Vista Ermida

Situado nas margens do rio Lima e com mais de metade do seu território no coração do Parque Nacional da Peneda Gerês, Ponte da Barca é um concelho paradisíaco, no distrito de Viana do Castelo. A cumprir o seu último e derradeiro mandato, o presidente do Município, António Vassalo Abreu, esteve à conversa com a Portugal em Destaque, onde falou sobre as suas gentes e sobre as perspetivas futuras deste “concelho fantástico, com COR, SABOR E TRADIÇÃO”, como descreve.

Não é filho da terra ( é natural de Marinhas – Esposende) mas há trinta anos apaixonou-se por Ponte da Barca. Da sua história, tudo sabe e o discurso torna-se fluente e destemido assim que a vila e o concelho, são o tema de conversa.
“Ponte da Barca comemorou os 500 anos do foral de D. Manuel em 2013 mas, inicialmente, era chamada como Terra de Nóbrega, já no princípio do milénio. É um município com 182 quilómetros2. 52 por cento do nosso território está inserido no Parque Nacional da Peneda Gerês, que é reserva da biosfera, declarada pela UNESCO. É um dos cinco municípios com esta distinção e este pequeno, grande pormenor por si diferencia Ponte da Barca”, começa por explicar António Vassalo Abreu, líder do executivo municipal de Ponte da Barca há três mandatos consecutivos.
O turismo, garante o autarca, é a grande aposta e prioridade do Município, que se destaca pelos contrastes. “Estamos cada vez mais direcionados para o turismo e estamos a ser procurados quer por visitantes nacionais, quer por muitos visitantes estrangeiros, sobretudo da Europa do Norte. Para além da natureza impar do Parque, das albufeiras de Touvedo e do Lindoso, temos um excelente património arquitetónico e histórico, como a zona histórica da vila, a igreja românica de Bravães, cujo portal é um dos principais a nível nacional, os Mosteiros Românicos de S. Martinho de Crasto e de Vila Nova de Muia, o velho castelo roqueiro afonsino no Lindoso, reconstruído por D. Dinis, em 1278, a ponte romana do rio Vade, as gravuras rupestres da Serra Amarela, tudo pontos obrigatórios de paragem para quem nos vem conhecer ”.
Com uma localização geográfica ímpar, (a 50 minutos dos aeroportos do Porto e de Vigo, a 40 minutos da Estação do TGV em Celanova, na Galiza, ) aliada a todo um património arquitetónico rico, o concelho possui outras características únicas, como a gastronomia, a qualidade do turismo de habitação ou o artesanato, como destaca António Vassalo Abreu.
“Há inúmeras e excelentes casas de turismo rural e de habitação em Ponte da Barca. Nos últimos dois anos a Câmara Municipal licenciou cerca de 40. Recentemente foi inaugurado um hotel de quatro estrelas, com SPA, a um quilómetro da vila e estão em construção mais dois hotéis , na vila. Temos também tentado atrair pessoas a virem conhecer Ponte da Barca pela nossa gastronomia. A Câmara promove quatro domingos gastronómicos por ano, com o nosso cozido à portuguesa, o arroz de sarrabulho, a lampreia e o cabrito à moda de Germil. Todos os anos organizamos uma Feira do Fumeiro e do Vinhão e recebemos cada vez mais pessoas, de edição para edição. A lampreia de Ponte da Barca é famosa por todo o país, bem como o nosso vinho verde. Toda a gente conhece os vinhos de Ponte da Barca que são uma referência a nível nacional e não só. Os nossos restaurantes são excelentes”.
A primeira Loja de Turismo Interativa do Minho foi construída em Ponte da Barca, facto que orgulha o autarca.
“A nossa Loja Interativa de Turismo foi a primeira da região do Minho e funciona numa casa que foi adquirida pela Câmara e onde se diz ter dormido o Rei Manuel I, a Caminho de Santiago de Compostela e quando veio dar o foral a Ponte da Barca. Nesse local vamos inaugurar brevemente um Centro Interpretativo do Território, onde as pessoas serão direcionadas para os roteiros da cultura, do Românico e da natureza”.
Fruto de uma parceria com a EDP, há também a possibilidade de se fazer uma visita ao fundo da barragem do Alto Lindoso. As marcações podem ser feitas na Câmara Municipal ou na Porta do Parque , naquela freguesia.,
A par do turismo, a cultura é também uma das principais preocupações do presidente, que tem unido esforços no sentido de potenciar o acesso dos seus munícipes a várias infraestruturas direcionadas para esta vertente.
“A cultura é também uma das nossas prioridades. Inauguramos recentemente a Loja da Cultura de Ponte da Barca, que consistiu na recuperação da antiga escola primária, no centro da vila e onde estão inseridas a escola de Ballet, a escola de Música e onde fazemos alguns espetáculos. Brevemente, iremos inaugurar uma nova Biblioteca Municipal, onde vai estar disponível a maior coleção de livros sobre Napoleão Bonaparte, fruto de uma oferta do juiz conselheiro Sebastião Vasconcelos. Para além disso, há seis anos organizamos alternadamente com Espanha, os ‘Congressos Transfronteiriços da Cultura Celta’, tendo a parceria de uma série de universidades. Temos também o maior núcleo de espigueiros da Península, no Lindoso, junto ao Castelo e temos o núcleo Museológico na freguesia da Ermida”, menciona.
Duas das maiores festividades do Alto Minho realizam-se em Ponte da Barca e são consideradas por muitos como as mais genuínas da região.
“Temos um dos três Entrudos que ainda resistem em Portugal, que é o Pai Velho no Lindoso. Terá origem celta e representa, segundo a lenda, a despedida do inverno e o acolhimento à primavera. Outra das nossas maiores festas, a principal, é a Romaria de S. Bartolomeu, que se realiza, sempre, entre os dias 19 e 24 de agosto, sendo que a noite de 23 para 24 é a noite mais longa do ano. É a noite das Rusgas, com milhares de concertinas na rua, com cantigas ao desafio e muita animação. Aconselho toda a gente a vivenciar estas duas festas, únicas no país”, aconselha o edil barquense.
Há motivos mais que suficientes para, no entender de António Vassalo Abreu, as pessoas virem conhecer Ponte da Barca e se fixarem na região.
“Temos gastronomia excelente, paisagens únicas, para além do próprio Parque da Peneda Gerês, a zona ribeirinha de Ponte da Barca, é fabulosa , com uma excelente praia fluivial, com a ponte medieval e o mercado pombalino. Muita gente já tem aqui a sua segunda habitação. Há já, sobretudo, belgas, ingleses e espanhóis a morar em Ponte da Barca. Para quem não quer ter uma habitação fixa e gosta de campismo, temos dois parques fantásticos. Fica o convite para conhecerem esta bela terra. Venham visitar-nos, de certeza que vão gostar”, finaliza.

