UM CAMINHO PARA A CURA

Na política, como em todas as áreas da sociedade, devemos estar sempre do lado das soluções. Esta premissa compreende a necessidade de termos uma postura positiva que vá de encontro com o nosso objetivo principal – contribuir para o presente e futuro do nosso país.

Ricardo Baptista Leite - Médico e Deputado - Vice-Presidentes do Grupo Parlamentar do PSD
Ricardo Baptista Leite

Nesse sentido, lancei a minha visão para o sistema de saúde português. Uma visão alargada, traduzida num livro, que pretende ser um dos caminhos para a cura dos problemas que têm posto em causa o direito à saúde de muitos cidadãos, agora ampliados e agravados com a crise pandémica que vivemos desde março. Se há algo que todos merecemos, é que o Governo entenda que para além da resposta à situação de emergência, é imperativo uma resposta de planeamento que garanta que os problemas do passado não se perpetuam no futuro, num inconveniente status quo que empurra o Serviço Nacional de Saúde para uma situação de insustentabilidade, e os portugueses para intermináveis listas de espera. Na prática, se nada se fizer, acabaremos com um sistema de saúde para ricos, e outro para pobres. E isto é absolutamente inaceitável. Acredito que é necessária uma profunda reformulação que recentre a prevenção da doença e a promoção da saúde como uma das apostas prioritárias, com uma aproximação real do setor social ao setor da saúde, colocando o bem-estar dos cidadãos no centro de todas as políticas. Colocar dinheiro novo sobre velhos problemas não é solução.

Aprendemos também, ao longo destes longos meses da pandemia COVID-19, que a economia e a saúde são duas faces da mesma moeda. Esta crise veio levantar o tapete que cobria algumas das mais profundas desigualdades da nossa sociedade, sendo claro que a pobreza é o principal causador de doenças nas sociedades contemporâneas. Assim, é determinante salvar a economia, o que por sua vez condiciona, tal como depende, da nossa capacidade de proteger a saúde dos portugueses.

As consequências devastadoras da pandemia colocaram a nossa economia está em cuidados intensivos. Os portugueses que passaram, por vezes, a sua vida inteira a tentar consolidar o seu negócio, vêm os mesmos ser destruídos num país que vai vivendo uma autêntica montanha russa de sucessivos confinamentos e relaxamentos, numa incerteza sobre o que o dia de amanhã ditará. É fundamental planear de forma clara, detalhada, realista e assente na ciência para que assim não volte a acontecer.

Sofrem hoje os que deviam ser protegidos, a quem se havia garantido que o país não fecharia por completo. Exigia-se que o verão tivesse servido para preparar o outono e inverno, de modo a evitar uma nova onda descontrolada de infeções, e assim proteger os portugueses, desde os mais idosos aos empresários, e seus trabalhadores. Dado o contexto alarmante, as empresas, motor da economia nacional, mereciam uma atenção redobrada neste Orçamento de Estado, mas, incompreensivelmente, foram esquecidas com a promessa de que a ‘bazuca europeia’ chegará, um dia, e em quantidade suficiente, para resolver todos os seus problemas. É urgente entender que é nas empresas que Portugal pode encontrar a força motriz para manter os postos de trabalho existentes, assim para executar uma estratégia por mais e melhor emprego no futuro. Mais, é necessário entender que, caso o governo defina que a economia tem de parar em detrimento da saúde dos portugueses, tal tem de ser respondido, na medida do possível, com apoios efetivos e imediatos para os setores mais castigados, da restauração à cultura, entre tantos outros.