No cargo de provedor desde 2010, Vítor Bragança já exercia funções na Santa Casa da Misericórdia de Mourão desde 2004, como tesoureiro, mas foi a sua ambição e vontade de fazer mais e melhor que o levaram à direção da instituição. Numa procura incessante por alcançar a qualidade que os seus idosos precisavam, o atual provedor viu que havia muito a fazer e começou por realizar várias obras de requalificação do espaço, conforme nos enumerou: “Quando cheguei aqui, faltava quase tudo. Não havia uma cozinha em condições, não tínhamos armazém, os quartos eram péssimos, por isso havia tudo por fazer. Ainda hoje continuamos nessa linha de melhorar, até porque hoje há uma grande concorrência, a nível dos lares, numa zona onde praticamente só existia o lar de Mourão. Hoje não é assim, há lares nas várias freguesias do concelho e nós temos de investir na qualidade para não perdermos para essa mesma concorrência”.

Em termos de funcionários, a SCM de Mourão tem cerca de 35 trabalhadores pois as pessoas que vivem no lar exigem cuidados específicos. Apesar do edifício ser renovado, possui ainda uma estrutura de um palácio antigo, o que dificulta a mobilidade dos utentes, sendo necessário um vasto número de profissionais que assegurem a mobilidade e bem-estar dessas mesmas pessoas.

Projetos desenvolvidos

“Inaugurámos há pouco tempo um refeitório. Era fundamental porque o que havia não tinha condições. Então, com a prata da casa, pintor, carpinteiro e pedreiros, construímos um novo espaço. Fizemos também alterações na cozinha, porque não estava ainda adaptada de acordo com as especificações da ASAE. Em 2018, deveremos conseguir concluir o nosso primeiro salão de convívio, com mobiliário adaptado a pessoas com dificuldades de mobilidade e vamos também adquirir dois secadores a gás”. Adiantou Vítor Bragança.

Apesar das iniciativas que tomam, o provedor lamenta que o trabalho que tem vindo a desenvolver não seja devidamente reconhecido e apoiado.

“A Santa Casa da Misericórdia de Mourão concorre a todos os concursos e projetos, mas depois nunca é contemplada e tudo o que temos feito tem sido do nosso bolso. Temos melhorado à nossa custa. Não tem havido aqui ajudas externas. Nós tínhamos o problema da lotação do lar, que está resolvido, mas agora existe o problema da licença de utilização. O problema está no equipamento contra incêndios, que é todo digital e custa cerca de 200 mil euros. Entretanto, estamos à espera do aviso do Portugal 2020, que ainda não saiu. Também concorremos aos fundos da Fundação Rainha Dona Leonor, precisamente para isso, mas não fomos contemplados porque havia outras Santas Casas, com outros projetos”.

 

Missão e valências

A Santa Casa da Misericórdia de Mourão é uma instituição social que tem como missão ajudar os mais carenciados, os pobres, e para isso possui determinadas valências. Neste momento, tem a valência de idosos internos e o apoio domiciliário. Neste momento, a taxa de ocupação atingiu o limite de 63 utentes internos. Quanto ao apoio domiciliário, têm acordo para 30, mas apoiam cerca de 17 pessoas.