Fundada em 2011 e localizada em Wollerau, Suíça, a Smartenergy Group concentra-se no investimento e desenvolvimento de projetos de energia renovável. Determinada, inspirada e orientada, a empresa reúne as habilidades certas para atingir um grande objetivo: avançar na transição energética e investir num futuro sustentável. João Cunha, Chief Operating Officer & Deputy CEO da Smartenergy, em entrevista à Portugal em Destaque, deu a conhecer os mais recentes investimentos realizados em território nacional, realçou o papel da empresa na descarbonização energética e revelou um dos principais objetivos para o futuro: produzir hidrogénio verde.

Joâo Cunha CEO Smartenergy
João Cunha, Chief Operating Officer & Deputy CEO da Smartenergy

A Smartenergy Group é uma referência mundial no investimento e desenvolvimento de projetos de energias renováveis. Poderíamos começar a nossa conversa por conhecer um pouco melhor o universo Smartenergy e de que forma tem vindo a conquistar o mercado europeu.

A Smartenergy é uma empresa suíça de investimento, com filiais nos principais mercados da Europa, incluindo Portugal, Espanha, Alemanha e Itália, que desenvolve, financia e constrói projetos de energias renováveis, nomeadamente envolvendo energia solar fotovoltaica, energia eólica e hidrogénio verde. O conhecimento local dos mecanismos do mercado, uma excelente rede de contactos e parcerias e um conhecimento profundo das necessidades dos investidores, assim como a competência técnica, financeira e jurídica, estão na base do nosso sucesso e têm-nos permitido a conquista do mercado internacional. Outro aspeto diferenciador, será o facto de desenvolvermos os nossos projetos sempre com foco de investidor, maximizando o valor dos ativos. Desta forma, estamos em toda a cadeia de valor para otimizar todos os detalhes. Estes ingredientes aliados ao dinamismo, agilidade, criatividade e flexibilidade permitem-nos aceitar conscientemente o risco (porque faz parte do nosso negócio), e mitigá-lo ao mínimo (porque sabemos como extrair valor de situações complexas). O facto de sermos uma empresa suíça permite-nos ainda ter acesso a investidores estratégicos para implementar os nossos projetos.

Tendo como principal objetivo avançar na transição energética e investir num mundo melhor, a Smartenergy marca já presença em diversos países europeus, como é exemplo Suíça, Alemanha, Itália, Espanha e, desde 2017, Portugal. O que motivou a Smartenergy a investir em terras lusitanas e qual o balanço desta presença no mercado nacional?

A Smartenergy decidiu investir em Portugal, numa altura em que já se encontrava em Espanha. Entra no mercado português em 2017, com a aquisição de alguns projetos eólicos. Em 2018 adquiriu uma empresa portuguesa de desenvolvimento de projetos e decidiu iniciar o investimento em centrais solares fotovoltaicas. O passo seguinte foi a tomada de uma participação maioritária numa comercializadora de energia, a Muon Electric, que desde 2020 é detida a 100% pela Smartenergy. A Muon Electric assegura a ligação a milhares de consumidores, domésticos e empresariais, fazendo a ponte entre a capacidade de geração de energia verde e o utilizador final, de forma eficiente e responsável. A Smartenergy é, por isso, uma empresa verticalizada, que assegura a sua presença ao longo de toda a cadeia de valor da energia verde. A carteira da empresa inclui diversos projetos, totalizando mais de 1 GWp de capacidade fotovoltaica em Portugal. Um destes projetos, localizado em Mogadouro, foi ligado à rede elétrica no passado mês de dezembro, e até final de 2022 teremos mais seis centrais fotovoltaicas a operar de norte a sul do país.

