Insurtech é um dos termos mais recentes no mercado de seguros. Se para muitos este conceito se trata de uma novidade, para outros já é uma realidade bem presente no quotidiano de milhares de empresas e clientes. Mafalda Oliveira Monteiro, sócia e coordenadora de bancário & financeiro da Miranda & Associados, e Catarina Neto Fernandes, associada sénior de bancário & financeiro da Miranda & Associados, dão a conhecer um pouco melhor este conceito, que veio revolucionar o setor dos seguros em todo o mundo.

Miranda & Associados

Fundada há mais de três décadas, a Miranda & Associados é uma sociedade de advogados que atua em todas as áreas do direito ao serviço de um amplo conjunto de clientes, nomeadamente empresas multinacionais e em diversas jurisdições. A Miranda Alliance criada pela Miranda reúne cerca de 230 advogados em 14 jurisdições. Quais as principais vantagens de pertencer a esta rede de alianças?

Desde o início da sua atividade que a Miranda teve uma atividade de cariz internacional muito forte, em Portugal, como nas demais jurisdições através da Miranda Alliance, uma rede integrada de escritórios de advogados, unidos pela sua estratégia de negócio e valores comuns, que permite disponibilizar serviços jurídicos de qualidade numa base verdadeiramente coordenada.

Qual o impacto das novas tecnologias no sector financeiro e quais os desafios regulatórios destas novas tecnologias?

As novas tecnologias tiveram um grande impacto no sistema financeiro uma vez que vieram alterar os modelos de negócio, alargar a oferta de produtos e serviços financeiros e alterar a forma de acesso a produtos e serviços já existentes. Existem inúmeros desafios regulatórios, sendo de destacar a potencial necessidade de licenciamento para o exercício de uma atividade financeira, o que tem de ser apurado caso a caso, em função da atividade desenvolvida em concreto. Neste domínio, destacamos os desafios associados aos criptoativos. Na União Europeia, as autoridades pronunciaram-se no sentido dos criptoativos, dependendo das suas características, poderem ser qualificados como valores mobiliários ou como moeda eletrónica, ficando sujeitos à respetiva legislação. Fora desses casos, a emissão e prestação de serviços relacionados com criptoativos não se encontra sujeita a regulamentação especial. A Comissão Europeia apresentou recentemente um projeto de regulamento do Parlamento e do Conselho sobre o mercado dos criptoativos que prevê, entre outros, regras para as ofertas iniciais de criptomoeda e a obrigatoriedade de registo dos emitentes e dos prestadores de serviços relativos a criptoativos.

Insurtech é um dos termos mais recentes no mercado dos seguros. Um pouco por todo o mundo, este conceito já foi colocado em prática e os seus benefícios sentidos. O que é o Insurtech e de que forma mudou o setor dos seguros?

O termo “insurtech” resulta da aplicação das novas tecnologias (technology) aos seguros (insurance). São múltiplas as aplicações inovadoras, nelas se incluem propostas mais customizadas ao perfil de cada cliente, simplificação de processos de contratação, novos meios de informação e de comparação de produtos, tratamento de sinistros de forma mais automatizada e novas formas de avaliação de risco. Tomando como exemplo o seguro automóvel, podem ser criados meios para uma avaliação de risco baseada no automóvel e no condutor e não na declaração de sinistros do tomador. Isto pode ser feito através de dispositivos de telemática ou caixas negras que combinam tecnologias de telecomunicação e wireless, monitorizando o comportamento de condução de cada condutor. Para além disso, foram também criados seguros flexíveis. Existem outros exemplos como os denominados seguros on demand, em que o cliente liga e desliga a cobertura em função das necessidades. Antecipa-se que as Insurtechs tenham um papel cada vez mais relevante, na medida em que promovem a modernização do sector, melhoram os procedimentos de contratação de seguros e estimulam o desenvolvimento de produtos e serviços inovadores.