Luis Filipe Mendes Teles, Presidente da Junta de Alvarenga

O turismo e a cultura têm tido um crescimento exponencial em Alvarenga. Luís Filipe Teles, presidente da Junta de Freguesia de Alvarenga, revela os projetos para o próximo mandato e a importância do musical “Um Novo Amanhã” para a localidade.

Foi reeleito Presidente da Freguesia de Alvarenga para o seu 3.º mandato. Considera esta vitória um reflexo do trabalho desenvolvido pela sua liderança em conjugação com a equipa que o acompanha?

Com certeza que é um reflexo do trabalho desenvolvido nos últimos oito anos. É lógico que há a expectativa de sermos sempre melhores, porque a nossa fasquia é sempre muito alta. Mas é o resultado, sem dúvida, daquela que é a nossa postura, a nossa humildade, do nosso trabalho e da nossa vontade: de estar sempre junto das pessoas. Julgo que os alvarenguenses sentiram isso. Somos pessoas que entendemos como é importante estar perto umas das outras e damos valor aos pedidos e soluções que as pessoas nos solicitam. Falamos com todos, sem excluir ninguém, independentemente das cores partidárias ou dos pensamentos. Quando os problemas existem e o são verdadeiramente, nós respondemos com prontidão. Somos uma equipa que analisa as questões que os alvarenguenses nos colocam, procuramos encontrar soluções que agradem à maioria da população e estamos sempre dispostos para dialogar.

Ponte Romana de Alvarenga (entre Arouca e Alvarenga)
Ponte Romana de Alvarenga (entre Arouca e Alvarenga).

Alvarenga é sobejamente conhecida pela qualidade dos bifes da raça arouquesa, mas a fama assumiu outros contornos quando inauguraram os Passadiços do Paiva. Apresente a atual realidade turística de Alvarenga e o impacto no comércio local nestes últimos anos.

Arouca e Alvarenga tem valorizado muito o território. Temos, por exemplo, o Arouca Geoparque. Nós já somos conhecidos, há muitos anos, pelo bife de Alvarenga com carne arouquesa e acumulamos fama e alguma notoriedade. A maioria dos restaurantes locais funcionam muito bem, porque sabemos muito bem trabalhar na produção de gado, de carne e também sabemos cozinhar e servir com qualidade. Temos essa fama e é, de facto, uma carne fantástica.

Mais tarde, surgiram os passadiços que nos trouxeram uma visibilidade enorme. Os Passadiços do Paiva permitem observar toda a beleza do território. Foi tão bem idealizado e construído que todas as pessoas que os visitam ficam abismados com a beleza natural que encontram.  

A Ponte 516 Arouca, a maior ponte suspensa do Mundo é, sem dúvida, a obra do século para Alvarenga, porque é uma artéria ligada ao coração, que são os Passadiços do Paiva. É uma estrutura incrível, única e que traz muitos visitantes famosos e curiosos.

É uma obra única que traz fama pelo património material e imaterial de Alvarenga. Neste sentido, Arouca tem crescido muito e esse crescimento também se reflete em Alvarenga. Neste momento é considerado um luxo viver em Arouca ou em Alvarenga.

A par com o turismo, o investimento na cultura assumiu mais relevância quando inaugurou o Centro Cultural de Alvarenga?

Essa tem sido uma das nossas bandeiras. Se estudarmos a história de Alvarenga, chegamos à conclusão de que esta localidade sempre se pautou pela cultura e esse facto deu dimensão cultural e conhecimento às pessoas. Entendemos perfeitamente que a cultura e a educação são fundamentais para o crescimento de qualquer território, freguesia ou cidade. Queríamos criar condições para as nossas associações poderem apresentar as suas criações e o trabalho desenvolvido pelos intervenientes e para que os nossos fregueses assistam a belíssimos espetáculos e demais ações culturais. 