Smartenergy - Central Solar Fotovoltaica de Mogadouro
Smartenergy – Central Solar Fotovoltaica de Mogadouro

Portugal tem sido e continua a ser um mercado estratégico para a Smartenergy. A filial em Portugal, sediada em Matosinhos, acolhe o Centro Global de Competências, com cerca de 20 profissionais altamente qualificados, na sua maioria portugueses. Esta equipa realiza e apoia as atividades do grupo nas áreas de engenharia, construção, operação e gestão de ativos, para projetos localizados em toda a Europa. O Centro Global de Competências da Smartenergy, dispõe, ainda, de competências para desenvolver projetos de hidrogénio verde, em estreita colaboração com a filial na Alemanha, localizada em Munique, que lidera a unidade de negócio de hidrogénio.

Com vista a tornar o país energicamente mais sustentável, a Smartenergy anunciou, em 2020, novos investimentos em Portugal, como são exemplo as Centrais Fotovoltaicas de Mogadouro e Portimão e o Centro Global de Competências, em Matosinhos. Fale-nos um pouco mais dos projetos em execução e de que forma cada um deles vem contribuir para a criação de um país mais sustentável.

Temos vindo a desenvolver um portefólio de projetos solares desde 2017 que, após o seu processo de licenciamento, começaram a ser construídos no início de 2020. A Central Solar Fotovoltaica (CSF) de Mogadouro está operacional desde dezembro de 2020 e a CSF de Portimão entrará em operação no final do verão. Em conjunto, estes projetos representam uma capacidade instalada de cerca de 100MWp, equivalente a aproximadamente 230.000 painéis solares. Ao longo deste ano teremos mais projetos a arrancar, querendo dizer que em meados de 2022 teremos cerca de 350MWp em operação no mercado português. Portugal tem vindo a apostar na energia solar como um dos vetores para contribuir para a descarbonização da economia. A Smartenergy tem sido bastante ativa neste desígnio nacional, e em setembro do ano passado aumentou ainda mais o seu compromisso com o país, ao estabelecer o seu Centro Global de Competências em Matosinhos, a partir de onde apoia todas as equipas (engenharia, gestão de ativos, construção entre outras) nos diferentes mercados onde desenvolve a sua atividade.

Smartenergy - Projeto Solar PV de Portimão
Smartenergy – Projeto Solar PV de Portimão

A descarbonização do planeta é um dos objetivos estipulados por países de todo o mundo, até 2050. O hidrogénio é responsável atualmente por mais de 2 % das emissões totais de CO2 no mundo. No entanto, o hidrogénio verde revela-se um dos pontos-chave para a descarbonização. O que é o hidrogénio verde, como é obtido e de que forma se afigura uma alternativa para reduzir as emissões e cuidar do nosso planeta?

O hidrogénio é o elemento dos mais comuns no Universo e na Terra e por isso dos mais disponíveis. Neste momento, o hidrogénio tem imensas utilizações e temos que nos lembrar que na composição química dos hidrocarbonetos estão presentes átomos de hidrogénio. Atualmente, temos empresas que utilizam hidrogénio a partir de um processo de combustão catalítica sem chama designado por “Reformação de Gás Natural com Vapor de Água”, ou seja, sendo o Gás Natural essencialmente metano (CH4) que como sabemos através do processo liberta CO2. Mas quando falamos de hidrogénio verde, este é sustentável porque o seu processo de obtenção consiste na eletrólise da água (H2O), com recurso a energia elétrica proveniente de fontes renováveis. Por exemplo, através da transformação fotovoltaica da energia solar em eletricidade, que por sua vez é utilizada no processo de eletrólise da água, produzindo assim moléculas de hidrogénio e também oxigénio, como subproduto, havendo ainda libertação de calor. O hidrogénio é um bom transportador de energia, que pode ajudar a descarbonizar vários setores da economia difíceis de eletrificar, tais como os transportes ou processos industriais que recorrem a calor de elevadas temperaturas. O hidrogénio verde permite fazer eletrificação indireta dos consumos de energia térmica e elétrica sem emissões de carbono.