A maior e mais esperada festa do ano
A Romaria de São Bartolomeu, como já se referiu, realiza-se de 19 a 24 de agosto e é considerada por muitos como a principal e mais genuína romaria do Minho. Sendo um dos principais cartazes de visita de Ponte da Barca, caracteriza-se por ser uma intensa semana de tradições e costumes da região. As rusgas, com milhares de concertinas, os cantares ao desafio, o folclore , o artesanato e a gastronomia, com a feira das tasquinhas são as principais atrações da romaria.
A noite de 23 de agosto é, realmente, o ponto alto da festa, onde milhares de pessoas desfilam pelas ruas, cantando ao desafio e tocando concertinas, pela noite dentro, até de manhã.
“Nessa noite, toda a gente usa, no mínimo, uma peça de roupa tradicional, seja um lenço, uma blusa ou um franjeiro e sai para a rua, até de manhã. As concertinas, os bombos e os cavaquinhos, instrumentos tradicionais ganham vida e as rusgas desfilam. Formam-se rodas de tocadores, dança-se o vira e canta-se à desgarrada em plena rua e eu não fujo à regra…”, conta António Vassalo Abreu.
No dia 24, o dia é dedicado às festividades religiosas em honra de S. Bartolomeu, onde todas as freguesias de Ponte da Barca participam na solene procissão e onde estão presentes todos os santos padroeiros de cada uma delas.
A festa culmina ao final do dia, com um espetáculo de fogo de artifício.
“Aconselho todas as pessoas a vivenciarem esta festa. É uma romaria única na região do Alto Minho, que tão bem representa as nossas tradições. Toda a gente que vem, um dia volta”, garante o presidente do município.

Fernão de Magalhães é filho da terra
Muito se especulou ao longo de séculos sobre a verdadeira naturalidade de Fernão de Magalhães, um dos mais ilustres navegadores portugueses que comandou, ao serviço do Rei de Espanha, a expedição que concluiu a primeira viagem de circum-navegação ao mundo. Alguns investigadores reclamam que seria natural de Sabrosa, outros do Porto e Vila Nova de Gaia, mas António Vassalo Abreu desmistifica esta questão e garante que “Fernão de Magalhães é filho da terra, nascido da nobre linhagem dos Magalhães das Terras da Nóbrega (Ponte da Barca). Na autarquia de Ponte da Barca nunca ninguém quis investigar e aprofundar esta questão e recordo-me de que quando cheguei à Câmara, Magalhães Santana entrou no meu gabinete e disse que esperava de uma vez por todas que um presidente de Câmara assumisse o Fernão de Magalhães como um dos nossos”, explica o presidente, que desde que iniciou o seu primeiro mandato, apoiou várias investigações, nomeadamente a de Amândio Barros, professor e investigador da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, sobre a vida do navegador.
“O prof. Amândio Barros fez uma investigação em Sabrosa sobre a naturalidade de Fernão de Magalhães e chegou a uma conclusão: não tinha a certeza onde tinha nascido mas tinha a certeza de onde não tinha nascido e em Sabrosa não foi”, reafirma o autarca.
Fernão de Magalhães nasceu por volta de 1480, tendo falecido em 1521 em Mactan nas Filipinas no decurso de uma expedição e é um dos navegadores portugueses mais conhecidos além-fronteiras.
No decurso da entrevista, António Vassalo Abreu fez questão de mostrar vários documentos que demonstram que o navegador é realmente natural de Ponte da Barca e destaca uma afirmação de Joaquim Veríssimo Serrão num dos livros mais importantes da história de Portugal, onde afirma “Magalhães nascera à volta de 1480, na província de Entre Douro e Minho, crê-se com razões de acerto que em Ponte da Barca”.
Filhos de Ponte da Barca são também os irmãos poetas Diogo Bernardes e Frei Agostinho da Cruz.
Vassalo Abreu, conclui afirmando que“vale sempre a pena vir a Ponte da Barca, terra com “ COR, SABOR E TRADIÇÃO”.