O Centro Cultural de Alvarenga teve, até ao momento, todos os espetáculos esgotados. A infraestrutura dispõe de mais de 200 lugares e estiveram sempre esgotados, isto numa freguesia em que estão recenseados menos de mil pessoas. Portanto, a adesão dos alvarenguenses, dos seus familiares, amigos e dos turistas que nos visitam está refletida nesta adesão em massa. Os alvarenguenses respiram cultura e somos um exemplo de que faz todo o sentido levar a cultura às terras mais pequenas. 

Em cartaz têm o teatro musical “Um Novo Amanhã”, da ViVonstage, nos dias 12 e 13 de novembro que trata de factos reais, ocorridos durante a II Guerra Mundial em Alvarenga. Revele o impacto que este espetáculo teve nas instituições locais, estas estão envolvidas nesta dinâmica?

Temos o musical “Um Novo Amanhã” que irá representar o que nos vai no sangue. É um musical que tem lugar em Alvarenga, que efetivamente ocorreu aqui, na freguesia, e que nos diz muito, porque todos os alvarenguenses conhecem essa história. A nós, alvarenguenses, honra-nos muito e tenho a certeza que vai ter um enorme sucesso.

Os meus parabéns à organização, a Vivonstage, porque acredito que vai ser uma surpresa a nível nacional e vai ser muito positivo para Alvarenga e para o concelho de Arouca. A história é forte, numa época muito importante para Alvarenga e que mostra um bocadinho das nossas raízes, a nossa forma de estar e os valores que nos regem numa época que transformou a localidade.

A extração do volfrâmio, denominado ouro negro, trouxe riqueza e acesso à educação das gerações seguintes, contacto com culturas nacionais e internacionais, abrindo novos horizontes e aumentando a vontade de chegar mais além. Foi uma época que nos definiu-nos. Eu tenho um bocadinho do que é “Um Novo Amanhã”.

Alvarenga é rica em instituições e coletividades. A equipa da junta de freguesia, ao longo destes oitos anos, tem acompanhado, dado condições e reconhecido o trabalho destas. Tem sido fantástico trabalhar com pessoas empenhadas, muito capazes e nós entendemos que é uma mais-valia para a freguesia. Fez todo o sentido elas estarem presentes no espetáculo e tenho a certeza de que vão dar um brilho especial ao “Um Novo Amanhã”.

Acredita que a procura turística vai continuar a aumentar nos próximos anos?

Eu acredito que sim. Temos de acompanhar esse crescimento e já dispomos de infraestruturas importantes para o fazer. Isto é só o primeiro passo daquilo que pode ser o nosso futuro turístico. Preocupamo-nos que as pessoas sejam recebidas com qualidade. Portanto, estamos empenhados, mas sabemos que ainda há muito por fazer, nomeadamente ao nível das acessibilidades. Não queremos que as pessoas visitem apenas a ponte e os passadiços, mas que possam usufruir de toda a freguesia, porque existem outros locais igualmente magníficos por descobrir.

Revele os projetos principais que almeja concretizar neste mandato.

Temos vários projetos, mas, neste momento, há dois que considero fundamentais. O primeiro é referente ao parque habitacional. Notámos que muitas pessoas que saíram para as cidades estão a regressar à freguesia e recebemos pessoas que não têm raízes na região, para esses e todos os que o desejem, precisamos de criar habitações para compra e arrendamento. Este vai ser o nosso principal objetivo nos próximos quatro anos.

O segundo projeto passa por dar dimensão ao Centro Cultural de Alvarenga. O auditório está construído, mas falta o edifício da frente que tem as casas de banho, o centro de saúde e a futura sede do rancho. Essa será uma obra importantíssima para a freguesia.

Os outros projetos passam por construir uma sede da Junta de Freguesia, com biblioteca para criar um espaço destinado aos jovens. Para além disso, é necessário aumentar a rede de saneamento e de fornecimento de água canalizada. Também é necessário dar condições às escolas para poderem crescer, porque a educação é um pilar estruturante. Também temos expectativas de criar mais postos de trabalho, aliado com o crescimento económico e empresarial da freguesia.