Consciente desta realidade, a Smartenergy já tem em marcha diversos projetos com vista à descarbonização como é exemplo o projeto de âmbito ibérico, que pretende unir o potencial de Portugal e Espanha, para a criação de combustíveis sintéticos. Apresente-nos este projeto e refira quais as alterações que pode vir a imprimir, nos diversos setores, de forma a promover a descarbonização das empresas e indústrias.

 Tirando partido do portefólio de projetos de centrais electroprodutoras de tecnologia solar fotovoltaica de que somos proprietários na Península Ibérica, a Smartenergy tem procurado complementar esses ativos com projetos de instalação de eletrolisadores para a produção de hidrogénio verde. A produção de biocombustíveis e os combustíveis sintéticos, obtidos a partir de hidrogénio verde, são setores de atividade nos quais a Smartenergy continua a investir, acreditando que terão um papel fundamental na descarbonização de setores que não são passíveis de eletrificação direta dos consumos e usos energéticos.

As metas estabelecidas para 2050, no que se refere à neutralidade climática, são bastante ambiciosas, e para as alcançarmos de modo ambientalmente e economicamente eficaz, é necessário encontrar formas complementares e tecnicamente exequíveis rumo à total descarbonização da economia.  Este caminho e/ou este objetivo não é passível de ser totalmente materializado recorrendo somente à eletrificação direta dos consumos e usos energéticos. Há setores de atividade para os quais os requisitos energéticos específicos tornam a eletrificação direta inviável, sendo que se deve dar preferência ao uso da eletricidade renovável para produzir gases e combustíveis neutros em carbono, como é o caso do hidrogénio verde. No entanto, estamos a falar de setores industriais como o cerâmico, o petroquímico, o dos fertilizantes, que necessitam de resolver um tema crucial, a sua redução de emissões de CO2. No transporte rodoviário, principalmente o transporte de pesados, a aviação e transporte marítimo são igualmente setores que assentam a sua descarbonização na eletrificação indireta com energias renováveis, o que exige esta abordagem, entre outras, à adoção do hidrogénio verde. O hidrogénio verde nestes setores que requerem maior densidade energética nos seus consumos, pode ser usado na sua forma pura como transportador de energia ou como gás combustível, pode ser convertido em energia elétrica através de uma célula de combustível, pode servir como matéria-prima para produzir combustível líquido para transporte pesado ou ainda como matéria-prima industrial. Também pode ser combinado com outros produtos para produzir o que chamamos de combustíveis e matérias-primas sintéticas, como por exemplo, o amoníaco.

Tendo sempre como principal objetivo investir num mundo mais sustentável, o que podemos esperar da Smartenergy para o futuro? A produção de hidrogénio verde será uma realidade a curto prazo?

A aposta da Smartenergy em termos de seleção de ativos para investimento continuará a passar pela escolha de projeto de energias renováveis e outros que contribuam de forma inequívoca para a descarbonização da economia. Apesar de ainda sentirmos, em termos de regulamentação técnica e de enquadramento legal, haver a necessidade de aprofundamento e clarificação por parte das diferentes entidades públicas, a Smartenergy tem vindo a avançar de forma bastante proativa no que diz respeito ao licenciamento dos seus projetos de hidrogénio verde. Temos também participado em todas as iniciativas promovidas, tanto a nível nacional (POSEUR) como europeu (IPCEI) e a nossa abordagem passa essencialmente por termos uma perspetiva holística do projeto, isto é, trabalhamos nas diferentes áreas da sua cadeia de valor, tendo sempre a missão de construir um “ecossistema” em torno do ativo de produção do hidrogénio, e desta forma, estamos a fomentar tanto a oferta como a procura. Entendemos que esta é a forma de criar valor, na perspetiva do investidor, e tentar quebrar barreiras e desafios, e com esta perspetiva almejar a materialização de projetos num horizonte temporal mais curto, ao envolver todos os stakeholders.

Smartenergy logo
www.smartenergy.net