está em muito associado ao espaço onde vivemos. A procura de moradias disparou ao longo da pandemia, quer para habitação primária, quer como produto turístico. Os portugueses valorizam agora e mais que nunca a possibilidade de usufruir de um espaço exterior. Por outro lado, a aceleração da adoção do trabalho remoto ofereceu a oportunidade a muitos profissionais para se estabelecerem em locais fora dos grandes centros urbanos. É ainda relativamente prematuro analisar os efeitos mais profundos deste período da história. Superados alguns dos maiores desafios, poderá ser altura de começarmos lentamente a olhar para o futuro com algum otimismo.