“Os vilaflorenses sabem receber quem os visita”

Eng. Fernanando Barros - Presidente do Município de Vila Flor
Eng. Fernanando Barros

Vila Flor é um concelho único. Um recanto batizado pela beleza que desponta nas suas paisagens e património e que se dá a conhecer pela simpatia das suas gentes. Fernando Barros assume a presidência deste município, desde 2013, e em entrevista à revista Portugal em Destaque revelou os segredos por detrás desta terra de “Encanto e Paixões”.

Assume, desde 2013, os destinos da Câmara Municipal de Vila Flor. Desde então o executivo tem vindo a desenvolver vários projetos de reconhecida importância em áreas como a ação social, turismo e cultura. Quais os projetos que marcarão este mandato?

Este mandato, ficará, de facto, marcado por alguns projetos nessas áreas, mas não só. Fica muito marcado, também, pela aposta na agricultura, designadamente com a aprovação de uma candidatura para a construção da Barragem da Redonda das Olgas, pela construção da rede de rega avaliadas em 10 milhões de euros e pelo reforço da rede de rega do Vale da Vilariça, no valor de nove milhões de euros. Em termos turísticos, investimos no Turismo de Natureza, que nos permitirá valorizar as paisagens naturais do concelho, bem como os miradouros naturais, cada vez mais, valorizados por quem nos visita.

O Tua Natureza tem, ainda, uma componente de desenvolvimento de percursos pedestres homologados, cujas rotas se situam entre algumas localidades do concelho que integram o Parque Natural Regional do Vale do Tua.

Em termos de turismo sazonal, continuamos a apostar no Complexo Turístico do Peneireiro, designadamente nas piscinas ao ar livre que, recentemente, foram alvo de obras de ampliação e requalificação.

Nos domínios da ação social, temos apostado nesta área, através do Regulamento de Emergência Social e do Regulamento de Apoio à Natalidade. Ainda em termos sociais, temos em andamento do Projeto CLDS4G, coordenado pelo Centro Social e Paroquial de Vila Flor, que tem desenvolvido atividades no sentido de perceber as fragilidades sociais do concelho. Em termos culturais temos caminhado no sentido de restruturar a rede de museus do concelho, com a construção de um novo museu, em Benlhevai.
Isso sem deixar de lado uma aposta na arte, designadamente através da construção em curso do “Encontro das Artes Graça Morais”.

Rico em história, tradições, monumentos e famoso na arte de bem receber, o concelho de Vila Flor destaca-se pelo seu potencial turístico. O que tem esta terra de “Encantos e Paixões” a oferecer a quem a visite?

Como terra de “Encantos e Paixões”, a sua beleza começa logo pela história que subjaz a sua designação. O nome de Vila Flor nasceu do encanto do rei Dom Dinis, que por aqui passou no ano de 1286 e ficou maravilhado com a paisagem natural, pelo que a esta vila se referia como a “a Flor das vilas”. Antes da passagem de Dom Dinis por Vila Flor já havia história a oferecer a quem nos visitasse. Essa história deixou legados patrimoniais que podem ser visitados no Museu Municipal Berta Cabral, ou em museus nacionais. Por tudo isto, a história é algo que os nossos visitantes podem respirar em Vila Flor, que se vislumbra desde as ruas estreitas e graníticas do centro histórico a monumentos como a Forca de Freixiel, sem esquecer uma visita ao Centro Interpretativo do Cabeço da Mina. Um vale conhecido pela abundante fertilidade dos solos, essa nascente de produtos hortícolas e frutícolas, a que se podem juntar produtos como o azeite, vinho, enchidos e queijos. Os vilaflorenses sabem receber quem os visita.

O turismo assume um importante papel na divulgação deste território transmontano?

O turismo encontra-se em fase ascendente. Os vilaflorenses estavam já habituados com o turismo sazonal de campistas que, todos os anos, vêm para o Complexo Turístico do Peneireiro. Todavia, nos últimos anos, desenvolveu-se a vertente de turismo rural e agroturismo um pouco por todo o concelho. Neste momento, com a dinamização do Parque Natural Regional do Vale do Tua, as perspetivas de aumento de turismo, através dos alojamentos locais, parecem-me uma realidade a concretizar-se a curto prazo. A par de tudo isso, não podemos deixar de mencionar a promoção de ideias de empreendedorismo dirigidas aos mais jovens, no sentido de, dessa forma, poderem fixar residência no território abrangido pelo parque. Para tal, o parque aliou-se ao município para criar um FABLAB-TUA, que possibilita a criatividade. E no sentido de promoção do empreendedorismo, o município também está a apostar na criação de uma Zona de Acolhimento Empresarial com 11 hectares. As pessoas que nos visitam passam a vislumbrar Trás-os-Montes de outra forma, experienciam o que de melhor há por cá e passam a palavra de muitas formas. Temos acompanhado o crescimento do turismo com estas características de valorização da natureza em regiões como o Alentejo e/ ou o Vale do Douro. Acredito que, se a economia recuperar ou cicatrizar rápido desta situação pandémica, com a continuação do trabalho que está a ser feito, que acaba por ser interinstitucional, a região poderá desenvolver-se muito neste domínio, inclusive através da promoção do turismo transfronteiriço.

2020 Trouxe consigo novos desafios. Perante a situação de emergência provocada pela COVID-19, os municípios mantiveram-se na linha da frente no combate à atual pandemia. Quais as ações desenvolvidas pela autarquia de Vila Flor nesse sentido?

As circunstâncias envolventes da pandemia fizeram com que intensificássemos os apoios sociais. Preocupados, ante a incerteza, decidimos criar, em cooperação com a Santa Casa de Misericórdia de Vila Flor e as Juntas de Freguesia, Centros de Acolhimento temporário, no sentido de criar espaços para caso necessário, acolher pessoas com COVID-19.  Além do Plano Social, também criámos uma bolsa de voluntários, a utilizar em caso de necessidade. No sentido de diminuir o isolamento social e diminuir a infoexclusão, intensificámos a comunicação com os munícipes e promovemos atividades, sobretudo para as crianças que estavam em casa. Criámos ainda, uma linha gratuita de atendimento à população, 24h por dia. Preocupados com as consequências negativas que surgiriam na economia concelhia, criámos um Plano Municipal de Emergência de Apoio às microempresas, com dotação de 200 mil euros. Isentámos o pagamento de água, bem como todas as rendas sociais e concessões no mês de abril. Procedemos à desinfeção de espaços públicos e locais de grande afluência de pessoas com o objetivo de diminuir risco de eventuais contágios. Distribuímos pela população, em parceria com os presidentes de junta de freguesia, kits com máscaras e álcool em gel, no sentido de incentivar o uso da máscara e do cumprimento das medidas e recomendações da Direção Geral de Saúde.

Prestes a entrar num novo, que será certamente repleto de desafios, que mensagem gostaria de deixar a todos os vilaflorenses?

Aos vilaflorenses deixo uma mensagem de prudência, no sentido de continuarem a utilizar máscara e lavarem as mãos com frequência, bem como todos os conselhos emanados pela Direção Geral da Saúde. Mas deixo, sobretudo, uma mensagem de esperança. Esta tempestade irá passar. Sejamos todos resilientes.